"Deus me respeita quando eu trabalho. Mas me ama quando eu canto."

sexta-feira, novembro 09, 2007

"Festa Junina ou Aniversário?"


"Estrela de seis pontas é o simbolo judaico, o que faz o simbolo judaico no bolo de "noço" Lula?
que gafee!!!!

SOCORRO !!! Meus sais!!!
Isso é um aniversário ou um Bar Mitzvah?
A estrela do bolo tem 6 pontas em vez de 5...huahuahua

E olhem só o modelito da galega para comemorar o aniversário do maridão...huahuahua
Parece a Mamãe Ganso com esse chapéu....
E a boca de Petronilha? (lembram da personagem cômica de Consuelo Leandro?)
Fora a blusita vermelha transparente mostrando o soutien branco pra combinar com a calça??
Isso porque a "bonitona" tem estilista pessoal...imagina se não tivesse!"


Festa em comemoração aos 62 anos de Lula tem convidados restritos



Recebido por e-mail sem autoria do comentarista



Para o casal


*

No fim, a coisa é isso mesmo, como dizia minha avó: "quem nasceu para tostão nunca chegará a vintém." Não há, não houve e nunca haverá "touché" nesse casal.

Existem coisas que não se compra, não se herda, e, muito menos, podem ser impostas...O lado bom da questão, é que também não podem ser "apreendidas".

Seus Talentos, Minhas Paixões

"Em Leões & Cordeiros"


Baixinho convincente

Talento incontestável

Minha paixão antiga - Ícone da Vida

Muita vez

*
Acima de tudo e qualquer coisa que tenha havido em "Vida", a vida me foi quase deslumbrante, como um livro de histórias...promissora!

Se tenho a reclamar, muito mais há para agradecer...coisas "que eu sei" e que nunca ninguém saberá, apenas os elos que estabelecemos e que dentro de "nós" se mantém e sempre se manterão. Se não em nossa memória, mas sempre no coração.

"Tempo...tempo...tempo..."

Para todos os amores, que com muito amor eu amo, nessa Vida Muito Linda!

P.S.: Perdou os meus Caetanos e meus Chicos. Tempo...os tomou e os tornou tão diferentes de mim.

Continuo amando as minhas Bethânias, Alices, Elis, Maisas e Dolores.

Perdida "Alice" a correr atrás do tempo? do Coelho? do Relógio?

Embora tudo, ainda sou uma "Alice" nesse mundo maravilhoso.

Muito bom amigo Passira!

Toinho da Passira

CPMF NA COMISSÃO DE JUSTIÇA DECISÃO NAS MÃOS DE SIMON E MARCO MACIEL UM GAÚCHO E UM PERNAMBUCANO PODEM RESOLVER O DESTINO DO IMPOSTO DO CHEQUE

O gaúcho é um pernambucano a cavalo, se Simon deixar a montaria selada, Maciel avança com a cavalaria

Fontes: Blog do Noblat, Blog do Josias de Souza, Blog da Lucia Hippolito, Folha de São Paulo

Segundo as últimas conclusões dos especuladores e analistas experientes com votações no senado, com disse ontem a cientista política Lúcia Hippolito, está por um triz. Para a votação ir até o plenário, onde o governo ainda batalha para conseguir maioria, tem que passar pela comissão de justiça do Senado, presidida pelo Senador Marco Maciel.

Depois de muita depuração, o placar fixou-se num sensível 12 a favor e 11 contra, o que liquidaria a fatura. Mas há uma expectativa especulativa quanto ao voto do Senador Pedro Simon (PMDB-RS), que em mais de uma ocasião, pronunciou-se contra a excessiva carga tributária e contra a CPMF, em particular.

O que leva o Senador Simon para a contabilidade dos votos favoráveis ao governo foi que na reunião do PMDB que decidia se o partido apoiaria ou não a prorrogação do Imposto, o gaúcho absteve-se. O resultado é que por ampla maioria o PMDB recomendou que a prorrogação fosse apoiada pelos senadores do partido.

Pedro Simon, que costuma chamar o PMDB, de MDB, pois é fundador do partido, sempre primou por obedecer às orientações partidárias, como um gesto de disciplina.

