"Deus me respeita quando eu trabalho. Mas me ama quando eu canto."

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quinta-feira, junho 02, 2011

Se proteger de jornalistas

Dicas para o homem comum, o classe-média, não ser vítima do bullying jornalístico


Por Reinaldo Azevedo


Dei em outro post algumas dicas para alguns especialistas que navegam na contra-corrente da metafísica influente (e, pois, quase sempre com a verdade) se proteger do jornalismo que os quer usar apenas como o “outro lado” que justifica uma tese. estúpida. E prometi algumas orientações para que também o homem comum possa se proteger de jornalistas. Preciso explicar algumas coisas, claro! O que chamo “homem comum” é aquele coitado de classe média que subiu um tantinho na vida e pode, inadvertidamente, topar com um desses amigos do povo que estão fazendo reportagem de comportamento e tendência para as edições de domingo. Então vamos ver.

Leitor, você é aquele ser desprezível que mora num bairro bom; que ganha a vida com o suor do seu rosto; que tem prazer em andar num carro bacana porque, afinal, fez por merecer; que se esforça para manter os filhos numa boa escola; que junta uma grana para viajar para o exterior a cada três, quatro anos e que NÃO TEM EMPRÉSTIMO SUBSIDIADO DO BNDES? Cuidado! O amigo pode ser vitima do bullying da imprensa esquerdopata, de  um golpe conhecido como “Boa Noite, Laura!”, que é a variante jornalística do “Boa Noite, Cinderela”. Quando acordar, já lhe levaram a reputação.

E quando isso ocorre? Sempre que houver alguma questão que sugira um confronto entre ricos e pobres. Sim, querido leitor de classe média:  os “ricos”, para essa turma, não são aqueles milionários ou bilionários que estão à sua esquerda e financiam as ONGs verdes e socialistas e votam no PT. Esses são “companheiros”. O inimigo público do pobre é… VOCÊ! Quando aquela figura estranha encostar de bloquinho na mão perguntando sobre o incômodo de os mendigos usarem a praça como dormitório, diga que “não”. Poderiam até dormir na sala do seu apartamento; é que falta espaço… Ouse: “Dormir ao relento é um dos direitos que igualam ricos a pobres, já que as moradias confortáveis não podem igualá-los”. Repita o raciocínio, que tem alguma complexidade, porque a pessoa que o entrevista não entendeu direito.

Cuidado nos aeroportos! O golpe “Boa Noite, Laura” vai tentar saber, como quem não quer nada, se você não sente saudade do tempo em que as salas de embarque eram menos cheias e se cumpriam, quase sempre, os horários. Um ser normal diria “sim”, e isso seria tomado como evidência de seu preconceito contra o povo, que agora anda de avião. Poetize:  não há conforto que pague a alegria da comunhão de classes — a B, a C e a D, já que a “A” não responde a esse tipo de indagação porque tem avião ou aluga jatinho.  Tente outra frase de efeito: “Já que, infelizmente, são tantas as desigualdades na terra, que, ao menos, o céu nos faça a todos iguais”. Repita.  Ela não entendeu de novo. Ensaie uma análise que apele à infraestrutura: “Precisamos de mais investimento neste novo Brasil”.

A praia também o expõe ao bullying jornalístico. Nunca dispare coisas como “Farofeiro enche o saco!” ou “Porra! Por que eles não tocam essa música na praia que os pariu?!” Isso tem cheiro de intolerância de classe. A professora Heloísa Ramos poderia até ver uma variante do “preconceito lingüístico”. Conceda que o som é até bem animado e que o funk da cachorra, da cadela e da vaca tem a sua poesia. Seja enigmático:  Tati Quebra-Barraco é mais complexa do que parece. E pare por aí porque também não é bom exagerar.

Se quiserem meter uma estação de metrô na porta do seu prédio, afirme que isso é bom, que essa história de propriedade é uma etapa superada da civilização; que você acredita na “função social da propriedade, à qual a nossa Constituição se refere seis vezes, lembra?” A pessoa fará de conta que sabe do que se trata. Por conseqüência,  o MST é um movimento justo e pacífico, e o certo é haver invasões de propriedades privadas urbanas também.

Se lhe perguntarem se há empregada doméstica em sua casa, responda como Marilena Chaui fez um dia: “Não, querida(o), eu não levo a luta de classes pra dentro de casa”. Com aquela resposta, ela evidenciava não saber o que é “luta de classes” nem na acepção marxista, mas o jornalista que vai entrevistá-lo, com certeza absoluta, também não sabe.  Citar Marilena pega bem.

Se o indagarem sobre cotas raciais nisso e naquilo, ainda que você seja um ser humano normal, desses democratas que acreditam que todos devem ser iguais perante a lei, minta. Afirme que o caminho mais curto para a igualdade é promover a desigualdade. Se quiser, pode até apelar a alguns ministros do Supremo, que andam dizendo que é preciso tratar desigualmente os desiguais.

Eu poderia passar a noite aqui a dar dicas. Os temas são inesgotáveis. Sob nenhuma hipótese revele gostos e hábitos de consumo, por exemplo. Se disser que gosta de tomar um Prosecco de vez em quando, vão tratá-lo como um cafona pretensioso e ignorante, porque quem é do riscado tem dinheiro é para tomar champanhe de… Champagne!  Não sendo um daqueles contemplados com juros subsidiados do BNDES, petistas roxos, eventuais contratantes dos serviços de consultoria de Antonio Palocci, você não tem dinheiro para certas extravagâncias.

Bem, queridos,  a essa altura, o agente do “Boa Noite, Laura!” está furioso porque a pauta está caindo, e domingo é dia de publicar essas matérias mais descontraídas, de comportamento e tendências. Terão de pegá-lo de algum jeito. Eu os protegi até aqui da pecha de “reacionários”. Nervoso, o ser que o entrevista tentará em seguida provar que, bem…, algum dinheiro você ganhou, mas é um ignorante! Aí virá a tentativa para desqualificá-lo intelectualmente. Mas esse terá de ser outro post.

quarta-feira, maio 18, 2011

A fotógrafa

Um curta de cerca de 5 minutos. 


"O "suicídio" moral da humanidade ao esquecer a ética para chegar à estética. Que cada um de nós tire suas próprias conclusões deste que bem poderia ser um documento muito representativo sobre aquilo no qual temos nos convertido."
clique sobre a imagem para assistir

quinta-feira, maio 05, 2011

Sila Sahin, a mulçumana despida


Pela primeira vez na história, uma muçulmana aceitou fazer capa da revista erótica mais conhecida no mundo, a "Playboy".


Inspirado em: The Passira News

Sila Sahin está a correr a imprensa internacional, a modelo turca, capa da "Playboy" de maio alemã, desafiou a cultura muçulmana ao posar nua para a revista. Nunca uma muçulmana o tinha feito.

