"Deus me respeita quando eu trabalho. Mas me ama quando eu canto."

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segunda-feira, abril 18, 2011

Dia de Monteiro Lobato

Google faz homenagem a Monteiro Lobato, o criador do Sitio do Picapau Amarelo

Para comemorar o 129º Aniversário de Monteiro Lobato, o Google preparou um Doodle especial para este dia, a imagem traz os dois personagens mais carismáticos criados por Monteiro Lobato, o boneco de sabugo de milho Visconde de Sabugosa e Emília, a boneca de pano.

lobato11-hp

José Bento Renato Monteiro Lobato, mais conhecido apenas por Monteiro Lobato, nasceu em Taubaté no dia 18 de abril. Monteiro Lobato foi um dos mais influentes escritores brasileiros do século XX. Foi um importante editor de livros inéditos e autor de importantes traduções. Seguido a seu precursor Figueiredo Pimentel (“Contos da Carochinha”) da literatura infantil brasileira, ficou popularmente conhecido pelo conjunto educativo de sua obra de livros infantis, que constitui aproximadamente a metade da sua produção literária. A outra metade, consistindo de contos (geralmente sobre temas brasileiros), artigos, críticas, crônicas, prefácios, cartas, um livro sobre a importância do petróleo e do ferro, e um único romance, O Presidente Negro, o qual não alcançou a mesma popularidade que suas obras para crianças, que entre as mais famosas destaca-se Reinações de Narizinho (1931), Caçadas de Pedrinho (1933) e O Picapau Amarelo (1939).

 
lobato entre nosMonteiro Lobato empresta à data de seu aniversário, 18 de abril (1882-1948), para a comemoração do Dia Nacional do Livro Infantil.

O dia foi escolhido pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, em 2002, e instituído pela Unesco (United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization) do Brasil. 


 Fontes: uol, bagarai

segunda-feira, janeiro 04, 2010

Cecilia Meireles

Canção

Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
- depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar

Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre de meus dedos
colore as areias desertas.

O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio...

Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.

Depois, tudo estará perfeito;
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas.


*

quarta-feira, setembro 30, 2009

Queremos dividir o Brasil?

"Não", é a resposta que resulta da leitura de Uma Gota de Sangue, de Demétrio Magnoli, um livro ambicioso que investiga as origens ideológicas das cotas raciais

"Cada homem é uma raça." A frase, título de um livro do escritor moçambicano Mia Couto, sintetiza a ideia deque cada indivíduo tem sua história, seu repertório cultural, seus desejos, suas preferências pessoais e, éclaro, uma aparência física própria que, no conjunto, fazem dele um ser único. Rótulos raciais são, portanto, arbitrários e injustos. Mia Couto, com sua concepção universalista da humanidade, é citado algumas vezes em Uma Gota de Sangue – História do Pensamento Racial do sociólogo paulistano Demétrio Magnoli, recém-chegado às livrarias. Trata-se de uma dessas obras ambiciosas, raras no Brasil, que partem de um esforço de pesquisa histórica monumental para elucidar um tema da atualidade. Magnoli estava intrigado com o avanço das cotas para negros no Brasil e resolveu investigar a raiz dessas medidas afirmativas. O resultado é uma análise meticulosa da evolução do conceito racial no mundo. Descobre-se em Uma Gota de Sangue que as atuais políticas de cotas derivam dos mesmos pressupostos clássicos sobre raça que embasaram, num passado não tão distante, a segregação oficial de negros e outros grupos. A diferença é que, agora, esse velho pensamento assume o nome de multiculturalismo – a ideia de que uma nação é uma colcha de retalhos de etnias que formam um conjunto, mas não se misturam. É o racismo com nova pele.

Em democracias, a existência de minorias com tratamento especial quase sempre resulta em encrenca. A pergunta que os brasileiros deveriam se fazer é: isso vale a pena?". Uma Gota de Sangue, de Demétrio Magnoli, contribui para que se responda: não, não e não.

"Esse caminho conduzirá a uma carteira de identidade racial"

O sociólogo Demétrio Magnoli, autor de Uma Gota de Sangue, conversou com VEJA

"O senhor escreveu, certa vez, que ficou incomodado ao deparar com o item "raça" no formulário de matrícula da escola de sua filha. Por quê?

