"Deus me respeita quando eu trabalho. Mas me ama quando eu canto."

domingo, setembro 30, 2007

Canção a caminho do céu

Cecília Meireles

Foram montanhas? foram mares?
foram os números...? - não sei.
Por muitas coisas singulares,
não te encontrei

E te esperava, e te chamava,
e entre os caminhos me perdi.
Foi nuvem negra? maré brava?
E era por ti!

As mãos que trago, as mãos são estas.
Elas sozinhas te dirão
se vem de mortes ou de festas
meu coração.

Tal como sou, não te convido
a ires para onde eu for.

Tudo que tenho é haver sofrido
pelo meu sonho, alto e perdido,
- e o encantamento arrependido
do meu amor.

sexta-feira, setembro 28, 2007

Inenarrável Amiga


Amor se paga com Amor, mas é difícil pagar amor como o seu.

Meu amor é pouco, pequeno, para retribuir o amor Seu.

Irmã do meu coração, Deus te guarde em grande amor, carinho e bem estar.

Meu pequeno grande Amor por Você.

Por tudo e por muito, muito obrigada!

quarta-feira, setembro 26, 2007

Madeleine, enquanto Nós ...


"...estamos cá dentro de Nós , sós.

Onde estará o meu amor?

Será que vela como eu?

Será que chama como eu?

Será que pergunta por mim?

Onde estará o meu amor?


Se a voz da noite responder,

onde estou eu, onde está você

estamos cá, dentro de nós, Sós.

Onde estará o meu Amor? "

"Maria Bethania"

Meu perpétuo voto de que você seja devolvida à sua vida.

Algum dia, de alguma forma, em algum lugar."

Será.

Jornalismo de nariz marrom

Por Reinaldo Azevedo

Espetáculo grotesco na TV Cultura

Já participei muitas vezes do programa Roda Viva, como sabem. Escrever a respeito tem lá seus incômodos. Mas é do jogo. Alguns gostam das minhas intervenções; outros as detestam. Lá como cá, faço o que acho certo. Já tenho todos os amigos de que preciso. Se arrumar mais alguns, não reclamo. Mas não escrevo ou faço questões para ser simpático. Função de jornalista é incomodar, amolar o entrevistado. Ou tudo vira ação entre amigos. Nos tempos da ditadura, lembro do Canal Livre, de Roberto D’Avila, hoje com programa na Cultura. Como existiam “eles”, os ditadores, e “nós”, os que obedecíamos, havia certo sentido no clima de compadrio. A idéia era criar uma espécie de consenso do lado dos que se queriam “os democratas”. O jornalismo, é evidente, perdia muito, mas todos os absolutos eram relativos debaixo do regime. Fazer encontros, hoje em dia, que se confundam com convescotes é prestar um desserviço ao jornalismo e ao telespectador.

Foi, infelizmente, o que aconteceu com a entrevista do rapper Mano Brown ontem. O resultado era esperado. Dos convidados, o único que poderia navegar na contracorrente era meu amigo José Nêumanne, que, visivelmente, a partir de determinado ponto da entrevista, desistiu de perguntar — na verdade, desistiu de participar do programa. Era inútil. Os demais — Maria Rita Kehl, psicanalista; Paulo Lins, escritor, professor de literatura e roteirista de cinema; Renato Lombardi, jornalista da TV Cultura; Ricardo Franca Cruz, editor-chefe da revista Rolling Stone Brasil, e Paulo Lima, editor da revista Trip, estavam ali para incensar Mano Brown. O que se viu ontem é o exemplo do que se espera de uma TV pública? Tomara que não! William Bonner e Fátima Bernardes entrevistando os presidenciáveis Luiz Inácio Lula da Silva e Geraldo Alckmin no Jornal Nacional, para muitos milhões de telespectadores, na principal emissora privada do país, trataram os dois políticos com o desassombro que uma bancada formada pela TV pública não conseguiu ter com... um cantor.