Ninguém consegue arrancar de Simon uma certeza para um lado ou para outro. Mas se na hora, a sua consciência, for maior que a disciplina e ele votar contra a prorrogação, a decisão vai para Marco Maciel, que por orientação do partido, por consciência e por todos os motivos vota contra a CPMF, isso ninguém duvida, e que sepultaria a CPF de vez.

Em nossa opinião Simon vai votar a favor da prorrogação.

*

Passira, é esperar para ver.

quinta-feira, novembro 08, 2007

Poupouri

"Se eu morresse amanhã de manhã,
minha falta ninguém sentiria.
O que eu fui, o que eu fiz,
ninguém se lembraria"

"Ah, a solidão, vai acabar comigo!
Ah, eu já nem sei o que faço e o que digo"

"Dá-me, Senhor

Uma noite sem pensar
Dá-me Senhor
Uma noite bem comum
Uma só noite em que eu possa descansar
Sem esperança e sem sonho nenhum
Por uma só noite assim posso trocar
O que eu tiver de mais puro e mais sincero
Uma só noite de paz pra não lembrar
Que eu não devia esperar e ainda espero."


E por ai vai!

Muitos genios há em uma construção! Um deles está no "link"


Só vendo para crer!

"É fato. É foto"

Hoje eu precisava

De algo lindo assim!


* Estranho...eu amei a foto, e mesmo vendo-a em tamanho tão maior,
eu enxerguei uma garota subindo a escada e não ao pé dela.
Ainda assim, é linda!

quarta-feira, novembro 07, 2007

De volta ao velho e bom fisiologismo

Lucia Hippolito

Finalmente, o PSDB tomou a decisão que já deveria ter tomado há muito tempo.

Não a de votar contra a CPMF, mas a de votar unido.

Desde o início das negociações, ainda na Câmara, vários equívocos foram cometidos, tanto do lado do governo quanto da oposição tucana.

O governo errou muito. Perdeu tempo demais na Câmara, onde tinha maioria folgada.

Rendeu-se às demandas (chantagens) da base aliada, liberou um caminhão de dinheiro em emendas, concordou com nomeações prá lá de polêmicas em áreas sensíveis da administração pública.

(Vamos esperar que não haja mais mensalões, mas é difícil acreditar nisso.)

Depois de aprovar a prorrogação da CMPF na Câmara, o governo passou a errar no Senado.

Perdeu tempo demais defendendo Renan Calheiros, perdeu tempo demais com a base aliada.

O governo errou também quando tratou senadores como deputados.

O senador não é tão dependente assim de verbas de emendas. Não precisa mostrar serviço rapidamente, porque seu mandato é de oito anos.

Sua campanha é, em geral, feita junto com a do candidato a governador, por isso não depende tanto de pequenas benesses do governo. Só das grandes.

Ao perceber o monumental erro que estava cometendo, o governo concordou em sentar para negociar com o PSDB.

Mas os tucanos não se prepararam para esta negociação. Não tinham um discurso unificado, não tinham uma linha de ação política, não tinham estratégia.

Dividiram-se em três grupos, como já foi comentado aqui mesmo no blog: deputados não queriam a CPMF, governadores queriam a CPMF, e senadores não sabiam o que queriam.

Tudo isto foi construindo junto à opinião pública e ao próprio eleitorado tucano uma imagem de adesão ao governo, de atendimento a interesses menores.

(Os governadores Serra e Aécio, que não querem confrontar a popularidade do presidente Lula, manobraram para que a bancada no Senado votasse a favor da prorrogação.

Com algumas concessões, para não parecer adesão pura e simples.)

Mas a coisa foi ficando muito feia para os lados do tucanato.

Os senadores que eram contra a prorrogação da CPMF aliaram-se a deputados e ao ex-governador Geraldo Alckmin, que desde o primeiro momento posicionou-se a favor da extinção da CPMF.

O resultado foi o que se viu na reunião de hoje: nove a quatro. Nove senadores colocaram-se contra a prorrogação, e apenas quatro a favor.

(Contra: Álvaro Dias (PR), Flexa Ribeiro (PA), Artur Virgílio (AM), Papaléo Paes (AP), Marconi Perillo (GO), Marisa Serrano (MS), Mário Couto (PA), Cícero Lucena (PB) e João Tenório (AL). A favor: Tasso Jereissati (CE), Sérgio Guerra (PE), Lúcia Vania (GO) e Eduardo Azeredo (MG).)