Porque esse é o primeiro documento público no Brasil que compulsoriamente associa as pessoas nominalmente a uma raça. É um documento diferente das pesquisas anônimas do censo demográfico. No caso da matrícula escolar, ao se associar um nome a uma raça, repete-se uma prática fundamental das políticas raciais no mundo inteiro, desde o século XIX. Não vejo nenhum dilema político em que as pessoas, na esfera privada, imaginem participar de uma raça. É um direito de cada um criar identidades próprias. O problema é quando o estado cria e impõe um rótulo às pessoas. No caso das matrículas, isso foi feito através de uma norma do Ministério da Educação (MEC), válida para escolas públicas e privadas. Os pais devem declarar a "raça" de seus filhos. Hoje, todos os formulários de saúde e educação no país têm esse item. O Brasil está oficializando as identidades raciais.

Qual é o perigo?

A função desse conjunto de documentos é impingir aos cidadãos uma marca racial da qual não poderão fugir e que depois terá efeitos práticos em sua vida, no vestibular ou no mercado de trabalho. Estamos trilhando um caminho que conduzirá a uma carteira de identidade racial.

Quem ganha com isso?

Em todos os lugares em que foi aplicado esse tipo de medida, formaram-se elites políticas sustentadas sobre bases raciais. Seu interesse é ganhar influência, votos e audiência social. No Brasil, os promotores dessas políticas imaginam que o racismo brasileiro leva as pessoas a "negar a sua verdadeira raça". Para eles, incentivos oficiais, vagas em universidades e cotas no mercado de trabalho vão ajudar os mestiços a "assumir a sua negritude" – frase que se ouve a toda hora. Pretende-se com isso criar uma larga base social para que os promotores das políticas raciais se ergam como lideranças políticas. Eles querem criar um racismo de massas, algo que não existe no Brasil. Há, sim, um racismo difuso, mas não um ódio racial de massas.

Por que essa agenda foi adotada pelo Partido dos Trabalhadores?

Porque o partido mantém relações com ONGs que promovem tais políticas, muitas por influência de entidades filantrópicas americanas. Como não têm apoio popular, as ONGs precisam se atrelar a um partido para ganhar representatividade e exercer pressão sobre o estado. Embora hoje o PT seja a principal agremiação a conduzir essa bandeira, vale lembrar que as políticas raciais começaram com o PSDB, durante a Presidência de Fernando Henrique Cardoso.

O que é avaliado de verdade na hora de conceder cotas?

No estado racial, as pessoas têm de demonstrar uma identidade e assumi-la. Os desviantes são aqueles que se recusam a fazê-lo. Como não existe ninguém "verdadeiramente negro", assim como não existe "verdadeiramente branco", o que se tenta avaliar é, no fundo, a ideologia. Entre pessoas igualmente pardas, ganha a vaga aquela que se diz vítima de discriminação. Essa resposta é associada a uma ideologia da negritude que serve de critério para as comissões universitárias decidirem sobre a distribuição de cotas. É quase o mesmo que beneficiar no vestibular os alunos que estão de acordo com as ideias de determinado partido.

A criação de um racismo de massas é um caminho sem volta?

Volta sempre existe, mas é preciso saber a que custo. Em Ruanda, pagou-se o preço de um genocídio. Posteriormente, o estado ruandês decidiu proibir a classificação racial da população. Se o Brasil insistir nas políticas raciais e se elas se tornarem enraizadas, coisa que ainda não ocorreu, a sociedade vai pagar um preço alto, impossível de prever."

Leia matéria completa: Veja

terça-feira, setembro 29, 2009

Saúde Mental

Um artigo maravilhoso!

RubemAlves_0024

Rubem Alves

"Fui convidado a fazer uma preleção sobre saúde mental. Os que me convidaram supuseram que eu, na qualidade de psicanalista, deveria ser um especialista no assunto. E eu também pensei. Tanto que aceitei.