Assistimos foi à renúncia do jornalismo — além, claro, de um desempenho especialmente patético: o de Maria Rita Kehl, de que falarei mais adiante. Estou dando muita importância a uma entrevista de um rapper? Não! Estou dando importância ao nosso dinheiro, leitor, que sustenta a Fundação Padre Anchieta. Uma das muitas diferenças entre a Globo e a Cultura é que a primeira não lhe custa nada; é de graça. A outra é financiada com a grana que sai dos impostos que os paulistas pagam. O conceito de TV pública vem sendo propagandeado por aí como a grande solução e a grande novidade do Brasil. É mesmo?

Surpresa
Eu nunca tinha ouvido Mano Brown falar — e também nunca o ouvi... é “cantar” que se diz? A julgar (vejam notas que publiquei ontem) pelo que dele falam os “playboys” e as “playgirls” do jornalismo, esperava, sei lá, um verdadeiro “pensador do holocausto urbano” brasileiro; um Jean-Paul Sartre da filosofia que chacoalha nos ônibus e nos trens; quem sabe um Jesus Cristo vestido de motoboy. Nada! Mano Brown é só um Macunaíma com cara marrenta, um espertalhão que diz barbaridades na certeza de que uma certa aura de mistério o protege. Era como se o povo ele-mesmo tivesse sido chamado a sentar naquela cadeira, com todas as suas cicatrizes e suas histórias de privações. Esse é o mito mais caro e mais vagabundo da esquerda: a suposição de que o humilde adquire uma voz, assume a força de uma representação, e continua ainda a ser o... humilde que serve de modelo aos devaneios do burguês culpado, que sonha com o “bom rústico”, variante urbana do bom selvagem de Roussseau, o tonto. Era o que expressava o olhar embevecido, “interpretante”, de Maria Rita Kehl, de quem, por Deus!, falarei ainda hoje.

Se um dia tiverem um tempinho, ou um tempão, leiam Fausto, de Goethe. Um dos sonhos daquele homem culto, cínico e culpado é compreender a verdade camponesa. E ele compreende que o fundo da alma de todo homem talvez não seja digno de ser visto de perto. Na obra, isso tem algumas implicações que seriam também religiosas. Nem cabe aqui. Vou adiante só com Mano Brown. E com a falência do jornalismo, ao menos na noite de ontem e naquela roda sonolenta, mais morta do que viva, pronta à adulação. Por alguma razão que gostaria que os valentes me explicassem, Brown era digno de dar uma entrevista, mas não podia ser confrontado – se é que alguém ali tinha vontade de confrontá-lo. Nêumanne, antes de desistir, até tentou.

Dou muita importância a Brown? Não! Quem dá é o Roda Viva. Foi anunciado pelo apresentador do programa e presidente da Fundação Padre Anchieta, Paulo Markun, como “a voz da periferia pobre de São Paulo” que “ faz da sua música um protesto contra o racismo, o crescimento urbano caótico e a dura vida nos bolsões de pobreza da cidade”. Também chamou a atenção para o ineditismo da coisa: “Numa rara aparição na TV, Mano Brown está hoje no centro do Roda Vida. Ele é líder e vocalista dos Racionais MCs, grupo de rap que surgiu há mais de 20 anos no Capão Redondo, região de Campo Limpo, uma das áreas mais populosas e pobres da Zona Sul de São Paulo” Markun seguiu adiante: “A música dos Racionais MCs deixa claro o conflito entre o centro e a periferia, entre o Brasil dos incluídos e dos excluídos. O grupo se transformou numa expressão das idéias sobre consciência negra no Brasil e fez dessa percepção sua marca no rap brasileiro”.