Num mundo onde não usar véu é visto como uma afronta e pode significar um castigo para as mulheres, ao posar nua Sila Sahin foi mais longe. A família não gostou e já cortou relações com a modelo, que tem sido alvo de duras críticas da comunidade muçulmana em geral.

Na Alemanha, Sila Sahin já era conhecida antes desta capa, depois de ter participado numa telenovela, mas ninguém estava a espera que a modelo fosse tão longe, tendo em conta as suas origens.

Fonte: Pendura

terça-feira, abril 26, 2011

Ontem: Requião, o destemperado :((

Tu sabe com quem tu tá falando? SEI, SIM ...


...  é um dos sujeitos que eu pago para trabalhar pouco, ganhar muito, e ainda pensa que não me deve satisfações.
 
 

Leia matéria de  Jurema Cappelletti 
 

terça-feira, março 01, 2011

Natalie Portman repudia comentários de Galliano

A atriz Natalie Portaman, que venceu o Oscar de melhor atriz por “Cisne Negro”, divulgou um comunicado na noite desta segunda-feira (28) em que se desaprovava a conduta de John Galliano, diretor criativo da Christian Dior. O estilista enfrenta acusações de racismo em Paris. Na segunda, o tablóide britânico “The Sun” divulgou imagens de Galliano, alcoolizado, em que dizia “eu amo Hitler”, no mesmo café em que teria proferido insultos antissemitas a um casal.

“Estou profundamente chocada e enojada pelo vídeo com comentários de John Galliano divulgado hoje. À luz deste vídeo, e como uma pessoa que tem orgulho de ser judia, eu não serei associada ao Sr. Galliano de maneira alguma. Espero que ao menos estes terríveis comentários nos lembrem de refletir e combater estes preconceitos que ainda existem e são o oposto de tudo o que é belo”, disse a atriz

Natalie apareceu a cada intervalo da cerimônia do Oscar, no domingo, em comercial do perfume Miss Dior Chérie.
entre nos Natalie Portman A atriz Natalie Portman aparece na primeira foto da campanha do perfume Miss Dior Chérie, um dos clássicos da maison francesa
Fonte: uol

quarta-feira, janeiro 13, 2010

Jornal espanhol El País elege Lula como um dos 5 maiores hipócritas de 2009

Cinco hipócritas de 2009

MOISÉS NAÍM

Repasar algunas de las más flagrantes hipocresías de los poderosos del mundo es aleccionador. Revela tendencias globales, las contradicciones de moda y las vulnerabilidades de las élites. Es por esto por lo que decidí ofrecerles mi muy personal y subjetiva lista de algunos de los grandes hipócritas de 2009.

1. Los banqueros. En todas las reuniones de banqueros se respira un aire de profunda admiración al mercado y desprecio al Estado. En 2009 los mismos banqueros que tanto desdén suelen mostrar por Gobiernos y funcionarios públicos corrieron a buscar su cobijo. Y el Estado los salvó. A pesar de esto los banqueros aún no aprenden. Su convicción de que los Gobiernos no pueden hacer nada bien es tal que tampoco imaginaron que, gracias a la eficaz respuesta de muchos Gobiernos, la catástrofe duraría menos y no tendría las consecuencias que ellos anticipaban. Quizás por esto ya están de nuevo cantando loas a la eficiencia de los mercados y criticando a los Gobiernos que los rescataron.

2. Tony Blair. Recientemente, el ex primer ministro británico reiteró su profunda repulsión por los dictadores. Explicó que aunque Sadam Husein no hubiese tenido armas de destrucción masiva se justificaba la guerra ya que era una dictadura inaceptable que debía ser derrocada. Esto ocurrió pocos días después de que Blair se reuniera en Azerbaiyán con su dictador Ilham Aliyev. En su visita a Azerbaiyán el líder británico no hizo ningún comentario sobre las reiteradas violaciones a los derechos humanos atribuidas a su cordial anfitrión. Es que, como informa Josh Keating, el propósito de su viaje era otro: dar un bien remunerado discurso en la empresa del empresario más rico del país (sorpresa: el empresario es un buen amigo del dictador).

3. Los galanes del Partido Republicano estadounidense. "Adoro tu bronceada piel, las curvas de tus caderas y la belleza erótica de tu porte...". Esto escribió Mark Sanford a "su mejor amiga" en Argentina. La razón por la cual la correspondencia íntima del señor Sanford terminó en la prensa no es por su calidad literaria, sino porque es el muy conservador y muy casado gobernador de Carolina del Sur. Sus estridentes denuncias contra la "inaceptable conducta de Bill Clinton" aún retumban en el Congreso estadounidense. Al igual que las del senador John Ensign, quien vivió un tórrido romance con la esposa de su jefe de gabinete. No pasa un mes sin que estalle un escándalo sexual que involucre a poderosos paladines de la moralidad, la familia y el matrimonio, quienes regularmente truenan en televisión contra infieles, promiscuos y homosexuales. Y no son sólo los galanes, también están las divas. Sarah Palin proclama la abstinencia sexual como única manera de evitar el embarazo de las adolescentes, mientras que en su propia casa la abstinencia brilla por su ausencia. Lo que galanes y divas hagan con su vida privada no importa. Importa que sus votos, sus decisiones y sus discursos crean un ambiente para todos los demás que es absolutamente contradictorio con su conducta.

4. Los magistrados británicos que dictaron la orden de arresto a Tzipi Livni. La ex ministra de Exteriores de Israel es acusada de crímenes de guerra ocurridos en el conflicto entre Hamás e Israel en Gaza. ¿Qué tiene Tzipi Livni que no tenga, por ejemplo, Vladímir Putin (véase Chechenia)? ¿Y por qué no ordenaron los magistrados el arresto de Angela Merkel, cuyos aviadores militares bombardearon a un grupo de civiles en Afganistán matándolos a todos? ¿Por qué no ordenaron el arresto de Bush, Blair y Obama por los miles de civiles inocentes muertos en Irak y Afganistán? El controvertido informe Goldstone sobre la guerra en Gaza acusó tanto a Israel como a Hamás de crímenes de guerra. ¿Por qué no merecen los líderes de Hamás la misma orden de captura que recibió la ex ministra israelí?

5. Lula da Silva. El presidente de Brasil ha declarado que Hugo Chávez es el mejor presidente de Venezuela en 100 años. Pero nunca hemos oído a Lula decir algo sobre las conductas autoritarias de su amigo venezolano. Sí lo hemos visto, en cambio, atacando furiosamente las recientes elecciones en Honduras. Lo hizo la misma semana que recibió con honores a Mahmud Ahmadineyad, cuya victoria electoral también es cuestionada. ¿Qué tienen las elecciones en Irán que no tuvieron las de Honduras? Un enorme fraude, muertes, torturas y la brutal represión ordenada por el Gobierno de Ahmadineyad. El afable líder brasileño aún no parece haberse enterado.