Mas foi só parar para pensar para me arrepender. Percebi que nada sabia.Eu me explico.Comecei o meu pensamento fazendo uma lista das pessoas que, do meu ponto de vista, tiveram uma vida mental rica e excitante, pessoas cujos livros e obras são alimento para a minha alma. Nietzsche, Fernando Pessoa, Van Gogh, Wittgenstein, Cecília Meireles, Maiakovski. E logo me assustei. Nietzsche ficou louco. Fernando Pessoa era dado à bebida. Van Gogh matou-se.Wittgenstein alegrou-se ao saber que iria morrer em breve: não suportava mais viver com tanta angústia. Cecília Meireles sofria de uma suave depressão crônica. Maiakoviski suicidou-se.

Essas eram pessoas lúcidas e profundas que continuarão a ser pão para os vivos muito depois de nós termos sido completamente esquecidos.Mas será que tinham saúde mental? Saúde mental, essa condição em que as idéias comportam-se bem, sempre iguais, previsíveis, sem surpresas, obedientes ao comando do dever, todas as coisas nos seus lugares, como soldados em ordem unida, jamais permitindo que o corpo falte ao trabalho, ou que faça algo inesperado; nem é preciso dar uma volta ao mundo num barco a vela, basta fazer o que fez a Shirley Valentine (se ainda não viu, veja o filme) ou ter um amor proibido ou, mais perigoso que tudo isso, a coragem de pensar o que nunca pensou.

Pensar é uma coisa muito perigosa... Não, saúde mental elas não tinham... Eram lúcidas demais para isso.Elas sabiam que o mundo é controlado pelos loucos e idosos de gravata.Sendo donos do poder, os loucos passam a ser os protótipos da saúde mental.Claro que nenhum dos nomes que citei sobreviveria aos testes psicológicos a que teria de se submeter se fosse pedir emprego numa empresa. Por outro lado, nunca ouvir falar de político que tivesse depressão. Andam sempre fortes em passarelas pelas ruas da cidade, distribuindo sorrisos e certezas.

Sinto que meus pensamentos podem parecer pensamentos de louco e por isso apresso-me aos devidos esclarecimentos.Nós somos muito parecidos com computadores. O funcionamento dos computadores, como todo mundo sabe, requer a interação de duas partes. Uma delas chama-se hardware, literalmente "equipamento duro", e a outra denomina-se software, "equipamento macio". Hardware é constituído por todas as coisas sólidas com que o aparelho é feito. O software é constituído por entidades "espirituais" - símbolos que formam os programas e são gravados nos disquetes. Nós também temos um hardware e um software.

O hardware são os nervos do cérebro, os neurônios, tudo aquilo que compõe o sistema nervoso. O software é constituído por uma série de programas que ficam gravados na memória. Do mesmo jeito como nos computadores, o que fica na memória são símbolos, entidades levíssimas, dir-se-ia mesmo "espirituais", sendo que o programa mais importante é a linguagem.
Um computador pode enlouquecer por defeitos no hardware ou por defeitos no software.Nós também. Quando o nosso hardware fica louco há que se chamar psiquiatras e neurologistas, que virão com suas poções químicas e bisturis consertar o que se estragou. Quando o problema está no software, entretanto, poções e bisturis não funcionam.

Não se conserta um programa com chave de fenda.Porque o software é feito de símbolos e, somente símbolos, podem entrar dentro dele.Ouvimos uma música e choramos. Lemos os poemas eróticos de Drummond e o corpo fica excitado. Imagine um aparelho de som. Imagine que o toca-discos e os acessórios, o hardware, tenham a capacidade de ouvir a música que ele toca e se comover. Imagine mais, que a beleza é tão grande que o hardware não a comporta e se arrebenta de emoção!

Pois foi isso que aconteceu com aquelas pessoas que citei no princípio:
A música que saia de seu software era tão bonita que seu hardware não suportou... Dados esses pressupostos teóricos, estamos agora em condições de oferecer uma receita que garantirá, àqueles que a seguirem à risca, "saúde mental" até o fim dos seus dias.

Opte por um software modesto. Evite as coisas belas e comoventes.
A beleza é perigosa para o hardware. Cuidado com a música... Brahms, Mahler, Wagner, Bach são especialmente contra-indicados. Quanto às leituras, evite aquelas que fazem pensar. Tranquilize-se há uma vasta literatura especializada em impedir o pensamento. Se há livros do doutor Lair Ribeiro, por que se arriscar a ler Saramago?