Mas mesmo estes quatro decidiram acompanhar a maioria, e o partido deve votar unido contra a prorrogação da CPMF.

E agora?

Bom, agora o governo tem que voltar a negociar com os senadores da base aliada, majoritariamente a poder do velho e bom fisiologismo: nomeações, obras do PAC nos estados, e por aí vai.

O PDT, que pode ser fundamental nesta hora – tem cinco senadores, os cinco votos que podem decidir a parada –, já declarou que sem redução da alíquota, não vota.

E o PMDB? Este não nega fogo. Dependendo da “cesta básica” de oferta fisiológica que o governo apresentar, vota correndo.

O mercado persa que o Executivo instalou no Congresso transfere-se da Câmara para o Senado – e será inesquecível.

Por quê somos conclamados!?

À narcer,
Viver...
Participar?

Muito não é justo e muito "justas" são as situações a que somos expostos.

Enquanto não houver justiça, como proceder?

Eu quero muito saber.

Hoje começa mais um dia, e, por mais um dia, eu sofri o desdém de uma empresa para a qual eu pago, faz quase três anos, mensalmente, o serviço prestado: Net-Vírtua.

Posto aqui o "inútil" protocolo de atendimento: "64278655" - Caso não dê certo, reclamo eu para o Bispo!?

Sim, porque o "padre"...ah, esse está ocupadíssimo em receber seus vizinhos e apaniguados - nada mais, nada menos, apenas uma demonstração da Fé dos mesmos.

O padre empenha-se em confranger (restaurar), um coração, "um eleito", um votante, um voto..."no mínimo" - posso dizer, aqui, como é moda: o seu...(dele, padre), "correria".

Quanta "balela" de todos "Vós"...que nem ao menos sois Rei!

Além do nada que sois...assim sois.
+

Quanto a NET-VÍRTUA e o seu "sistema", tal qual a Rede Globo, eles estão cavando a própria cova.

Dia há de chegar.

terça-feira, novembro 06, 2007

Unificação da Língua Portuguesa

Rude e doloroso
"Minha posição quanto à conveniência ou não de se unificar o português falado no mundo é um destemido "não sei". Talvez não valha o trabalho que dará para mudar regras e hábitos - sem falar em dicionários - e pode-se prever que as mudanças, se vierem, levarão tempo para "pegar". Mas os escritores em português têm um interesse menos acadêmico do que prático na unificação do seu idioma, que aumentaria o mercado em potencial para seus livros. O "rude e doloroso" idioma de Bilac é falado por mais gente do que o francês, mas temos razões para nos queixar da sua relativa obscuridade. Ao contrário da Espanha, que perdeu seu império americano mas deixou um imenso mercado para o García Márquez e o Vargas Llosa, Portugal não foi muito pródigo com a sua língua.

Os navegadores, catequizadores e comerciantes portugueses largaram palavras avulsas pelos caminhos da sua exploração do mundo, como pepitas raras. (Até hoje na Costa Ocidental da África usam a palavra "dash" para gorjeta. Vem do português "deixar", como em "Vou deixar uns trocados para você, ó mameluco!". No Japão, o prato de camarão com legumes fritos chamado "tempura" tem este nome por causa dos portugueses que só comiam peixe durante os "Quattuor Tempora", ou Quatro Tempos, de cinzas e contrição, do ano litúrgico. O "mandarim" chinês vem de "mandar" mesmo, combinado com o sânscrito "mantri", ou conselheiro. Algumas palavras portuguesas andaram pelo mundo e voltaram com seu sentido mudado. "Casta", substantivo, camada social, vem do português "casta" adjetivo. "Fetiche" começou a vida como feitiço. E o "joss" do chinês pídgin, significando ídolo, é uma corruptela do "Deus" chiado dos portugueses).

Mas não deixaram uma língua universal como o espanhol, que não é o mesmo para todos os hispanofônicos mas tem menos diferenças do que as que separam um português dos outros.