Obviamente, en esta lista de hipócritas no están todos los que merecerían estar. Faltan muchos. Envíeme sus sugerencias a mnaim@elpais.es. Vuelvo en enero. ¡Feliz año!

Sobre Lula – Tradução Google:

5. Lula da Silva. O presidente do Brasil afirmou que Hugo Chávez é o melhor presidente da Venezuela, em 100 anos. Mas nós nunca ouviu dizer nada sobre Lula comportamento autoritário de seu amigo venezuelano. Sim, nós temos visto, no entanto, furiosamente atacar as recentes eleições em Honduras. Ele fez a mesma semana, ele recebeu com honras, Mahmoud Ahmadinejad, cuja vitória eleitoral também é questionada. O que as eleições no Irã não têm aqueles em Honduras? A fraude em massa, assassinatos, tortura e da brutal repressão ordenada pelo governo de Ahmadinejad. O líder afável brasileira ainda não parece ter ouvido.

Fonte: elpais

segunda-feira, janeiro 11, 2010

Roteiro para o autoritarismo

Editorial de O Estado de S Paulo- 10 de janeiro

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou em dezembro um roteiro para a implantação de um regime autoritário, com redução do papel do Congresso, desqualificação do Poder Judiciário, anulação do direito de propriedade, controle governamental dos meios de comunicação e sujeição da pesquisa científica e tecnológica a critérios e limites ideológicos. Tudo isso está embutido no Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3), instituído pelo Decreto nº 7.037, de 21 de dezembro- o tal decreto que, acredite quem quiser, o presidente disse que assinou sem ler.

O programa, um calhamaço de 92 páginas, é um assustador arremedo de constituição. Recobre assuntos tão variados quanto a educação, os serviços de saúde, a Justiça, as condições de acesso e de preservação da propriedade, as decisões de plantio dos agricultores, a atividade legislativa, as funções da imprensa e o sentidodo desenvolvimento.
A apuração das violências cometidas pelos agentes do regime militar e a revogação da Lei da Anistia são apenas uma parte desse programa - a mais divulgada, até agora, por causa da reação dos comandantes militares à redação inicial do decreto. Mas o maior perigo não está nos detalhes, e sim no objetivo geral dessa manobra articulada no Palácio doPlanalto: a consolidação de um populismo autoritário sustentado na relação direta entre o chefe do poder e as massas articuladas em sindicatos, comitês e outras organizações "populares".

Tal como seu colega Hugo Chávez, o presidente Lula propõe a valorização de instrumentos como "lei de iniciativa popular, referendo, veto popular e plebiscito". É parte do populismo autoritário a conversãode formas excepcionais de consulta em meios normais de legislação. Usurpa-se o poder de legislar sem ter de recorrer a um golpe aberto. Da mesma forma, a multiplicação de "conselhos de direitos humanos", com ação coordenada "nas três esferas da Federação", reproduz a velha ideia de comitês populares tão cara às ditaduras.

Consumada a mudança, um juiz não mais poderá simplesmente determinar a reintegração de posse de um imóvel invadido. O governopropõe "institucionalizar a utilização da mediação como ato inicial das demandas de conflitos agrários e urbanos, priorizando a realização de audiência coletiva com os envolvidos, com a presença do Ministério Público, do poder público local, órgãos públicos especializados e Polícia Militar". Em outras palavras: esqueça-se a Constituição, negue-se ao juizo poder de garantir a propriedade e converta-se o invasor em detentor de direitos sobre o imóvel invadido.

Combater essa aberração não interessa apenas a fazendeiros e proprietários. A questão essencial não é o conflito entre ruralistas e defensores da reforma agrária a qualquer custo, mas a depreciação da lei e do Judiciário tal como deve operar no Estado de Direito. Nada ficará fora do controle do assembleísmo. É parte do programa "fomentar o debate sobre a expansão de plantios de monoculturas que geram impacto no meio ambiente e na cultura dos povos e comunidades tradicionais, tais como eucalipto, cana-de-açúcar, soja", etc.

A criançada ficará sujeita, nas escolas, a uma instrução sobre direitos humanos moldada segundo os interesses do regime e apresentada muitoclaramente no decreto. O controle sobre as mentes não poderá dispensar o comando dos meios de comunicação. Se as leis propostas forem aprovadas, o governo poderá suspender programações e cassar licenças de rádios e de televisões, quando houver "violações" de direitos humanos. Será criado um ranking nacional de veículos de comunicação, baseado em seu "comprometimento" com os direitos humanos. Ogoverno também deverá incentivar a produção de filmes, vídeos, áudios e similares voltados para a educação sobre direitos humanos e para a reconstrução "da história recente do autoritarismo no Brasil". Será um autoritarismo cuidando da história de outro.

As intenções políticas são claras, embora escritas numa linguagem abstrusa. Em todo o texto há expressões do tipo "fortalecimento dos direitos humanos como instrumento transversal das políticas públicas e de interação democrática". Essa patacoada deverá servir de bandeira na campanha da candidata petista à Presidência. Em 2002, esse era o programa do PT. Para se eleger, o candidato Lula teve de renegá-lo em sua "Carta aos brasileiros". Mas não renegou, como se vê mais uma vez, o sonho de "mudar tudo isso que está aí".

*

Como se pode ver, o país, a democracia, todos nós, corremos grande perigo e o Filho do demo não cansa de mostrar suas garras.

quinta-feira, janeiro 07, 2010

Revista “Cruzeiro” , ano I, número 1

Editorial em 10 de novembro de 1928

Depomos nas mãos do leitor a mais moderna revista brasileira. Nossas irmãs mais velhas nasceram por entre as demolições do Rio colonial, através de cujos escombros a civilisação traçou a recta da Avenida Rio Branco: uma recta entre o passado e o futuro. Cruzeiro encontra já, ao nascer, o arranha-céo, a radiotelephonia e o correio aéreo: o esboço de um mundo novo no Novo Mundo. Seu nome é o da constelação que, ha milhões incontaveis de annos, scintila, aparentemente immovel, no céo austral, e o da nova moeda em que resuscitará a circulação do ouro. Nome de luz e de opulencia , idealista e realistico, synonymo de Brasil na linguagem da poesia e dos symbolos.

Timbre de estrellas na bandeira da Patria, o cruzeiro foi, desde o primeiro dia da sua historia, um talisman. Nas solidões do mar, era o fanal nocturno dos navegantes. Vera Cruz, Santa Cruz, foram os nomes sacros que impuzeram á terra nova os nautas-cavalleiros na semana mystica do descobrimento. A armada descobridora apontara á vista dos íncolas attonitos, com as vermelhas cruzes pintadas na pojadura palpitante das vélas. Na terra paradisíaca, por onde Eva andava na verde floresta mais nua do que anda hoje nas praias fulvas de Copacabana, arvorou-se em signal de posse uma cruz, em memoria daquella outra em que um Homem divino fôra crucificado no reinado do lascivo Tiberio. Volvidos quatro seculos, a bandeira nacional recolhia num losangulo de céo a constelação tutelar, restaurando na linguagem dos symbolos o nome do baptísmo de 1500. Cruzeiro é um título que inclue nas suas tres syllabas um programma de patriotismo.