Os jornais têm o mesmo efeito. Devem ser lidos diariamente. Como eles publicam diariamente sempre a mesma coisa com nomes e caras diferentes, fica garantido que o nosso software pensará sempre coisas iguais. E, aos domingos, não se esqueça do Silvio Santos e do Gugu Liberato.
Seguindo essa receita você terá uma vida tranqüila, embora banal.
Mas como você cultivou a insensibilidade, você não perceberá o quão banal ela é. E, em vez de ter o fim que tiveram as pessoas que mencionei, você se aposentará para, então, realizar os seus sonhos. Infelizmente, entretanto, quando chegar tal momento, você já terá se esquecido de como eles eram..."

terça-feira, setembro 22, 2009

Clarice Lispector


...em "Cânticos" XXIII


Não faças de ti


Um sonho a realizar.


Vai.


Sem caminho marcado.


Tu és o de todos os caminhos.


Sê apenas uma presença.


Invísivel presença silenciosa.


Todas as coisas esperam a luz,


Sem dizerem que a esperam.


Sem saberem que existe.


Todas as coisas esperarão por ti,


sem te falarem.


Sem lhes falares.

terça-feira, setembro 08, 2009

Três formas


"Existem três formas de se obter sabedoria:
Primeiro, por reflexão, que é a mais nobre;
Segundo, por imitação, que é a mais fácil;
e terceiro pela experiência, que é a mais amarga"

Confúcio

sábado, setembro 05, 2009

Concerto para Corpo e Alma

Compreendi, então,
que a vida não é uma sonata que,
para realizar a sua beleza,
tem que ser tocada até o fim.

Dei-me conta, ao contrário,
de que a vida é um álbum de minissonatas.

Cada momento de beleza vivido e amado,
por efêmero que seja.
é uma experiência completa
que está destinada à eternidade.

Um único momento de beleza
e amor justifica a vida inteira.

Rubem Alves

sexta-feira, setembro 04, 2009

“A verdadeira crise”

A Crise segundo Albert Einstein

“Não podemos querer que as coisas mudem se sempre fazemos o mesmo. A crise é a maior benção que pode acontecer as pessoas e aos países, porque a crise traz progressos. A criatividade nasce da angústia assim como o dia nasce da noite escura. É na crise que nascem os inventos, os descobrimentos e grandes estratégias. Quem supera a crise se supera a si mesmo sem ter sido superado.

Quem atribui a crise seus fracassos e penúrias, violenta seu próprio talento e respeita mais os problemas que as soluções. A verdadeira crise, é a crise da incompetência. O inconveniente das pessoas e dos países é a dificuldade para encontrar as saídas e as soluções. Sem crises não há desafios, sem desafios a vida é uma rotina, uma lenta agonia.

Sem crises não há méritos. É na crise que aflora o melhor de cada um, porque sem crise todo vento é uma carícia. Falar da crise é promovê-la,e calar-se na crise é exaltar o conformismo. Em vez disto, trabalhemos duro. Acabemos de uma vez com a única crise ameaçadora, que é a tragédia de não querer lutar para superá-la."

Não há o que comentar sobre as considerações de um gênio da humanidade, mas ressalto a colaboração para esse post de um expoente do mundo científico europeu, que ma enviou. Agradeço a esse amigo, cujo nome não menciono porque não lhe pedi licença, por me ter enviado essa reflexão de um ser nascido em 1879 e que de tanta lucidez tem o dom de nos dar consolo, sacudir nossas virtudes e nos conclamar à luta, seja ela, externa ou interior. Lutemos.

Que assim se faça!

terça-feira, setembro 01, 2009

Mário Quintana

O tempo

A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando de vê, já é sexta-feira!
Quando se vê, já é natal...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê passaram 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado...
Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas...
Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo...
E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo. Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.
A única falta que terás será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.



Mário Quintana

domingo, agosto 23, 2009

Clarice Lispector

"Minha alma tem o peso da luz. Tem o peso da música. Tem o peso da palavra nunca dita, prestes quem sabe a ser dita. Tem o peso de uma lembrança. Tem o peso de uma saudade. Tem o peso de um olhar. Pesa como pesa uma ausência. E a lágrima que não se chorou. Tem o imaterial peso da solidão..."
(Clarice Lispector)

domingo, agosto 02, 2009

Canção Mínima

borb_ azul linda

No mistério do sem-fim
equilibra-se um planeta.

