"Deus me respeita quando eu trabalho. Mas me ama quando eu canto."

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terça-feira, junho 07, 2011

Veja lança a última pá de cal sobre Palocci



A cabeça de Palocci mal se sustenta no corpo

A revista Veja dessa semana dá o tiro de misericórdia no moribundo Ministro Chefe da Casa Civil, do governo de Dilma Rousseff, que está sustentado apenas por um fio de barba de Lula. Acuado por indagações sobre seu enriquecimento repentino, coleciona desafetos inclusive no seu partido, dispostos a vê-lo longe do ministério. Mal acabou de dá explicações insatisfatória sobre como enriquecer sendo tesoureiro da campanha presidencial, tem que explicar agora porque mora de aluguel num apartamento que formalmente pertence a uma empresa de fachada (?)



Transcrito do "the passira news"

Texto de Leonardo Coutinho
com reportagem de André Eler, Laura Diniz, Marcelo Sperandio e Igor Paulin
Fonte: Revista Veja

Peça-chave do governo Dilma Rousseff, o ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, perdeu sustentação. Palocci entrou em parafuso há vinte dias, quando se descobriu que ele havia conciliado suas atividades como deputado, coordenador da campanha eleitoral da presidente da República e seu principal assessor com a de homem de negócios.

O ministro revelou sua, digamos, dupla militância depois que o jornal Folha de S.Paulo noticiou que, em 2010, ele havia comprado um apartamento de 500 metros quadrados nos Jardins, bairro nobre paulistano, por 6,6 milhões de reais e, no ano anterior, uma sala comercial na mesma região por 882 000 reais.

Com esses imóveis, o patrimônio pessoal de Palocci multiplicou-se 25 vezes desde 2006. Com um salário de 16500 reais como deputado, ele viu-se na contingência de ter de explicar tamanha evolução patrimonial.

O ministro informou ter prestado serviços de consultoria a empresas privadas - mas omitiu quais foram seus clientes e quanto eles lhe pagaram. Veio a público que esses trabalhos lhe renderam 20 milhões de reais em 2010, dos quais 10 milhões foram recebidos nos dois meses subsequentes à eleição presidencial.

Na semana passada, VEJA revelou mais um dado da vida particular do ministro que destoa de seu salário de homem público. Ele mora em São Paulo não no apartamento de 500 metros quadrados dos Jardins, mas em outro ainda maior: de 640 metros quadrados, em Moema, nas imediações do Parque do Ibirapuera, área igualmente nobre da cidade. A certidão desse imóvel, obtida por VEJA, mostra que ele pode ser uma fome de mais constrangimento para o ministro.

Ladeado por varandas, com quatro suítes, três salas, duas lareiras, churrasqueira e outros requintes, o apartamento serve à família de Palocci há quatro anos. Está avaliado em 4 milhões de reais.

O condomínio chega a 4600 reais e o IPTU a 2300 reais mensais. A assessoria do ministro informa que ele paga aluguel. Imobiliárias que administram as unidades vizinhas à de Palocci informam que o valor médio da locação naquele prédio é de 15000 reais.

De acordo com o 14° Ofício de Registro de Imóveis de São Paulo, o apartamento no qual Palocci mora pertence à Lion Franquia e Participações Ltda. Essa empresa, por sua vez, está registrada em nome de dois sócios: Dayvini Costa Nunes, com 99,5% das cotas, e Filipe Garcia dos Santos, com 0,5%. Começa aqui a estranha história do apartamento alugado por Palocci. Filipe Garcia dos Santos tem apenas 17 anos e somente foi emancipado no ano passado.

Dayvini, seu sócio majoritário, tem 23 anos, é representante comercial, mora em um casebre de fundos na periferia da cidade de Mauá, no ABC paulista. Ex-funcionário da prefeitura da cidade, comandada pelo petista Oswaldo Dias, já ganhou a vida como vendedor em uma loja de roupas e, hoje, sobrevive transportando videogames em seu carro, uma Saveiro comprada a sessenta prestações. Deve 400 reais a uma administradora de cartões de crédito, teve de abandonar o curso de administração por não conseguir pagar a mensalidade da faculdade e, agora, está sendo processado por essa instituição, que exige a quitação de 3200 reais. Tanto seu telefone fixo quanto o celular estão cortados por falta de pagamento.