E, mesmo com a unificação da gramática e do vocabulário, restaria a questão da pronúncia. Certa vez fui entrevistado por um casal que apresentava o noticiário numa TV do Porto. Meu pânico começou na primeira pergunta, que não entendi. Adivinhei que era sobre a recepção à literatura portuguesa no Brasil e falei no Saramago. A segunda pergunta era parecida com a primeira, só menos inteligível. Fui de Saramago outra vez. A terceira e a quarta, a mesma coisa. Não sei se era para ser uma entrevista rápida mesmo ou se eles desistiram, desconfiando da minha sanidade mental, e não perguntaram mais nada. Pelo menos o "Obrigado" eu entendi. A dicção do casal era especialmente difícil, e a culpa por não entendê-los era minha, mas o português de Portugal muitas vezes nos lembra a descrição do Bilac. Se bem que no caso a rudeza é nossa, da colônia."
Luis Fernando Veríssimo

segunda-feira, novembro 05, 2007

Prestação de Serviços Privados

"Segue abaixo um relato que mandei prá Maria Ines Dolci da Folha (direito do consumidor) e do Instituto Pro Teste sobre o golpe do atendimento pago da NET (e que muitas outras usam hoje). Ela já me respondeu e diz que vai divulgar e presionar direto tb... talvez vcs tb possam espalhar por aí, afinal são mais de 1.000.000 de usuários lesados.

Sou assinante da NET, com serviços de TV, internet (Virtua) e telefone (Embratel). Como volta e meia tenho que telefonar para eles para reclamar de interrupções e outros problemas, acabei percebendo que pago por cada uma dessas ligações (pelo telefone 4004-7777). Consultei, então, o contrato de prestação de serviços, disponível no site da NET ( www.net.tv.br), e verifiquei que por resolução da ANATEL, constante do contrato na cláusula 38, a NET teria que disponibilizar um acesso telefônico gratuito 24h x 7d.


É mesmo um absurdo completo ter que pagar para reclamar de uma falha na prestação de serviço.Fiz uma reclamação direto na Ouvidoria da NET e não consegui mais que um 'vamos encaminhar sua sugestão...'.

Aí, registrei uma reclamação formal na ANATEL. Uma semana depois (ontem), recebi uma ligação da NET em que atenciosamente me foi 'revelado' que há um telefone 0800 para o serviço Virtua e outro para o NETfone. Ambos não divulgados nem no site da empresa, nem em suas faturas.

Portanto, e foi o que declarei à gentil voz que me atendia, só eu, por ter exercido o direito de reclamação e esperneado minha cidadania, saberia do número. Pedi a a ela que passasse aos departamentos responsáveis a demanda de publicação e difusão ampla dos telefones obrigatórios.

Os telefones são 0800-721-0029(NetFone) e 0800-7010358 (Virtua).

Talvez você possa ajudar nesta divulgação e na reafirmação da necessidade de empresas como a NET no mínimo cumprirem seus contratos."


Uma cliente NET-VÍRTUA



Recebida por e-mail sem identificação da reclamante. Testei e os telefones indicados são verdadeiros.



A semana que passou




domingo, novembro 04, 2007

Conto


A Moça Tecelã

"Acordava ainda no escuro, como se ouvisse o sol chegando atrás das beiradas da noite. E logo sentava-se ao tear.

Linha clara, para começar o dia. Delicado traço de luz, que ela ia passando entre os fios estendidos, enquanto lá fora a claridade da manhã ia desenhando o horizonte.

Depois lãs mais vivas, quentes lãs iam tecendo hora a hora, em longo tapete que nunca acabava.

Se era demais o sol, e no jardim pendiam as pétalas, a moça colocava na lançadeira grossos fios cinzentos do algodão mais felpudo. Em breve, na penumbra trazida pelas nuvens, escolhia um fio de prata, que em pontos longos rebordava sobre o tecido. Leve, a chuva vinha cumprimentá-la à janela.

Mas se durante muitos dias o vento e o frio brigavam com as folhas e espantavam pássaros, bastava a moça tecer com seus belos fios dourados, para que o sol voltasse a acalmar a natureza.

Assim, jogando a lançadeira de um lado para o outro e batendo os grandes pentes do tear para a frente e para trás, a moça passava seus dias.