E, no planeta, um jardim,
e, no jardim, um canteiro;
entre o planeta e o sem-fim,
no canteiro uma violeta,
e, sobre ela, o dia inteiro,
a asa de uma borboleta


Cecília Meireles - Dois Cânticos e uma Canção

quarta-feira, julho 29, 2009

Promessa

Freud e Jung.

Fonte: Blog do Fabrízio

"Tenho ainda uma viva lembrança de Freud me dizendo: "Meu caro Jung, prometa-me nunca abandonar a teoria sexual. É o que importa, essencialmente! Olhe, devemos fazer dela um dogma, um baluarte inabalável!." Ele dizia isso cheio de ardor. Como um pai diz ao filho: "Prometa-me uma coisa, meu caro filho: vá todos os domingos à igreja!" Um tanto espantado perguntei-lhe: "Um baluarte contra o quê?" Ele respondeu-me: "Contra a onda de lodo negro do...". Aqui ele hesitou um pouco e acrescentou: "...do ocultismo!" O que me alarmou em primeiro lugar foi o "baluarte" e o "dogma"; um dogma, isto é, uma profissão de fé indiscutível surge apenas quando se pretende esmagar uma dúvida, de uma vez por todas. Não se trata mais de um julgamento científico, mas revela somente uma vontade de poder pessoal."

Jung, C.G. Memórias, sonhos, reflexões, pag. 136

sexta-feira, junho 19, 2009

Chico 65

Hoje, dia 19 de junho, Francisco Buarque de Hollanda completa 65 anos.
Parabéns ao poeta, ao músico, ao escritor!


Verbalizando

Verbos Novos e Horríveis

(Ricardo Freire)

Não, por favor, nem tente me disponibilizar alguma coisa, que eu não quero. Não aceito nada que pessoas, empresas ou organizações me disponibilizem.

É uma questão de princípios. Se você me oferecer, me der, me vender, me emprestar, talvez eu venha a topar. Até mesmo se você tornar disponível, quem sabe, eu aceite. Mas, se você insistir em disponibilizar, nada feito.

Caso você esteja contando comigo para operacionalizar algo, vou dizendo desde de já: pode ir tirando seu cavalinho da chuva. Eu não operacionalizo nada para ninguém e nem compactuo com quem operacionalize. Se você quiser, eu monto, eu realizo, eu aplico, eu ponho em operação. Se você pedir com jeitinho, eu até implemento, mas operacionalizar, jamais.

O quê? Você quer que eu agilize isso para você? Lamento, mas eu não sei agilizar nada. Nunca agilizei. Está lá no meu currículo: faço tudo, menos agilizar. Precisando, eu apresso, eu priorizo, eu ponho na frente, eu dou um gás. Mas agilizar, desculpe, não posso, acho que matei essa aula.

Outro dia mesmo queriam reinicializar meu computador. Só por cima do meu cadáver virtual. Prefiro comprar um computador novo a reinicializar o antigo. Até porque eu desconfio que o problema não seja assim tão grave.

Em vez de reinicializar, talvez seja o caso de simplesmente reiniciar, e pronto.

Por falar nisso, é bom que você saiba que eu parei de utilizar. Assim, sem mais nem menos. Eu sei, é uma atitude um tanto radical da minha parte, mas eu não utilizo mais nada. Tenho consciência de que a cada dia que passa mais e mais pessoas estão utilizando, mas eu parei. Não utilizo mais.

Agora só uso. E recomendo. Se você soubesse como é mais elegante, também deixaria de utilizar e passaria a usar.

Sim, estou me associando à campanha nacional contra os verbos que acabam em "ilizar". Se nada for feito, daqui a pouco eles serão mais numerosos do que os terminados simplesmente em "ar". Todos os dias, os maus tradutores de livros de marketing e administração disponibilizam mais e mais termos infelizes, que imediatamente são operacionalizados pela mídia, reinicializando palavras que já existiam e eram perfeitamente claras e eufônicas.

A doença está tão disseminada que muitos verbos honestos, com currículo de ótimos serviços prestados, estão a ponto de cair em desgraça entre pessoas de ouvidos sensíveis.