Dayvini ganha 700 reais por mês e ainda é sustentado por sua mãe, uma professora da rede pública de ensino. Precisaria trabalhar sete meses, e não gastar um centavo sequer, para conseguir pagar um mês de condomínio no edifício onde mora Palocci.

Como pode, então, ser dono do imóvel?

A resposta é simples: Dayvini não passa de um laranja, termo utilizado em relação a pessoas que assumem como suas as propriedades de terceiros. Ou melhor, Dayvini é a árvore mais visível de um laranjal.

Na quinta-feira passada, ele conversou com VEJA em sua casa de 70 metros quadrados em Mauá (veja o quadro na pág. 72 e vídeo em VEJA.com). Mostrou-se surpreso ao ser confrontado com a informação de que é o dono formal do vistoso apartamento no qual mora o ministro.

"Nunca tive bem algum", disse ele na entrevista. Pelos documentos registrados em cartório, descobre-se que o nome de Dayvini começou a aparecer na escritura do imóvel em janeiro de 2008. Naquele mês, o representante comercial foi registrado como beneficiário de uma hipoteca no valor de 233450 reais, cuja garantia era o apartamento do Ibirapuera.

"Eu sou pobre. Como eles poderiam me dever?", indagou Dayvini, na quinta-feira. Em setembro de 2008, o imóvel foi transferido por doação à Lion Franquia e Participações Ltda. No dia 29 de dezembro do ano passado, quando Palocci já posava como homem forte do governo Dilma, Dayvini assumiu 99,5% das cotas da Lion Franquia e Participações.

Questionado por VEJA, o representante comercial garantiu que jamais recebeu um tostão de aluguel de Palocci. Na sexta-feira, porém, Dayvini telefonou para VEJA a fim de mudar a versão que havia contado no dia anterior. Ele não negou ser laranja da Lion, mas afirmou que o fez voluntariamente• para ajudar parentes.

"Eu quero tirar essas empresas do meu nome", disse. Em seguida, afirmou ter mentido na entrevista do dia anterior e explicou o motivo: "Esse problema envolve pessoas com quem eu não tenho como brigar. Não tenho como bater de frente com Palocci".

A cadeia de ilegalidades relacionadas ao apartamento onde reside o ministro da Casa Civil vai além da constituição de Dayvini como laranja da Lion Franquia e Participações. A empresa usou endereços falsos em todas as operações feitas nos últimos três anos. A Lion recebeu o apartamento onde mora Palocci em 2008, de um tal Gesmo Siqueira dos Santos, tio de Dayvini. Siqueira dos Santos responde a 35 processos por fraude de documentos, adulteração de combustível e sonegação fiscal. Uma mulher que trabalhou como empregada doméstica em sua casa foi usada como laranja em outras quatro empresas abertas por Siqueira Santos. O nome dela é sugestivo: Rosailde Laranjeira da Silva.

No caso da Lion Franquia e Participações, o sócio de Dayvini, o adolescente Filipe Garcia dos Santos, informou ao cartório de registro de imóveis um endereço residencial inexistente no Paraná. Na sede formal da Lion Franquia e Participações, na cidade de Salto, a 100 quilômetros da capital paulista, funciona uma loja de decoração. VEJA questionou o ministro Palocci, por meio de sua assessoria de imprensa, sobre o locador de imóvel do Ibirapuera, o valor do aluguel e a quem são feitos esses pagamentos. Não houve resposta.

Dê-se ao ministro o benefício da dúvida, pois ninguém que paga aluguel está obrigado a saber da idoneidade da pessoa física ou jurídica de quem aluga. Mas, dados o histórico e a posição de Palocci, é uma imprudência alugar o apartamento de uma empresa de fachada.