ø

Uma revista, como um jornal, terá de ter, forçosamente, um caracter e uma moral. De um modo generico: princípios. Dessa obrigação não estão isentas as revistas que se convencionou apelidar de frívolas. A funcção da revista ainda não foi, entre nós, sufficientemente esclarecida e comprehendida. Em paíz da extensão desconforme do Brasil, que é uma amalgama de nações com uma só alma, a revista reune um complexo de possibilidades que, em certo sentido, rivalisam ou ultrapassam as do jornal. O seu raio de acção é incomparavelmente mais amplo no espaço e no tempo. Um jornal está adstricto ás vinte e quatro horas de sua existencia diaria. Cada dia o jornal nasce e fenece, para renascer no dia seguinte. É uma metamorphose consecutiva. O jornal de hontem é já um documento fóra de circulação: um documento de archivo e de bibliotheca. O jornal dura um dia. Essa existencia, tão intensa como breve, difficulta os grandes percursos. É um vôo celere e curto. O jornal é a propria vida. A revista é já um compendio da vida. A sua circulação não está confinada a uma area traçada por um compasso cujo ponteiro movel raro pôde exceder um círculo de raio superior á distancia maxima percorrivel em vinte e quattro horas. A revista circula desde o Amazonas ao Rio Grande do Sul, infiltra-se por todos os municipios, utilisa na sua expansão todos os meios de conducção terrestre, maritima, fluvial e aérea; entra e permanece nos lares; é a leitura da familia e da visinhança. A revista é o estado intermedio entre o jornal e o livro.

ø

Por isso mesmo que o campo de acção da revista é mais vasto, a sua interpretação dos acontecimentos deve subordinar-se a um criterio muito menos particularista do que o do jornal. Um jornal póde ser um órgão de um partido, de uma facção, de uma doutrina. Uma revista é ums instrumento de educação e de cultura: onde se mostrar a virtude, animá-la; onde se ostentar a belleza, admirá-la; onde se revelar o talento, applaudi-lo; onde se empenhar o progresso, secundá-lo. O jornal dá-nos da vida a sua versão realista, no bem e no mal. A revista redu-la á sua expressão educativa e esthetica. O concurso da imagem é nella um elemento preponderante. A cooperação da gravura e do texto concede á revista o privilegio de poder tornar-se obra de arte. A politica partidaria seria tao incongruente numa revista do modelo de Cruzeiro como num tratado de geometria. Uma revista deve ser como um espelho leal onde se reflecte a vida nos seus aspectos edificantes, attraentes e instructivos. Uma revista deverá ser, antes de tudo, uma escola de bom gosto.

ø

Porque é a mais nova, Cruzeiro é a mais moderna das revistas. É este o título que, entre todos, se empenhará por merecer e conservar: ser sempre a mais moderna num paiz que cada dia se renova, em que o dia de hontem já mal conhece o dia de amanhã; ser o espelho em que se reflectirá, em periodos semanaes, a civilisação ascensional do Brasil, em todas as suas manifestações; ser o commentario multiplo, instantaneo e fiel dessa viagem de uma nação para o seu grandioso porvir; ser o documento registrador, o vasto annuncio illustrado, o film de cada sete dias de um povo, eis o programma de Cruzeiro.

É pelo habito de modelar o barro que se chega a bem esculpir o marmore. Esta revista será mais perfeita, mais completa, mais moderna amanhã do que é hoje.

Capa da primeira ediçãocruzeirocap01

Fonte: Memória Viva

terça-feira, janeiro 05, 2010

Perfeira a frase de Millôr!


"De indignidade em indignidade

você acaba alto dignitário"



O novo ano deve ser excepcional para o Brasil

Faça com que ele seja extraordinário também para você

bom 2010

Um bom espírito ronda o Brasil. Não é o Papai Noel, mas pode ser um seu parente. O país parece encantado, de tão certas as coisas vêm saindo. Empresários nacionais e estrangeiros apontam o Brasil como um dos locais mais promissores para fazer negócios, analistas internacionais recomendam investir aqui, ganhamos o direito de sediar a Copa do Mundo e as Olimpíadas, passamos (pelo menos relativamente) bem pela maior crise mundial das últimas sete décadas. Aos olhos do mundo, voltamos a ser um paraíso: nosso presidente é “o cara”, nossa moeda está cara, nossas mazelas estão sendo curadas. Há exageros nessa visão, é claro. Ao que tudo indica, o crescimento da economia em 2009 ficará perto do zero, e o governo abriu as torneiras de gastos de forma preocupante. Mas o quadro é tão otimista que dá a impressão de que o Brasil está em via de se tornar o país do presente, não mais do futuro. Até por causa do deslize de 2009, devemos crescer por volta dos 5% neste ano. O desemprego vai cair, o crédito vai aumentar, o consumo também.

Em nossa vida, isso se traduz basicamente em mais oportunidades. Haverá mais chances para entrar no mercado de trabalho, melhorar de emprego ou montar um negócio próprio. O clima de bem-estar econômico geralmente se espalha para outros aspectos da vida – corta fontes de estresse, permite planejar ações de médio e longo prazo e favorece a inovação.

Toda crise nos leva obrigatoriamente à reflexão. O momento de prosperidade imediatamente posterior a ela, em que as lições ainda estão frescas e já não há restrições à ação, costuma ser ideal para mudanças positivas. Que você transforme 2010 num ano excepcional, marcante. E feliz.