Em seguida, entrou uma narração em off com a trajetória de Brown — enfim, um homem bom: “(...) já interrompeu shows para conter brigas na platéia e para fazer discurso contra o álcool, após ver um jovem bêbado entre os espectadores. Avesso às tecnologias, não sabe mexer em computador e se considera uma pessoa rústica. O caráter durão, herdou da mãe, que deixou com 12 anos a Bahia, após brigar com o pai dela. Classifica o povo brasileiro como pacífico, mas já afirmou que pegaria em armas para fazer uma revolução. Mano Brown raramente concede uma entrevista e quase nunca faz shows fora da periferia. Já declarou que seu verdadeiro público está lá; foi quem o colocou no topo e precisa ouvir o que ele tem a dizer. Atualmente, atinge também a classe média, falando de drogas e marginalidade”.

Como se vê, não era um rapper que estava ali, mas um líder, um representante do “povo”. Faz quatro meses, esse rapaz esteve no centro de um grave conflito de milhares da pessoa com a polícia, na Virada Cultural de São Paulo. Um dos motivos óbvios da confusão, além de suas letras francamente hostis à polícia (definida por ele ontem como “o maior inimigo” dos pobres), foi o fato de ele ter-se atrasado nada menos de 90 minutos para o show. Ninguém lhe perguntou uma vírgula a respeito. Acima, como se vê na apresentação da personagem, não se disse uma miserável linha. O jornalismo dava um jeito de limar os aspectos menos virtuosos de sua biografia. Bento 16, sentado ali, não seria poupado.

A resposta à primeira pergunta de Markun já denunciava o gigante. O jornalista quis saber se, nesses 20 anos, a realidade da periferia melhorou ou piorou. Dialético, Mano Brown mandou ver: “Eu diria diferente, diferente. Se eu disser que melhorou, pode parecer assim... Melhorou um grão de areia dentro do que a gente vê que precisa ser melhorado. Então eu me recuso a dizer que melhorou, mas também eu não sou não sou cego de não perceber mudanças. Mudou. Mudar, mudou, entendeu? Agora..." Aí Markun se encarregou de completar a frase, colaborando com o entrevistado: “Bem menos do que poderia ter melhorado”. Não só Mano Brown não é confrontado, como se dá um jeito de melhorar o que ele diz.

Aí entrou Maria Rita Kehl, a psicanalista deslumbrada com o seu “bom selvagem” – ou seu “bom rústico”. Ela lhe pediu uma reflexão sobre o MTST (o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) e o MST. O leitor pode se perguntar o que o rapper tem a ver com João Pedro Stedile. E daí? Kehl estava disposta a fabricar um revolucionário. Brown deixou claro que acompanhava de perto os movimentos do Capão Redondo. E só. Leiam trecho do diálogo:
Brown – As outras organizações, talvez eu acompanhe de longe.
Kehl – De longe, o que você acha do MST?
Brown – O que eu acompanho de longe é que tem um cara preso, certo? Lutando por uma causa que não é só dele, certo?, que é de milhões. Pelo que eu tou vendo, ele vai pagar sozinho, é isso?
Kehl – Não sei, acho que não. Há muita gente presa.
Brown – Tão querendo botar o cara preso porque ele está lutando por uma causa que é de muitos. Eu acho que... É o José Rainha, é isso?
Kehl – Isso.
Brown – Eu tenho de dizer que eu sou um cara que leio pouco, né? Sou mal informado sobre muitas coisas. Mas as coisas que eu me interesso, eu me informo, entendeu?

O entrevistado, vá lá, tem o direito de dizer quanta besteira quiser. Foi convidado. Os jornalistas – e também dona Kehl, mesmo sendo psicanalista – é que têm de corrigir as bobagens. Pela ordem:
1 - José Rainha não está preso, minha senhora. Está solto. E promovendo invasões;
2 - É mentira! Não há “muita gente presa”. Não por causa de invasão de terra;
3 - Rainha é hoje um livre-atirador das invasões; foi suspenso pelo MST. Suas ações não são reconhecidas pelo movimento. É simplesmente vergonhoso que um programa jornalístico não se encarregue de fazer as devidas correções. Ora, não era por acaso. Vejam lá: Brown foi apresentado como um líder político. Só Nêumanne, além de Markun, poderia dizer ali a diferença entre a Constituição e o livro de receitas da Dona Benta.