Nada lhe faltava. Na hora de fome tecia um lindo peixe, com cuidado de escamas. E eis que o peixe estava na mesa, pronto para ser comido. Se sede vinha, suave era a lã cor de leite que entremeava o tapete. E à noite, depois de lançar seu fio de escuridão, dormia tranqüila.

Tecer era tudo o que fazia. Tecer era tudo o que queria fazer.

Mas tecendo e tecendo, ela própria trouxe o tempo em que se sentiu sozinha, e pela primeira vez pensou como seria bom ter um marido ao lado.

Não esperou o dia seguinte. Com capricho de quem tenta uma coisa nunca conhecida, começou a entremear no tapete as lãs e as cores que lhe dariam companhia. E aos poucos seu desejo foi aparecendo, chapéu emplumado, rosto barbado, corpo aprumado, sapato engraxado. Estava justamente acabando de entremear o último fio da ponta dos sapatos, quando bateram à porta.

Nem precisou abrir. O moço meteu a mão na maçaneta, tirou o chapéu de pluma e entrou na sua vida.
Aquela noite, deitada contra o ombro dele, a moça pensou nos lindos filhos que teceria para aumentar ainda mais a sua felicidade.

E feliz foi, por algum tempo. Mas se o homem tinha pensado em filhos, logo os esqueceu. Porque , descoberto o poder do tear, em nada mais pensou a não ser nas coisas todas que poderia lhe dar.

- Uma casa maior é necessária - disse para a mulher. E parecia justo, agora que eram dois. Exigiu que escolhesse as mais belas lãs cor de tijolo, fios verdes para os batentes,e pressa para a casa acontecer.

Mas pronta a casa, já já não lhe pareceu suficiente. - Por que ter casa, se podemos ter um palácio? - perguntou. Sem querer resposta, imediatamente ordenou que fosse de pedra com arremates de prata.

Dias e dias, semanas e meses trabalhou a moça tecendo tetos e portas, e pátios e escadas, e salas e poços. A neve caía lá fora, e ela não tinha tempo para chamar o sol. A noite chegava, e ela não tinha tempo para arrematar o dia. Tecia e entristecia, enquanto sem parar batiam os pentes acompanhando o ritmo da lançadeira.

Afinal o palácio ficou pronto. E entre tantos cômodos, o marido escolheu para ela e seu tear o mais alto quarto da mais alta torre.

- É para que ninguém saiba do tapete - disse. E antes de trancar a porta a chave advertiu: - Faltam as estrebarias. E não esqueça dos cavalos!

Sem descanso tecia a mulher os caprichos do marido, enchendo o palácio de luxos, os cofres de moedas, as salas de criados. Tecer era tudo o que fazia. Tecer era tudo o que queria fazer.

E tecendo, ela própria trouxe o tempo em que sua tristeza lhe pareceu maior do que o palácio com todos os seus tesouros. E pela primeira vez pensou como seria bom estar sozinha de novo.

Só esperou anoitecer. Levantou-se enquanto o marido dormia sonhando com novas exigências. E descalça para não fazer barulho, subiu a longa escada da torre, sentou-se ao tear.

Desta vez não precisou escolher linha nenhuma. Segurou a lançadeira ao contrário, e, jogando-a veloz de um lado para o outro, começou a desfazer os seus tecidos. Desteceu os cavalos, as carruagens, as estrebarias, os jardins. Depois desteceu os criados e o palácio e todas as maravilhas que continha. E novamente se viu na casa pequena e sorriu para o jardim além da janela.

A noite acabava quando o marido, estranhando a cama dura, acordou, e espantado olhou em volta. Não teve tempo de se levantar. Ela já desfazia o desenho escuro dos sapatos, e ele viu seus pés desaparecendo, sumindo as pernas. Rápido, o nada subiu-lhe pelo corpo, tomou o peito aprumado, o emplumado chapéu.

Então, como se ouvisse a chegada do sol, a moça escolheu uma linha clara. E foi passando-a devagar entre os fios, delicado traço de luz, que a manhã repetiu na linha do horizonte."

Marina Colasanti, in Doze Reis e a Moça no Labirinto do Vento

sábado, novembro 03, 2007

Muita, tanta, tamanha, indignação

"Mentiram-me.