Depois que você fica alérgico a disponibilizar, como vai admitir, digamos, "viabilizar" ?

É triste demorar tanto tempo para a gente se dar conta de que "desincompatibilizar" sempre foi um palavrão. Precisamos reparabilizar nessas palavras que o pessoal inventabiliza só para complicabilizar.

Caso contrário, daqui a pouco nossos filhos vão pensabilizar que o certo é ficar se expressabilizando dessa maneira. Já posso até ouvir as reclamações:

"Você não vai me impedibilizar de falabilizar do jeito que eu bem quilibiliser" .

Problema seu. Inclua-me fora dessa.

(Ricardo Freire)

sexta-feira, maio 22, 2009

Zé Rodrix

"Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa compor muitos rocks rurais
E tenha somente a certeza
Dos amigos do peito e nada mais
Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa ficar no tamanho da paz
E tenha somente a certeza
Dos limites do corpo e nada mais
Eu quero carneiros e cabras
Pastando solenes no meu jardim
Eu quero o silêncio das línguas cansadas
Eu quero a esperança de óculos
E um filho de cuca legal
Eu plantar e colher com a mão
A pimenta e o sal
Eu quero uma casa no campo
Do tamanho ideal, pau-a-pique e sapê
Onde eu possa plantar meus amigos
Meus discos e livros e nada mais"

Homenagem a Zé Rodrix,
falecido nesta sexta, 22.05.2009, aos 61 anos.

(1947-2009)

quarta-feira, maio 20, 2009

Fosse como fosse...

Jânio Quadros foi uma “figura”!

De colega para colega

Fonte: Claudio Humberto

Foto

O livro "Luz... Câmera... Jânio Quadros em Ação" (Panorama, SP, 128 pp.), de Nelson Valente, conta histórias deliciosas sobre o ex-presidente, que governava por bilhetinhos e até pilotava o aparelho de telex que ligava o seu gabinete, no Palácio do Planalto, aos dos ministros. Ele adoraria a era do e-mail. Certa vez, ele usou o telex para chamar um auxiliar. A resposta:
- Prezado colega. Não há mais ninguém aqui.
- Obrigado, colega. Jânio Quadros.
- De nada. Às ordens. John Kennedy - encerrou o desconhecido.

terça-feira, maio 12, 2009

133 anos depois...

Capa As Farpas'As Farpas' de Eça de Queirós
133 anos depois...

«O país perdeu a inteligência e a consciência moral.

Os costumes estão dissolvidos, as consciências em debandada, os
caracteres corrompidos.

A prática da vida tem por única direcção a conveniência.

Não há princípio que não seja desmentido.

Não há instituição que não seja escarnecida.

Ninguém se respeita.

Não há nenhuma solidariedade entre os cidadãos.

Ninguém crê na honestidade dos homens públicos.

Alguns agiotas felizes exploram.

A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia.

O povo está na miséria.

Os serviços públicos são abandonados a uma rotina dormente.

O Estado é considerado na sua acção fiscal como um ladrão e tratado como um inimigo.

A certeza deste rebaixamento invadiu todas as consciências.

Diz-se por toda a parte: o país está perdido!»

Isto foi escrito em 1871, por Eça de Queirós, no primeiro número de "As Farpas"

domingo, maio 10, 2009

Olha o olho da menina

menina 2

Menina crescia escutando
que não adiantava mentir
porque mãe sempre sabia


menina 3



Mãe dizia que lia na testa da Menina,
e que só Mãe
sabia ler testa.


menina 4

Menina tentava
tapar a testa com a mão
na hora de mentir.
Mãe achava graça. Muita graça.
E continuava lendo assim mesmomenina 5.


Menina precisava entender
como essa coisa misteriosa acontecia.
No espelho do banheiro,
mentia muito em silêncio.
E na testa, nada escrito!

menina 6


Aí, Menina descobriu
que Mãe também mentia.
E que então não era testa
- era o olho, com um brilho diferente - que entregava a mentira.


menina 7


Menina então tentava
fechar o olho com força,
para esconder a Mentira.
Mas nem isso resolvia,
pois Mãe sempre adivinhava.


menina 1

Menina tinha era que aprender
a fingir de olho aberto
que mentira era verdade.
Menina tentou, tentou...
e aprendeu.
Era essa a solução.