Fonte: Revista Época

quinta-feira, novembro 19, 2009

Cerceamento do direito de bem informar


O primeiro jornalista a sofrer cerceamento do direito de bem informar, em conseqüência dos seus verdadeiros, contundentes e procedentes comentários contra os desmandos do atual governo, foi o Boris Casoy. De acordo com o noticiário da época, ele foi demitido a pedido do próprio Lulla. Entretanto aos olhos dos menos atentos, a coisa vem se agravando de maneira avassaladora e perigosa, senão vejamos: O Programa do Jô, tirou do ar o quadro “As Meninas do Jô” que era apresentado às quartas feiras onde as jornalistas Lilian Wittifib, Ana Maria Tahan, Cristiana Lobo, Lúcia Hippólito e por vezes outras mais, traziam à público e debatiam todas as falcatruas perpetradas por essa corja de corruptos que se apossou do país. As entrevistas sobre temas políticos não têm sido mais levadas a efeito atualmente. Virou um programa de amenidades e sem qualquer brilhantismo. O jornalista Arnaldo Jabor, considerado desafeto pelo governo atual, vem sofrendo, de forma velada e sistemática, todo tipo retaliação. Já foi processado, condenado, amordaçado e por aí vai. Sua participação diária, às 07h10 na Rádio CBN tem se limitado a assuntos sem a relevância que tinha, haja vista que está impedido de falar sobre assuntos que envolvam a política nacional e o atual governo. A jornalista Lúcia Hippólito, que tinha uma participação diária, às 07h55 na Rádio CBN, não está mais ocupando o microfone da emissora como fazia e nenhum comunicado foi feito pelo âncora do horário, o jornalista Heródoto Barbeiro. Sorrateiramente, colocaram-na como âncora em outro horário, onde enfoca matérias mais amenas e sem a habitual, verdadeira e procedente contundência. Diogo Mainard, da Revista Veja, além de processado, vem sofrendo várias ameaças de morte por parte do jornal do MR-8 (que faz parte da base aliada ao Lula) e de integrantes dos chamados Movimentos Sociais. O jornal Estado de S. Paulo está sob censura governamental há 100 dias. Fidel Castro faz escola na América do Sul. O primeiro a colocar em prática estes ensinamentos, aniquilando o direito de imprensa foi Hugo Chaves, e pelo andar da carruagem Lula trilha o mesmo caminho. Dora Kraemer, no Estadão de Domingo: “Jabor faz parte de uma lista de profissionais tidos pelo Presidente Lula como desafetos e, por isso, passíveis de retaliação à medida que se apresentem as oportunidades.”

Fonte: e-mail

segunda-feira, novembro 16, 2009

CRIANÇA

Inimigo oculto

A maioria dos acidentes que envolvem crianças acontece em casa; ambiente precisa ser adaptado para prevenir quedas, intoxicações, afogamentos e queimaduras

Para a maioria dos pais, não há lugar mais seguro para as crianças do que sua própria casa. Mas não é bem assim. Um estudo feito pela ONG Criança Segura, em 2005, revelou que 55% dos acidentes que envolvem os pequenos ocorrem em casa e, geralmente, com um adulto por perto. As quedas são o tipo mais recorrente, em uma lista que inclui afogamentos, queimaduras e intoxicações.
Segundo outra pesquisa, do Sinitox (Sistema Nacional de Informações Toxico-Farmacológicas), da Fundação Oswaldo Cruz, 24% dos casos de intoxicação em 2007 atingiram crianças com menos de cinco anos -a maioria, em casa.
Os medicamentos são a principal ameaça desse grupo (36% dos casos), seguidos da ingestão acidental de produtos de limpeza (22,2%, sendo a água sanitária a maior vilã). "Ela está em todas as casas. Além disso, a criança pequena não tem o paladar totalmente apurado. Por isso, pode bebê-la tranquilamente", diz Rosany Bocher, responsável pelo estudo.
Produtos químicos, como ceras, agrotóxicos de uso doméstico (inseticidas) e animais peçonhentos, como os escorpiões, que geralmente ficam escondidos em roupas e sapatos, são outras ameaças. A intoxicação ocorre durante o esmagamento acidental do animal.

*Luca Furchinetti

Dose errada

Mãe de primeira viagem, a relações públicas Patrícia Furchinetti, 35, passou por duas experiências de intoxicação medicamentosa acidental com seu filho Luca, de nove meses.
Na primeira vez, quando o menino tinha cinco meses, Patrícia entrou no quarto da criança no escuro e, equivocadamente, administrou uma dose errada de antitérmico. "Teria que dar 0,7 ml e coloquei 7 ml, dez vezes mais."
No hospital, o caso foi informado ao Ceatox (Centro de Assistência Toxicológica). "Foi horrível, fiquei superconstrangida com a situação", afirma. O bebê teve alta no dia seguinte.
Na segunda vez, Luca tinha sete meses quando Patrícia administrou corticoide por mais tempo do que o indicado. O menino quase entrou em choque, e ela teve que diminuir a dose do remédio paulatinamente.
Segundo o Sinitox, os casos de intoxicação por medicamento acontecem tanto pela ingestão acidental (por armazenamento em local impróprio) quanto pela administração errada.

Quedas

Helena Gomes Morais, 4, também estava sob os cuidados de um adulto quando sofreu uma queda da rede, no mês passado. Instantes depois que a avó deu as costas para a menina, que brincava no terraço, Helena caiu e cortou o queixo. Precisou levar três pontos. "Depois disso, não tenho mais colocado a rede em casa", diz a mãe, a procuradora Mariana Gomes Morais, 36.
Embora a área externa ofereça riscos de queda, afogamento e intoxicação por plantas e produtos químicos, o local mais perigoso da casa é a cozinha. "Evitar que a criança entre ali reduz em 80% os acidentes, porque na cozinha podem ocorrer queimadura, intoxicação e quedas", diz Alessandra Françoia, coordenadora nacional da ONG Criança Segura.
O banheiro também oferece riscos, conforme mostrou um estudo publicado na revista "Pediatrics". De 1990 a 2007, cerca de 43 mil crianças foram atendidas em unidades de emergência dos EUA, a cada ano, devido a escorregões e quedas durante o banho.

Prevenção

A boa notícia é que a maior parte dos acidentes pode ser prevenida. Segundo Françoia, os pais devem avaliar o desenvolvimento dos filhos para, então, adaptar a casa à sua presença. "A criança de dois ou três anos não sabe o que deve evitar. Ao afastar o perigo e conversar com ela, estamos orientando e educando", acredita.
Uma medida importante para prevenir quedas, que representam mais da metade desses eventos, é proteger as janelas dos apartamentos. "Deve-se sempre colocar tela: na sala, na cozinha, na área de serviço. E isso vale para crianças de qualquer idade", diz Françoia.
Escadas, lages e até o prosaico trocador de bebê também podem ser uma ameaça -que o diga a psicóloga Candice Pomi Sousa Marques, 35. Quando seu filho Teodoro tinha quatro meses, ela o deixou sobre o móvel para abrir o chuveiro. "Nessa idade, não esperava que ele rolasse. Coloquei uma almofada no trocador, mas, quando voltei, ele tinha se espatifado no chão", recorda-se. O menino ficou dois dias internado e precisou de gesso por um mês.
Quando o acidente não pode mais ser evitado, há algumas dicas a seguir. Em casos de queda, a criança deve ser observada. "Se tem vômito, palidez, choro diferente, desmaio ou afundamento no local em que bateu a cabeça, deve ser levada ao hospital", diz Renata Dejtiar Waksman, presidente do Departamento de Segurança da Criança e do Adolescente da Sociedade Brasileira de Pediatria e uma das coordenadoras do livro "Crianças e Adolescentes Seguros" (ed. Publifolha).
Queimaduras devem ser lavadas em água corrente por cinco a dez minutos. Se a criança sofre uma intoxicação, o indicado é ligar para um centro de assistência toxicológica para receber orientação.