Não é a primeira vez que um trabalhador anônimo atravessa a carreira política do ministro da Casa Civil. Fiador da estabilidade econômica no primeiro governo Lula, principal interlocutor do empresariado entre os petistas e tido como hábil negociador político, Palocci perdeu o Ministério da Fazenda em 2006 por causa de uma casa em Brasília usada para encontros com prostitutas e negócios pouco republicanos.

Para desqualificar a principal testemunha de suas visitas à casa, ele envolveu-se na quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa. No ambiente de impunidade que nodoa o Brasil. Palocci teve uma segunda chance para reconstruir sua carreira política. No mesmo ano, elegeu-se deputado federal. Em 2009, obteve o arquivamento dos processos resultantes de escândalos ocorridos em sua gestão na prefeitura da paulista Ribeirão Preto.

No mesmo ano, o Supremo Tribunal Federal o inocentou no caso do caseiro. Era tarde demais para que Palocci entrasse na lista dos presidenciáveis petistas, mas houve tempo suficiente para que ele assumisse, primeiro, a interlocução da então candidata Dilma com o empresariado - e, depois da eleição, encampasse também a representação política e boa parte da condução do novo governo.

Nessa função, Palocci amealhou mais adversários do que aliados. Representando a presidente, vetou a concessão de cargos federais aos expoentes da base governista. Há dez dias, chegou a trombar com o vice-presidente, o peemedebista Michel Temer. Em um telefonema desastroso, ameaçou demitir todos os indicados por Temer, se o PMDB não votasse contra o Código Florestal. O PMDB refutou a bravata.

A surpresa viria de seu próprio partido. No dia 27, o governador da Bahia, Jaques Wagner, se disse surpreso com o rendimento do consultor Palocci. Na semana passada, a senadora Gleisi Hoffmann (PR), mulher do ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, acenou para o risco de a crise detonada por Palocci atingir o partido e o governo.

Na última quinta-feira, quatro integrantes da executiva da agremiação pediram a demissão imediata do chefe da Casa Civil. Entre os que cobraram a cabeça de Palocci, está até o secretário-geral do PT, Elói Pietá. O PT decidiu isolá-lo. "A crise não é do partido, é do governo", disse o deputado petista André Vargas (PR).

Dilma, sua chefe, e seu padrinho, o ex-presidente Luiz lnácio Lula da Silva, exigiram que ele apresentasse explicações imediatas. Na sexta-feira, ele tentou dá-las no Jornal Nacional. Ficaram longe de resolver o seu problema. E agora tem mais essa, do apartamento em São Paulo. 


sábado, abril 30, 2011

...e serão felizes para sempre... (!?)

Quase a "terra inteira" enviou votos e boas energias para o jovem casal britânico



A Clarence House, residência oficial do príncipe de Gales, divulgou esta manhã três fotos oficiais do casamento de William e Kate, tiradas pelo fotógrafo Hugo Burnard e tiradas no palácio de Buckingham.

Numa delas está apenas o casal, na outra com os pagens e as meninas das flores, noutra com os pais e os padrinhos.


Felizes para sempre!

Leia ótima matéria  



sexta-feira, abril 08, 2011

Hábitos & Vícios

Por muitos anos eu fui fumante

fumar 
Eu tinha dezessete anos e fumar era algo glamurizado! As  grandes divas do cinema da época todas eram fumantes e parecia que o ato de fumar emprestava a elas mais liberdade, altivez, sensualidade, nobreza. Chegava a criar um distanciamento necessário ou uma desejava aproximação.

Pondo de parte os tão conhecidos malefícios que o cigarro nos trás – esqueça-se isso. Fumar era maravilhoso, me dava grande prazer, preenchia um “algo” que não sei o que seja...deixou um vazio.

Antes, mesmo durante os outros tratamentos, eu ainda fumava, mas depois do transplante ouvi com todas as letras que eu não poderia mais fumar – “Nunca mais” Faz cinco meses que não fumo, é difícil, muito difícil, não é apenas lidar e dominar um vício, mas se desfazer de um hábito também.