Mas de noitemenina 8
Menina ficava apertada por dentro.
Assim meio sufocada,
não podia nem piscar.
Com o olho muito aberto,
não conseguia dormir.


menina 9


Faltava ar pra Menina.
Igual quando a gente fica
quase sem respirar
rindo de uma cosquinha.
Só que não tinha graça.



Menina - sem querer - menina 10
tinha descoberto a Consciência,
uma coisa que toma conta da gente
mesmo quando Mãe
não está lendo testa,
nem adivinhando olho

menina 20


Menina tinha aprendido
que ter que fingir doía.
E que desse jeito
ia ficar muito sem graça
ser gente grande.
Menina desistiu de crescer


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Mas não adiantava.
Menina via que agora
já estava quase da altura
do móvel da sala da vovó.
E ficava muito triste,
o aperto apertando mais.

menina 12



E de tanto que o aperto apertava,
Menina achou que fingir
só podia doer tanto
porque era dor sozinha.


menina 13


A idéia da Menina
foi dizer para Mãe
que era difícil fingir.
Menina achava ruim
aprender montes de coisas
sem dividir com ninguém.

menina 14



Menina falou pra Mãe
que era muito complicado
e que não era nada bom
ter que crescer sozinha.

menina 15




Mãe abraçou
muito apertado a Menina.
E no colo tão esperado
Menina estava sendo mãe da Mãe.



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Menina sentiu que mãe estava chorando. E que Mãe
ainda não tinha aprendido tudo.



menina 17

Mãe não falava nada
Mas uma e outra sabiam
naquele abraço apertado
que em Mãe também doía
ser gente grande sozinha.




Nessa hora
Menina entendeu tudinho.
Descobriu que só carinho
é que espanta a solidão.
E que dor, se dividida,
fica dor menos doída.

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menina 19













E que ai, dá até vontade de continuar a crescer para descobrir o resto das coisas.



Texto de Marisa Prado - Ilustrado por Ziraldo

*

Que o seu dia das Mães seja um dia de Menina dos olhos.
Sua benção minha Mãe.


sábado, maio 02, 2009

Carta de Amor

Dizem que amor é sintonia, é busca, é compartilhar, é ser cúmplice, é fazer feliz...

Eu escrevo essas linhas justamente com esse objetivo, preciso falar de amor, preciso falar do meu amor por você, preciso tirar do meu peito essa angústia por tudo que vivi e deixei de viver.

Nós sabemos que eu te devo desculpas por tanta coisa...
Pelas vezes que pensando nos outros esqueci de você, te deixei em segundo plano, pedi aos seus sonhos para esperar.

Pelos seus projetos que eu deixei de ouvir, pela vida que passava diante dos seus olhos, mas não era vivida,

Pelas lágrimas que já permiti que nos seus olhos rolassem, pelas lágrimas que não rolaram, mas corroeram por dentro,
Por ter te deixado tão cega a ponto de não enxergar a realidade a sua volta,

Pelas noites sem dormir que te deixei passar, perdida em pensamentos, dores, aflição, agonia e revolta...

Por todas as pessoas que te fiz acreditar ser melhor que você e não eram,
Por todos os sofrimentos, por essas feridas que sangram e que agora mesmo eu querendo curar já estão abertas,

Por te fazer acreditar que a sua felicidade estava nas mãos de outro alguém quando na realidade nós sabemos que ela sempre esteve nas suas...

Só agora eu consigo perceber que eu não te valorizei tanto quanto deveria, não te fiz tão feliz quanto podia, não arranquei dos seus lábios tantos sorrisos quanto você merecia, não curti a sua companhia tanto quanto quis e te magoei ao tentar buscar nas outras pessoas o que já havia encontrado em ti,

Eu te amo muito, agora, sempre e não prometo amar por toda a minha vida a você somente, mas colocar sempre o nosso amor em primeiro lugar, acima de tudo e de todos, pois só agora eu consigo entender que fui tolo ao achar que solidão é estar sozinho e não estar no meio de uma multidão perdido de mim.

Ass: Eu

No envelope da carta estava escrito:

Remetente: Eu
Destinatário: Eu mesmo

(recbido sem autoria)

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