Mentiram-me ontem
e hoje mentem novamente.
Mentem de corpo e alma completamente.
E mentem de maneira tão pungente
que acho que mentem sinceramente.

Mentem sobretudo impunemente.
Não mentem tristes,
alegremente mentem.
Mentem tão nacionalmente
que acho que mentindo história a fora
vão enganar a morte eternamente.

Mentem, mentem e calam
mas nas frases falam e desfilam de tal modo nuas
que mesmo o cego pode ver a verdade em trapos pelas ruas.
Sei que a verdade é difícil e para alguns é cara e escura,
mas não se chega à verdade pela mentira
nem à democracia pela ditadura.

Evidentemente crer que uma flor nasceu em Hiroshima
e em Auschwitz havia um circo permanentemente.

Mentem, mentem caricaturalmente,
mentem como a careca mente ao pente,
mentem como a dentadura mente ao dente
mentem como a carroça à besta em frente,
mentem como a doença ao doente,
mentem como o espelho transparente
mentem deslavadamente como nenhuma lavadeira mente ao ver a nódoa sobre o rio
mentem com a cara limpa e na mão o sangue quente,
mentem ardentemente como doente nos seus instantes de febre,
mentem fabulosamente como o caçador que quer passar gato por lebre
e nessa pilha de mentiras a caça é que caça o caçador
e assim cada qual mente indubitavelmente.

Mentem partidariamente,
mentem incrivelmente,
mentem tropicalmente,
mentem hereditariamente,
mentem, mentem e de tanto mentir tão bravamente
constróem um país de mentiras diariamente."


(Por Afonso Romano de Sant'Anna)

Cidade Maravilhosa!

Cidade favorita de meu coração

Porque hoje é sábado, uma boa leitura

por Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa

O Envelope

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, num arroubo de entusiasmo juvenil, pediu ao presidente da FIFA, senhor Joseph Blatter, o envelope de onde esse último retirara o nome do país escolhido para sediar a Copa do Mundo de 2014. Uma bela recordação do dia emocionante em que o Brasil foi confirmado como sede da festa máxima do futebol. Com certeza esse envelope é para ser guardado entre os maiores tesouros de Sua Excelência.

Fez ele muito bem. O tempo, o senhor da razão, ainda por cima é cruel. Passa muito rápido. Dentro de alguns anos, o que restará para o fã é aquele envelope e algumas fotos. O outro presidente presente – são muitos, aparentemente todo mundo gosta de ser tratado de ‘presidente’ – o brasileiro Ricardo Teixeira, guardará como recordação particular o momento varonil em que defendeu, com as mãos nuas, o Brasil do insidioso ataque de uma jornalista canadense. Sua tropa de elite particular, composta por nada mais nada menos que o Chefe da Nação, 12 governadores de Estado, 3 ministros e mais umas duas dezenas de acompanhantes, aplaudiu freneticamente seu gesto heróico. A audácia da jornalista! Perguntar, numa entrevista coletiva, sobre segurança no Brasil...

O governador de Minas Gerais levou em sua comitiva a fotógrafa oficial de sua corte, Soraya Ursine (fonte: Ancelmo Góes). Não precisava exagerar. Ele é, disparado, se me permitem o jargão do turfe num texto sobre futebol, 20 corpos de luz mais belo que os outros governadores. Qualquer fotógrafo lhe faria justiça. Mas não estou aqui para empatar a festa de ninguém, sobretudo depois do discurso mágico do escritor Paulo Coelho. Segundo o mago, 90 minutos de futebol rendem mais assunto que 90 minutos num bom motel e em boa companhia. Não discuto, mas creio que melhor do que falar sobre qualquer uma das duas atividades, o melhor é fazer.

Sei que estou sendo repetitiva. Todos leram sobre essa festa extraordinária na bela Zurique. Inclusive o Rei Pelé. Como ficou de fora, deve ter lido. E ficou de fora porque sua presença ofuscaria toda a delegação; por isso e por outros motivos insondáveis. O que não faz a menor diferença na ordem natural das coisas: sempre que se falar em futebol, seu nome será lembrado. Quando todos os vivos de hoje estiverem mortos, o nome brasileiro que vai ficar é o dele, Pelé, o maior atleta do século, o melhor jogador de futebol de todos os tempos, que foi lembrado com saudade por dois outros grandes jogadores, pelos que verdadeiramente entendem do riscado: Beckenbauer e Platini.