Muitos são os mecanismos de um hábito, eles também fazem falta, eles faziam parte do ritual e devem, um a um, ser apagados e isso causa dor, a dor da perda – meu companheiro cigarro, agora apartado de mim.
AM pto. entre nos

quarta-feira, março 30, 2011

De frequentador da zona a crítico dos juros altos, José Alencar está a caminho da canonização

Por Ucho Haddad
jose_alencar
No Brasil, a exemplo do que ocorre em boa parte do  planeta, exigir coerência no mundo político é a mais hercúlea das tarefas. Quiçá não seja uma empreitada completamente impossível. Quando um político passa para o outro lado da vida, se é que isso de fato existe, suas mazelas chegam à sepultura muito antes do cadáver. O mau vira bom, o desonesto vira honesto, o implacável vira um coitado. Sem querer duvidar da sua honestidade, esse cenário já recobre a morte de José Alencar Gomes da Silva, vice-presidente da República nos dois mandatos de Lula da Silva (2003-2010), que morreu em São Paulo após mais de uma década de luta contra um câncer abdominal.

Tão logo subiu a rampa do Palácio do Planalto pela primeira vez, José Alencar não demorou a tecer suas críticas contra as altas taxas de juros. Mal sabia Alencar que os banqueiros derramaram verdadeiras fortunas na campanha de Lula e ao incauto povo brasileiro cabia pagar a conta. Como cabe até hoje. E o esperneio discursivo do empresário José Alencar pouco adiantou. Fosse um homem coerente, Alencar teria alcançado o boné e renunciado. Só não o fez por conta de interesses maiores.

Ano e meio depois de tomar posse ao lado de Lula, o simpático José Alencar adotou obsequioso silêncio diante do escândalo que ficou nacionalmente conhecido como “Mensalão do PT”, esquema criminoso de cooptação de parlamentares que trocaram a consciência por um punhado de dinheiro imundo. É verdade que todos são inocentes até prova em contrário, mas no PT de outrora rezava a regra de que para condenar alguém bastavam apenas evidências. A profecia é de autoria de José Dirceu de Oliveira e Silva, o Pedro Caroço, figura com a qual José Alencar conviveu sem qualquer reserva.

O agora santificado José Alencar apostou nas palavras do companheiro Lula, que certa vez disse com todas as letras que a China é uma economia de mercado. Certo de que o parceiro palaciano sabia das coisas, Alencar deflagrou um processo para abrir uma unidade de seu conglomerado têxtil no país da lendária muralha. Mesmo com o Brasil sofrendo há anos a concorrência desleal dos fabricantes chineses de tecidos e afins, Alencar exigiu que o projeto fosse cumprido à risca. E o mercado brasileiro de tecidos, que deveria ser defendido pelas autoridades verde-louras e também pelo então vice-presidente, foi mandado às favas inclusive por José Alencar.

Por ocasião da CPI dos Correios, que acabou investigando a fonte de financiamento do Mensalão petista, o nome da Coteminas veio à baila, pois a empresa de José Alencar recebeu em uma de suas contas bancárias um depósito de R$ 1 milhão feito pelo PT. Alencar, que logo tratou de isentar de qualquer culpa o seu conglomerado empresarial, alegou que as explicações deveriam ser cobradas do próprio PT. A operação, segundo José Alencar, decorreu do fornecimento de 2,75 milhões de camisetas aos candidatos petistas nas eleições municipais de 2004. O então presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini, informou a José Alencar, horas depois da eclosão do escândalo, que o repasse à Coteminas não foi contabilizado pelo partido. A dívida, de R$ 12 milhões, correspondia à época a 50 carretas abarrotadas de camisetas. Para contemplar as necessidades de Lula e Alencar, o caso foi devidamente abafado.