FERNANDA BASSETTE
RACHEL BOTELHO
DA REPORTAGEM LOCAL

Fonte: folha.uol

* Luca, meu sorridente neto!

domingo, novembro 15, 2009

Reconhecimento de paternidade

FHC decide reconhecer oficialmente filho que teve há 18 anos com jornalista


MÔNICA BERGAMO
COLUNISTA DA FOLHA

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso decidiu oficializar o reconhecimento do filho que teve com a jornalista Mirian Dutra, da TV Globo.
Tomas Dutra Schmidt tem hoje 18 anos. O tucano já consultou advogados e viajou na semana passada a Madri,onde vive a jornalista, para cuidar da papelada.

A Folha falou com FHC no hotel Palace, na Espanha, onde ele estava hospedado. O ex-presidente negou a informação e não quis se alongar sobre o assunto. Disse que estava na cidade para a reunião do Clube de Madri.
Mirian também foi procurada pela Folha, que a consultou a respeito do reconhecimento oficial de Tomas por FHC. "Quem deve falar sobre este assunto é ele e a família dele. Não sou uma pessoa pública", afirmou a jornalista.

O ex-presidente e Mirian tiveram um relacionamento amoroso na década de 90, quando ele era senador em Brasília. Fruto desse namoro, Tomas nasceu em 1991. FHC e Mirian decidiram, em comum acordo, manter a história no âmbito privado, já que o ex-presidente era casado com Ruth Cardoso, com quem teve os filhos Luciana, Paulo Henrique e Beatriz.
No ano seguinte, a jornalista decidiu sair do Brasil e pediu à TV Globo, onde trabalhava havia sete anos, para ser transferida. Foi correspondente em Lisboa. Passou por Barcelona e Londres e hoje Trabalha para a TV em Madri.

Quando FHC assumiu o ministério da Fazenda, em 1993, a informação de que ele e Mirian tinham um filho passou a circular entre políticos e jornalistas.
Procurados mais de uma vez, eles jamais se manifestaram publicamente.
Em 1994, quando FHC foi lançado candidato à Presidência, Mirian passou a ser assediada por boa parte da imprensa.

E radicalizou a decisão de não falar sobre o assunto para, conforme revelou a amigos, impedir que Tomas virasse personagem de matérias escandalosas ou que o assunto fosse usado politicamente para prejudicar FHC.
Naquele ano, a colunista se encontrou com ela em Lisboa e a questionou várias vezes sobre FHC. "Nem o pai do meu filho pode dizer que é pai do meu filho", disse Mirian.

Em 18 anos, o ex-presidente sempre reconheceu Tomas como filho, embora não oficialmente, e sempre colaborou com seu sustento. Nos oito anos em que ocupou a Presidência, os dois se viam uma vez por ano. Tomas chegou a visitá-lo no Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência da República.

Depois que deixou o cargo, FHC passou a ver o filho, que na época vivia em Barcelona, com frequência. Mirian o levava para Madri, Lisboa e Paris quando o ex-presidente estava nessas cidades. No ano passado, FHC participou da formatura de Tomas no Imperial College, em Londres.

Neste ano, Tomas mudou para os EUA para estudar Relações Internacionais na George Washington University.

Fonte: folha.uol

segunda-feira, agosto 31, 2009

Sarney & Castelo em Portugal

O JP (Jornal Pequeno), de Portugal, denunciou que José Sarney possuiu um castelo, em Sintra, que sempre omitiu nas suas declarações à Receita Federal e à Justiça Eleitoral, no tempo em que era presidente do país. Sarney enviou uma carta debochada ao jornal e recebeu uma resposta merecida - CONFIRA...


Ele também já está salvo, leve e saltitante em sua soberba, mas o fato vale registro.

Jornal Nacional completa 40 anos

jn

Na próxima terça-feira o Jornal Nacional comemora 40 anos no ar e não é preciso esperar a segunda chegar para conferir o novo visual preparado especialmente para celebrar a data. As principais mudanças já foram implantadas há algum tempo.

Noticiar sem opinar ou sem dar vida aos âncoras, essas sempre foram as marcas registradas do Jornal Nacional. Não importava quem estava à frente da bancada, o foco, sempre, foi o noticiário. Jamais fazer o telespectador pensar através do apresentador, e, sim, tirar suas próprias conclusões assistindo informativo que sempre foi sisudo.

Mas pra que mudar, quando, desde o início, o jornalístico é o mais assistido da TV nacional? Pra que mexer em algo que sempre deu certo e que figura, há quatro décadas, entre as principais audiências da Globo?

Bem, os tempos são outros e os índices do Jornal Nacional refletem isso. E isso é bom, porque, infelizmente, um produto líder no mercado só muda quando se vê acuado com o crescimento dos concorrentes.

Além do mais, o jornalismo televisivo, há tempos, não é o mesmo. Hoje não existe mais a caretice de um jornalista não poder sorrir, se emocionar, viver a notícia, e, claro, poder comentar o que acabou de ver, ou seja, participar da informação e "mastigar" para o telespectador, que, muitas vezes, não compreende o jargão jornalístico. jornal-nacional-bonner-fatima

Foi assim que o Jornal Nacional aceitou que os tempos são outros e mergulhou de cabeça nas novas tendências. Agora, William Bonner e Fátima Bernardes, o casal 20 do telejornalismo brasileiro, interagem entre si e também com os repórteres do jornalístico, esmiuçando a informação e esclarecendo dúvidas, e, especialmente, dando a oportunidade de o repórter acrescentar o que, por questão de tempo, não pôde ser dito em sua matéria, mas que tinha importância.

Sorrir, lamentar uma informação triste, se revoltar com os nossos políticos ou com a violência, e, como todo ser humano, errar. Nesses novos tempos, o principal telejornal de nossa TV se permite errar, permite que sua equipe mostre que não é assim tão perfeita como quis demonstrar esse tempo todo, mas que, ainda assim, prova sobrar competência.

Não fosse assim, não teria sobrevivido por 40 longos anos. Por isso, parabéns ao Jornal Nacional e que as mudanças não parem por aí!

Fonte: cenaaberta.tv

terça-feira, agosto 11, 2009

Noticiários possuem conteúdo… e quem os apresenta, também ?

tvabertEntre "caras & bocas"...

"Cada vez que assisto a um telejornal como o “RJTV”, o “Jornal Nacional” ou o “Jornal da Record” (e eu assisto a 5 ou 6, pelo menos, em emissoras diferentes todos os dias), fico me perguntando quando é que os apresentadores vão deixar de lado as “expressões de surpresa” ou mesmo tédio (muitas vezes erroneamente rotuladas de “imparciliadade”) ao final de cada matéria e, finalmente, expressarem alguma indignação por conta do que a notícia realmente expressa. Muitas vezes tenho a impressão de que os locutores estão apenas repetindo de forma educada um texto que eles mal compreendem justamente porque não entram a fundo nas informações — pior, que eles não podem, por algum motivo (contratual ?), emitir sua opinião, mesmo que nem seja a opinião que o público, em poltrona acompanhado muitas vezes apenas de sua indignação, não pode expressar (para quem ?).