Infelizmente, o tempo não parou para que a festa em Zurique fosse perfeita. Aqui na Terra os problemas continuaram. O Rio, cidade partida, segundo a feliz (ou infeliz?) expressão de Zuenir Ventura, mostrou como fica quando fisicamente partida. Sem o Túnel Rebouças, a cidade parou. O caos, aquele inimigo figadal que anda rondando o Brasil, instalou-se na cidade. O que não impediu seu prefeito, o ex-blogueiro do DEM, de partir para a Guatemala, onde domingo haverá eleições. Cada qual com seu cada qual, já disse um dia o presidente Lula. E, se a paixão do presidente é futebol, a do prefeito são eleições. Ele adora acompanhar uma campanha, uma boca de urna, aquela movimentação cívica. Lá foi ele. O Rebouças estava em boas mãos. Aliás, nas mesmas de antes do desabamento. Mas isso é detalhe.

O caos não descansou. Partiu para cima dos aeroportos, mais uma vez. Agora parece até implicância. Tudo bem que o caos tem que ser devastador e gélido, mas sentir saudade do Zuanazzi, é demais. Pega mal até para o caos. O presidente da Infraero – outro! – pediu aos passageiros para que não viajassem em horas de pico. Ele não sugeriu, mas eu sugiro. Em vez de viajar nas tardinhas de sexta-feira ou de domingo, expliquem aos seus patrões que vão fazer como Suas Excelências, os parlamentares: ida às terças e regresso às quintas. Pronto. Resolvido o problema.

Mas esse caos, apocalíptico por natureza, o que fez? Criou uma quizumba no setor do gás. Ontem, tomei um táxi conhecido aqui do ponto. Homem gentil, sempre abre a porta do carro, se assegura que estou bem instalada e, ao mesmo tempo em que liga o carro, entabula um papinho. Ontem, nada. Silêncio absoluto. Senti o clima. Também caí numa esparrela parecida. Em 1984, comprei meu primeiro carro a álcool. Eu acreditei. O motorista acabou falando: ouvira a declaração do presidente – ainda outro...- da Petrobrás. O senhor Sergio Gabrielli aconselhava que se procurassem outras fontes de energia.

Mas, como para o brasileiro, pouco nunca é suficiente, fomos pedir ao caos que atendesse um outro lado de nossas vidas: a política. A CPMF é vital, segundo o Governo. Sem ela, adiós, pampa mia! Como ela está para ser prorrogada e tem sido objeto de uma luta animada entre situação e oposição, para dar um colorido extra e mostrar ao povo quem é o dono da bola e do campinho, o PT arma um terceiro mandato e o ministro Paulo Bernardo, num primor de senso de oportunidade, lança a idéia de uma contribuição permanente. ‘Contribuir para sempre’. Chega a dar calafrio...

O deputado pernambucano Fernando Ferro, petista, claro, veio em ‘socorro’ do presidente e da CPMF:

- Tudo não passa de um jogo oposicionista para levantar debate em torno do assunto e indispor o governo frente à população, o que pode gerar resultado contrário e o presidente Lula ficar ainda mais popular. A oposição pode estar acordando um dragão. (Fonte: este blog).

Foi aí que compreendi nosso hino: o gigante deitado em berço esplêndido é um dragão. Movido a gás natural boliviano. Expele grossas labaredas quando está furioso. Precisamos acalmá-lo e logo. Soube que o presidente Lula brincou com Platini que o Brasil poderia ter participado da Copa da França por ser vizinho de terras francesas, a Guiana. Então vi a luz. O presidente do Brasil deve pegar aquele envelope que o presidente da FIFA lhe deu e enviar dentro dele um convite para que La Paz , capital de terras vizinhas, seja a 13ª sede da Copa de 2014. Desde que, etc. etc.

*
Hoje descobri que Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa é fiha de Adoniran Barbosa; professora e tradutora, constantemente publicada por Ricardo Noblat.

sexta-feira, novembro 02, 2007

A propósito...

Para os nossos afetos

"Os Mortos Vivem

A comemoração dos mortos, hoje denominada Dia de Finados, tem origem na antiga Gália, no território europeu.