Guindado ao Ministério da Defesa por decisão de Lula, o empresário José Alencar viu a sua Coteminas vender cada vez mais uniformes para o Exército brasileiro. Coincidência? Talvez, mas na política essa palavra não existe no dicionário.

Em 2006, ao aceitar o convite para novamente fazer dupla com Lula da Silva, José Alencar acabou por endossar o “Mensalão” e outros tantos escândalos de corrupção patrocinados pelo Partido dos Trabalhadores e por muitos palacianos. Na ocasião eclodiu o escândalo do Dossiê Cuiabá, conjunto de documentos apócrifos para prejudicar os então candidatos tucanos Geraldo Alckmin e José Serra. Mais uma vez, diante de um novo escárnio com a digital da esquerda brasileira, Alencar preferiu submergir.

No quase infindável imbróglio da Varig, coube a José Alencar aproximar o empresário Constantino Oliveira, o nada diplomático Nenê, do presidente Lula, que implorou para que o dono da Gol comprasse a outrora mais importante companhia de aviação do País. Muito estranhamente, Nenê Constantino, tão mineiro quanto José Alencar, atendeu aos apelos de Lula e arrematou a Varig por US$ 300 milhões, uma empresa que estava resumida à própria marca. Até hoje ninguém conseguiu entender a transação que nem mesmo o mais incauto investidor seria capaz de apostar suas economias, mas o universo do poder tem essas situações inexplicáveis.

Em agosto de 2010, ao ser entrevistado pelo apresentador Jô Soares, o nada elegante José Alencar aceitou falar sobre o processo de investigação de paternidade que lhe movia Rosemary de Morais, sua suposta filha, e a recusa em se submeter a um teste de DNA. Ao apresentador global o agora bonzinho José Alencar repetiu o que disse à Justiça. Que a mãe de sua suposta filha era prostituta e que ele [José Alencar] foi um frequentador contumaz das zonas de meretrício das cidades onde morou desde jovem. Ao expor a mãe da sua suposta filha de forma tão covarde e aviltante, José Alencar não apenas escancarou o seu caráter, mas mostrou ao mundo ser ele alguém bem diferente daquele que hoje, após a morte, a consternada população brasileira tenta canonizar.

Ter pena de José Alencar por conta da sua luta contra o câncer não causa espanto. Mas há milhares de brasileiros na mesma situação de Alencar e que lamentavelmente dependem do sistema público da saúde para lutar contra a morte. Esses sim são bravos lutadores, dignos de pena e do respeito incondicional de todos.

Em momento algum quero festejar a morte de alguém, até porque esse é o tipo de atitude que não se toma nem mesmo com os mais figadais inimigos, mas não se pode alçar aos céus com tanta rapidez quem ainda tem contas a acertar com o Criador.

De igual maneira, a minha manifestação não se trata de moralismo oportunista, mas serve como apelo aos brasileiros para que releiam a recente história política nacional e que mantenham a coerência no momento em que mais um político se despede da vida terrena.

Errar é humano, é verdade, mas o erro pontual pode ser transformado em plataforma de acertos futuros se o errante tiver um mínimo de massa cinzenta. Como sempre escrevo, digo e não canso de repetir, sou o melhor produto dos meus próprios erros. Ainda bem! E é por isso que espero que no momento da minha morte os meus inimigos preservem a coerência e mantenham as críticas que me fizeram ao longo da vida. Só assim descansarem em paz, ciente de que mesmo longe dessa barafunda continuarei coerente e incomodando.

O meu finado pai, que tantos bons exemplos me deixou, por certo não encontrou minha mãe na zona mais próxima, mas os que me odeiam podem continuar me chamando de filho da puta – o genial Jânio Quadros dizia que o melhor é se referir ao desafeto como “filho de puta” – com a anuência da minha respeitadíssima genitora. Fora isso, é preciso considerar que, assim como acontece com os árbitros de futebol, jornalistas políticos polêmicos sempre têm uma mãe sobressalente para os costumeiros e inevitáveis xingamentos.