Há exceções que confirmam a regra, claro. Mesmo nos supracitados telejornais, já pudemos ver momentos de emoção, mas talvez quase sempre isso aconteça nos momentos de comoção, quando alguém famoso morre ou quando se trata do caso de alguma criança — mais que justo. Mas somente da boca de Salette Lemos (no CNT Jornal da pouquíssimo assistida CNT, um dos melhores telejornais da TV aberta) e de Boris Casoy (que exagera muitas vezes, em especial no tom formal demais com que parece ler o teleprompter mesmo quando parece ser sua a opinião) é que vemos a sinceridade brotar — e nem sempre concordo com a opinião de ambos, como deve ser. Há bons esforços no irregular “Jornal da Globo”, mas não basta um editorial inicial lido de forma corrida e formal demais, ou no ótimo Jornal da Band, mas em geral essas opiniões ficam presas a “momentos Joelmir Betting”, nem sempre acompanhando a noticia em si. Muitos apresentadores também são editores, mas… para quem eles editam, apenas para sua leitura fácil, somente para um curioso deus chamado “tempo total do telejornal, antes que entre a novela” ?

Não, caras sérias porém mudas não representam a dor de quem perdeu um parente por causa de uma gripe. Sorrisos por causa da “famosidade” do envolvido não amenizam o erro que ele cometeu e o levou à justiça. O tão valorizado ‘timing’ da passagem de uma noticia para outra desvaloriza e/ou banaliza uma denúncia importante que acabou de ser revelada, quando o momento deveria ser de revolta ou demonstração de que as coisas estão precisando de um basta.

Não estou conclamando os apresentadores a subirem na bancada e gritarem palavras de ordem, longe disso. Mas passividade do jeito que está não dá mais. Vejo tantas alternativas não exploradas, lamento que tantas autoridades não sejam ouvidas, e quando estas o são, ou quando as possibilidades de resolução são apresentadas, nada é comentado, nada é feito para que o espectador pense de fato a respeito. Informar não é “apenas repassar informação”, nunca foi e nunca será, eu que não sou jornalista entendo isso, será que os que o são não recearam esta noção antes de seus diplomas ? Parece que o que importa é apenas “a fonte”, “a escuta autorizada pela justiça”, o jargão “o jornal tal apurou, com exclusividade”. E o espectador ? Onde entra nisso ?

Sei que eu, escrevendo como mero espectador e insistente blogueiro, talvez aqui misture alhos e bugalhos. Mas é preciso que o jornalismo televisivo acorde para o futuro: estamos em 2009, uma década quase inteira do novo século já se foi e ainda estamos presos a posturas (inclusive literalmente, de cenário e tudo o mais, como bem apontou Flavio Ricco em sua coluna no UOL de 30.07.2009), engessamento, modelos que estão presos a um passado já bem distante. É preciso mais que ousar: é preciso entender que o público também precisa perceber que quem lhe apresenta a matéria também se indigna, também quer solução para o que acontece, também não é um robô. Em tempos de internet e sua ágil interatividade, precisamos evoluir em aspectos que ainda hoje ainda parecem tão primitivos."

Tommy Beresford

segunda-feira, agosto 10, 2009

Cínicos, debochados e abjetos

Os indecorosos

De Janio de Freitas:

Renan exerce chefia e induz chefiados a condutas abjetas; Collor é o chefiado a transitar entre um ridículo e outro

Mesmo os que depositaram na renúncia do senador José Sarney a solução para o Senado têm, agora ou outra vez, a evidência irrefutável do fator de desordem que é Renan Calheiros.

Chefe das milícias que se sucedem no Congresso com a sucessão dos governos, sob a denominação camarada de tropas de choque, Renan Calheiros é um marginal da vida parlamentar, que a faz a poder de ameaças aos adversários e a aliados recalcitrantes; de golpes da esperteza sinônimo de malandragem, e de mentiras como moral e cafajestices como ética.

Renan Calheiros e Fernando Collor no Senado são indecorosos por si mesmos. Ambos adeptos das mesmas táticas, por métodos diferentes. Com outra diferença, esta nos efeitos.

Renan Calheiros exerce chefia (não confundível com liderança) e induz chefiados a condutas abjetas, ao passo que Collor é um chefiado a transitar entre um ridículo e outro, sempre figurando um adolescente que, de terno e gravata pela primeira vez, faz cara e pose de homenzinho.

O impasse badernoso que imobiliza o Senado, desde o princípio do ano legislativo, tem Renan Calheiros como artífice. O golpe em que está transformado o Conselho de Ética, com os seus poderes de presidência entregues ao suplente de suplente Paulo Duque, vale como síntese da ação de Calheiros.

O cinismo debochado com que Paulo Duque presidiu a sessão do conselho para seus primeiros pareceres sobre Sarney -"Querem que eu leia, querem? Hein? Não, é melhor publicar primeiro, aí vocês leem. Ah, querem que eu leia? Eu estou rouco", e por aí foi, como um animador ordinário de auditório- é uma falta de decoro que, em Senado de razoável decência, resultaria na imediata destituição e posterior cassação de Paulo Duque. Mas estava tudo combinado e de impunidade garantida pela milícia.

Palavrão no exercício da senatória é falta de decoro grave. Justifica representação ao Conselho de Ética e, daí, perda do mandato. O xingamento feito por Renan Calheiros foi retirado da ata da sessão de quinta-feira.

O poder final de retirar e de mantê-lo, na transcrição em ata, é do presidente do Senado. José Sarney pode desfazer todas as acusações de que é alvo, mas nada o absolverá caso mantenha a retirada hipócrita e fraudulenta, e impeça a representação ao Conselho de Ética contra Renan Calheiros.

Essa atitude seria a negação de tudo o que disse na sua defesa, e em tantas ocasiões, sobre a grandeza que identifica no Senado e que afirma justificar sua presença ali e seus propósitos na presidência. Renan Calheiros conduz a defesa de José Sarney, mas o levou agora a um julgamento em que só o próprio José Sarney se absolverá ou se condenará.

Refeita a associação de quando se faziam notórios, agora Renan Calheiros como chefe, também Fernando Collor tem a que responder no Conselho Ética, pelas ameaças físicas dirigidas ao senador Pedro Simon apenas por citar seu nome, sem qualificação ou imputação alguma.

A arrogância desnorteada de Collor não depende dos seus esgares e mímicas mecânicas, é um estado. A tanta arrogância, tão vazia de fundos e tão cheia de agressividade, responde uma conhecida lembrança bíblica: "do pó vieste e ao pó voltarás".