É comum no dia de hoje a intensa visitação aos túmulos. E se observam cenas interessantes. Existem os que se sentam sobre os túmulos dos seus amados, e ali passam o dia.

Para lhes fazer companhia. Como se, em verdade, eles ali estivessem encerrados.

Outros lhes levam comidas e bebidas. Para que se alimentem. Como se o Espírito disso necessitasse.

Outros ainda gastam verdadeiras fortunas em flores raras e ornamentações vistosas. Decoram o túmulo como se devesse ser a morada do seu afeto.

Tais procedimentos podem condicionar o Espírito, se não for de categoria lúcida, consciente, mantendo-o ligado aos seus despojos, ao seu túmulo.

Como cristãos, aprendemos com Jesus que a morte não existe. Assim, nossos mortos não estão mortos, nem dormem.

Cumprem tarefas e distendem mãos auxiliadoras aos que permanecem no casulo carnal.

Prosseguem no seu auto-aprimoramento, construindo e reformulando o mundo íntimo, na disciplina das emoções.

E continuam a nos amar.

A mudança de estado vibratório não os furta aos sentimentos doces, cultivados na etapa terrena.

São pais e mães queridas, arrebatados pelo inesperado da desencarnação. Filhos, irmãos, esposos - seres amados.

O vazio da saudade alugou as dependências de nosso coração e a angústia transferiu residência para as vizinhanças de nossa alma.

É hora de nos curvarmos à majestade da Lei Divina e orarmos. A prece é perfume de flor que se eleva e funde abraços e beijos, a saudade e o amor.

Para os nossos afetos que partiram para o Mundo Espiritual, a melhor conduta é a lembrança das suas virtudes, dos seus atos bons, dos momentos de alegria juntos vividos.

A prece que lhes refrigera a alma e lhes fala dos nossos sentimentos.

Não há necessidade de se ter dinheiro para honrar com fervor cristão os nossos mortos. Nem absoluta necessidade de nossas presenças ao lado das suas tumbas. Eles não estão lá.

Espíritos libertos, vivem no Mundo Espiritual tanto quanto estão ao nosso lado, muitas vezes, nos dizendo da sua igual saudade e de seu amor.

* * *
Se desejas honrar teus mortos, transforma em pães e peças de vestuário para crianças e gestantes pobres as quantias amoedadas que gastarias na ornamentação dos túmulos e em flores exuberantes.


Oferta-as em nome e por teus amados."


Redação do Momento Espírita.

quinta-feira, novembro 01, 2007

Com essas e "outras"

Termina Outubro...



Considerações: Hoje há costumes infantis tão diversos de quando eu era "criança"!... Pela segunda vez na vida ouvi o toque da campainha e eram crianças fantasiadas (esse ano nem tanto), avisando que eu deveria fonecer-lhes "guloseimas" por conta do dia das bruxas.

Nossa "aculturação" pela América do Norte não teve tempo de chegar à minha infância, e, foi o segundo ano em que fui surpreendida por esse simpático grupinho! - Nem ao menos sei se era o mesmo do ano anterior - por quê me esquivo de dizer: "passado"?

Surpresa é sempre boa, ainda mais quando é boa: assim linda! Trazendo crianças! Dá uma saudade da inocência...do não saber.

Infelizmente, pelo segundo ano, além da nostalgia, me trouxeram uma dor para além do consentimento - quando eu era assim, "tão imatura", o mundo das bruxas pertencia ao mundo dos livros; à fantasia de minha inocência, enquanto que a "inocência" das crianças que à minha porta bateram é contaminada...por uma cultura não "nossa" - creio que ela veio pela internet, preponderantemente.

Elas, essas crianças, tem as bruxas "dos outros" e não tem mais "Emília" - boneca de pano, com a qual crianças criativas criaram tanta maravilha e tornaram-se adultos com horizonte pleno de "futuro" - um presente para qualquer ser humano.

Nós precisamos tratar de instaurar o "dia dos anjos"...Anjos que batem às nossas portas, cheios de alegria pelo presente e pelo futuro.

Futuro tão desconhecido; tão mal definido.

"Emília, Emília...Emíliaaaaa!!!"

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