E que o Criador escute as minhas preces e dispense ao ser humano José Alencar o tratamento devido, pois a sua luta pela vida foi inglória. Amém!

segunda-feira, fevereiro 21, 2011

“O Fenômeno deu três bolas fora ao se despedir do futebol”

“A gordura de Ronaldo, a tireoide e a paixão”
Por Cristiane Segatto
ronaldo_fenomeno A felicidade que Ronaldo deu ao Brasil é um patrimônio emocional que ninguém nos tira. As grandes arrancadas, os dribles desconcertantes, a agilidade, a rapidez, e a força fizeram, em três Copas do Mundo, cada brasileiro se sentir um camisa 9. O tempo passou, o Fenômeno engordou, mas será ídolo para sempre. Não precisava, no dia em que anunciou a aposentadoria, tentar justificar o corpo roliço com aquela historinha mal contada de hipotireoidismo. Foi bola fora.

Ronaldo mencionou o hipotireoidismo como se ele fosse um atenuante. Como se a disfunção da tireoide pudesse explicar os cerca de 20 kg que engordou desde 2002. “Muitos devem estar arrependidos de terem feito tanta chacota com meu peso”, disse aos jornalistas.


A coisa não é bem assim. O hipotireoidismo ocorre quando a glândula tireoide (localizada no pescoço, logo abaixo do Pomo de Adão) não funciona de maneira correta. Ela passa a liberar hormônios (T3 e T4) em quantidade insuficiente. A disfunção facilita o aumento de peso porque provoca retenção de líquido - e não o aumento da gordura corporal. Por causa do inchaço, o ponteiro da balança sobe três, cinco, seis quilos. Não é coisa de 10 kg. Muitos menos de 20 kg.


“É improvável que o ganho de peso do Ronaldo tenha sido provocado pelo hipotireoidismo”, diz Ricardo Meirelles, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia.
 
Ronaldo disse também que não se tratou porque o remédio poderia ser detectado no exame antidoping. Era a segunda bola fora. No mesmo dia os especialistas esclareceram que o remédio não consta na lista de substâncias proibidas pela

O tratamento do hipotireoidismo é simples e barato (de R$ 11 a R$ 40 por mês). A substância levotiroxina é igual ao hormônio natural produzido pela glândula. Basta a pessoa tomar um comprimido por dia em jejum. Se respeitada a dose correta, não há nenhum efeito colateral. Muitos brasileiros passam por isso sem maiores dificuldades. O problema é mais comum no sexo feminino. Anualmente, quatro mulheres a cada 1.000 têm o problema. Para cada oito mulheres, um homem apresenta a disfunção.

Dois meses depois do início do tratamento a maioria das pessoas se recupera completamente. Mas precisa fazer avaliações periódicas e continuar repondo o hormônio de acordo com a necessidade.

A terceira bola fora de Ronaldo foi ter escondido o fato de que, na verdade, havia se tratado. A doença diagnosticada em 2007, quando ele estava no italiano Milan, foi tratada com levotiroxina. Assim como o Milan, o Corinthians comunicou a Fifa e a Agência Mundial Antidoping que Ronaldo estava tomando o remédio. Julio Stancati, médico do Corinthians, declarou que o tratamento foi retomado em janeiro deste ano.

Por que esconder isso? O tratamento de uma doença simples, comum e de fácil controle em nada comprometeria a imagem e o desempenho do Fenômeno. Por outro lado, ficar sem tratamento produziria riscos inaceitáveis: fadiga, raciocínio lento, desânimo, colesterol alto etc.


Ao tentar atribuir o ganho de peso ao hipotireoidismo, Ronaldo reproduz um costume popular. Quem não conhece alguém que já recorreu a esse expediente? Essa tradição vem do tempo em que o diagnóstico das doenças da tireóide era muito difícil. Sem os exames atuais que são capazes de dosar a quantidade de hormônios T3 e T4 no sangue, muitos diagnósticos eram errados. A pessoa engordava por outras razões, mas a tireóide era responsabilizada. Virou uma desculpa disseminada.