Fonte: Blog Ricardo Noblat

Concordo e aplaudo, há apenas um engano - esses cínicos, debochados e abjetos sentem-se imunes a tudo, inclusive à morte. O consolo é saber que "Ela" os alcançará.

segunda-feira, julho 13, 2009

Acompanhando (7)




Acompanhe os escândalos
  1. 01. Verba indenizatória secreta na Câmara e no Senado
  2. 02. Castelogate, o deputado Edmar Moreira e sua segurança privada
  3. 03. Agaciel Maia, diretor-geral do Senado, e sua mansão
  4. 04. Horas extras nas férias para funcionários da Câmara e do Senado
  5. 05. Chico Alencar (PSOL-RJ) contrata correligionário
  6. 06. Diretor do Senado usava apartamento funcional para família
  7. 07. Sarney utiliza seguranças do Senado no Maranhão
  8. 08. Nepotismo terceirizado
  9. 09. Tião Viana empresta celular à filha em viagem ao México
  10. 10. Diretores no Senado: eram 181
  11. 11. Assessora de Roseana Sarney também era diretora
  12. 12. Renan emprega sogra de assessor no Senado, filho na Câmara, tem funcionários fantasmas e aliado recebendo verba indenizatória em Alagoas
  13. 13. Filha de FHC trabalha de casa para senador
  14. 14. Diretora de comunicação do Senado em campanha
  15. 15. Deputado Alberto Fraga (DEM-DF) contrata empregada doméstica
  16. 16. Deputado Arnaldo Jardim (PPS-SP) contrata empregada doméstica
  17. 17. Deputado José Paulo Tófano (PV-SP) contrata empregada doméstica
  18. 18. Tasso Jereissati (PSDB-CE) e os loucos por jatinhos
  19. 19. Gráfica do Senado imprime material de campanha
  20. 20. Funcionários do senador Adelmir Santana (DEM-DF) prestam serviço a vice-governador
  21. 21. Ministro Hélio Costa (PMDB, Comunicações) usa serviço de secretária paga pelo seu suplente no Senado, Wellington Salgado (PMDB-MG)
  22. 22. Terceirização irregular no Senado
  23. 23. Deputado Fábio Faria (PMN-RN) pagou viagens para Carnatal, inclusive para Adriane Galisteu
  24. 24. Ministros-deputados usam passagens da Câmara
  25. 25. Deputados fazem viagens internacionais pagas pela Câmara
  26. 26. Câmara e Senado perdoam todos os delitos da "farra aérea" e fingem cortar gastos
  27. 27. Viúva do senador Jefferson Péres (PDT-AM) recebe sobra de passagens em dinheiro
  28. 28. Ministros do Supremo Tribunal Federal entram na cota de passagens da Câmara
  29. 29. Senador Gerson Camata (PMDB-ES) acusado de uso de caixa dois
  30. 30. Delegado Protógenes Queiroz voou com passagens do PSOL
  31. 31. Membros do Conselho de Ética usaram passagens e ajudam financiadores de suas campanhas
  32. 32. Fernando Gabeira (PV-RJ) deu passagens para família ir ao exterior e contratou mulher com verba indenizatória
  33. 33. Michel Temer (PMDB-SP), presidente da Câmara, também usou passagens para "familiares e terceiros"
  34. 34. Ministro do TCU Augusto Nardes (ex-deputado) voa na cota do deputado Otávio Germano (PP-RS)
  35. 35. Câmara pagou 42 passagens para ex-diretor do Senado João Carlos Zoghbi e família
  36. 36.Senado paga motorista de ministro Hélio Costa (Comunicações) em BH
  37. 37. Ciro Gomes (PSB-CE) reage à reportagem sobre passagens com xingamentos
  38. 38. Gabinetes da Câmara negociam bilhetes de deputados com agências
  39. 39. Senadores têm seguro saúde vitalício para a família
  40. 40. Senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) usou assessor do Senado para compras particulares
  41. 41. Ex-diretor de RH do Senado João Carlos Zoghbi usava empresas de fachada
  42. 42. Deputado Eugênio Rabelo (PP-CE) usa cota aérea com time de futebol
  43. 43. Deputados "clonam" prestação de contas
  44. 44. Deputado Geraldo Resende (PMDB-MS) pagou com verba indenizatória advogado que atuou em sua defesa no TSE
  45. 45. 117 ex-deputados tiveram passagens aéreas pagas pela Câmara
  46. 46. Senador Magno Malta (PR-ES) passou quatro dias em Dubai com dinheiro do Senado
  47. 47. Senadores Alvaro Dias (PSDB-PR), Geraldo Mesquita (PMDB-AC), Paulo Paim (PT-RS) e Osmar Dias (PDT-PR) usaram cota para voos ao exterior
  48. 48. Senador Renan Calheiros (PMDB-AL) cedeu passagens a primo e a 2 assessores
  49. 49. Senador Eduardo Suplicy (PT-SP) deu passagem para namorada ir ao exterior
  50. 50. Senadores vivos 'ganham' ruas e avenidas em reduto eleitoral
  51. 51. Funcionário preso do Senado recebeu salário por 5 anos
  52. 52. Senado pagou 291 passagens para ex-senadores e até para dois senadores já mortos
  53. 53. Câmara paga piloto de avião de ministro Geddel Vieira Lima (PMDB, Integração)
  54. 54. Câmara paga 8 voos para investigado pela PF que é colaborador do empresário Fernando Sarney
  55. 55. STF abre processo contra deputado acusado de atentado violento ao pudor
  56. 56. Auxílio-moradia para comprar apto. E para quem não precisa: deputados Alexandre Silveira (PPS-MG) e Rita Camara (PMDB-ES) e senadores Gerson Camata (PMDB-ES), José Sarney (PMDB-AP), João Pedro (PT-AM), Cícero Lucena (PSDB-PB) e Gilberto Gollner (DEM-MT)
  57. 57. Efraim Morais (DEM-PB): 52 funcionários fantasmas e carro oficial para uso particular
  58. 58. Servidor do PMDB no Senado que ganha R$ 15 mil mensais dá expediente em loja de móveis
  59. 59. Funcionário envolvido em operação da PF é indicado para comissão no Senado
  60. 60. José Sarney tem amigos, aliados e parentes contratados pelo Senado
  61. 61. Senado usa mais de 600 atos secretos para criar cargos
  62. 62. Senado indeniza empresa suspeita de irregularidade com R$700 mil
  63. 63. Deputados ignoram regras da Câmara para pagar alimentação
  64. 64. 350 funcionários do Senado têm salário maior que o de ministros do STF
  65. 65. Valdir Raupp (PMDB-RO) aprova concessão de rádio que tem como sócio seu assessor
  66. 66. Neto de Sarney opera no Senado crédito consignado, que é alvo da PF
  67. 67. Fernando Collor (PTB-AL) usa verba indenizatória para vigiar Casa da Dinda e comprar quentinhas
  68. 68. Nova diretora de RH do Senado entrou no emprego em trem da alegria
  69. 69. Sarney oculta da justiça casa de R$4 milhões
  70. 70. Senado tem contas secretas
  71. 71. Ministro Carlos Minc (Meio Ambiente) emprega mulher na Câmara
  72. 72. Senado ignora decisão do STF e mantém nepotismo

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