Ao dizer que tem problemas de tireoide, os gordinhos se sentem perdoados. É como se reafirmassem que, se não emagrecem, não é por falta de força de vontade. O discurso cruel da força de vontade sustenta o julgamento que lançamos sobre os obesos o tempo todo -- explicitamente ou em silêncio.

Estamos cansados de saber que dieta equilibrada e atividade física é a melhor forma de combater a obesidade e manter o bem-estar. Mas insistir em dizer que só é gordo quem quer é uma tremenda bobagem. Metade dos obesos não consegue emagrecer fazendo apenas o que os malhadões da TV nos dizem para fazer. Precisam de remédios, psicoterapia e -- em casos graves -- cirurgia.


A obesidade é uma doença. Complexa, multifatorial, mal compreendida por grande parte da sociedade. Não podemos permitir que, em função da nossa ignorância a respeito dos fatores que a desencadeiam, os obesos sejam encarados como fracos e preguiçosos

Os gordinhos, os gordos, os gordões já enfrentam problemas demais nesse mundo cada vez mais obesofóbico. Não precisam carregar também a culpa. É preciso entender que a sina da humanidade é engordar. Ninguém está livre disso. Uma pessoa de 30 anos que faz tudo certo e tem peso pena raramente chegará aos 50 com o mesmo corpo. Alguns conseguem, é claro, mas representam a absoluta minoria.
A obesidade é o preço que pagamos pelo conforto que não tínhamos no tempo das cavernas. Queremos tudo à mão.Comida farta, controle remoto, carro com ar-condicionado, direção hidráulica e vidros elétricos. Tudo isso engorda.


Se qualquer um está sujeito ao ganho de peso, o que dizer dos jogadores de futebol? Eles fazem tanto exercício que chegam a gastar 5 mil calorias por dia. Quando estão prestes a se aposentar estão cheios de lesões que limitam a atividade física. Eles se despedem do futebol, mas os hábitos alimentares não mudam. Continuam ingerindo a mesma quantidade de calorias. Ou muito mais, quando se esbaldam nas festas cheias de comida e bebida. São inúmeros os exemplos de jogadores que engordaram ao final da carreira ou logo depois dela. Ronaldo não está sozinho nessa.


Os últimos lances dele foram melancólicos. Por forçaentre nos ronaldo gordo das circunstâncias foi encerrar a carreira justamente num time do povo, construído sobre um valor fundamental: a raça. Eu, que tenho um corinthiano doente lá em casa, demorei a entender esse conceito. Acompanhei a paixão sofrida dele inúmeras vezes. Sempre quietinha, perto do telefone, esperando para ligar para o SAMU no dia em que ele infartar. Depois de tantos anos de convivência, acho que entendi. Para o corinthiano, o jogador não precisa ser craque. Não precisa ser o melhor do mundo. Mas precisa se doar, correr, lutar, dar a alma pelo time. Demonstrar vontade, dedicação e sofrer em campo como o bando de loucos do lado de fora. Raça é tudo isso junto.


Tudo o que Ronaldo não podia mais oferecer. Ele sai para uma segunda carreira sem perder as glórias do passado. Foi um craque de primeira grandeza e será sempre lembrado por isso. Não precisava se embananar na tentativa de explicar seu ganho de peso. Podia ter se poupado de suas três últimas bolas fora.
bola preta
Fonte: Época

 Afinal encontro um texto falando sobre a despedida desse "fenômeno", mais condizente com a realidade: hipotiroidismo=desculpa esfarrapada, nem acho que é "bola fora" ter mencionado tal fato, em sendo falsa a informação da forma em que foi apresentada, é um deslavado mentiroso. Fenomenal teria sido ele não ter participado do último jogo da copa de 1998, se estava "zoado" que ficasse na cama; se não foi isso, se entregou o jogo para os franceses, desmereceu tudo o que fez antes como atleta e tudo o que fez depois. Já vai tarde esse fenomenal farrista!
Ana Maria 

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