Grande momento
O grande momento do programa veio na seqüência. Numa pergunta oportuna, Paulo Lima quis saber: “E o que está acontecendo em Brasília? É um negócio em que você presta atenção, essa movimentação toda, esses escândalos de corrupção, você se liga nisso, acompanha de perto?
Brown – Não de perto, mas acompanho.
Lima – O que você está achando, por exemplo, da forma como o presidente Lula tem se posicionado diante dessas confusões envolvendo o PT, dessa denúncias de corrupção envolvendo o PT, dessas denuncias de corrupção e tal? Eu vi uma entrevista sua aqui dizendo que, talvez, o Lula estivesse melhor fora daquela cadeira de presidente, que, na sua opinião, é a cadeia mais solitária do país. Queria que você falasse um pouquinho do Lula especificamente.
Brown – É, eu gosto do Lula, sou eleitor do Lula, apóio o Lula, falo bem do Lula em qualquer lugar e não espero benefício por isso. Não conto com benefício do Lula ou que venha do PT. Se vier, firmeza, mas eu não espero por isso. Eu acho que o Lula é um cara que veio de baixo, certo? ELE SABE QUE DAR A CABEÇA DOS AMIGOS DELE PARA OS INIMIGOS, ELE NÃO VAI DAR. ELE VAI ESPERAR A JUSTIÇA SE FAZER POR CONTA PRÓPRIA. ELE ESTÁ SE POSICIONANDO CERTO. ACHO QUE NÃO É DA ÍNDOLE DELE ENTREGAR UM AMIGO DELE QUE DEU MANCADA, ENTENDEU? Ele não faria isso. Ele sabe o que é que é isso. Ele não faria isso. Agora, ele vai deixar descobrir. Se descobrir, é pau no gato, é lamentável.

Na seqüência, o petista Paulo Lins tomou a palavra para lembrar que a corrupção está em todos os Poderes – não só no Executivo, claro, claro – e em todos os lugares, inclusive entre empresários, jogadores de futebol. E Lins queria saber (na verdade, já respondia) se é muito difícil falar a uma criança pobre que ela tem de ser honesta.
Brown – Eu chego a dizer que eu nem considero ele [o ladrão] desonesto. Diante da realidade e das armas que eles têm pra lutar, das armas que eles aprenderam como meio de sobrevivência, eles são honestos. EU TENHO CERTEZA DE QUE, COM OS PARCEIROS DELES, ELES SÃO HONESTOS; COM A FAMÍLIA DELES, ELES SÃO HONESTOS; COM OS MANO QUE TÁ PRESO, ELES SÃO HONESTOS, TÁ LIGADO? Eles são honestos com quem é honesto com eles. QUANDO VOCÊ FALA QUE UM ASSALTANTE DE BANCO É DESONESTO, VOCÊ TEM DE OLHAR PARA A SOCIEDADE... SE A NOSSA SOCIEDADE É HONESTA. EU COSTUMO FALAR PARA OS MANO, QUANDO A GENTE TÁ CONVERSANDO, QUE A NOSSA SOCIEDADE É CRIMINOSA, É OMISSA; ELA É CEGA QUANDO QUER, SURDA QUANDO QUER. Omissão é crime. Na categoria de criminosos, tá todo mundo na mesma, é igual.

Markun ensaiou uma contestação...ZINHA: “Mas a saída não seria lei pra todo mundo?” E Brown: “Mas a lei não é pra todo mundo. Nunca vai ser pra todo mundo.” Nêumanne ainda não tinha desistido e lembrou de uma coisa óbvia: a maioria do povo é honesta, trabalha. E acrescentou: “O herói brasileiro é o que trabalha (...), que levanta às 4h da manhã, que caminha a pé até o trabalho, lutando com a maior dificuldade para ser honesto". E Brown: “Parece letra de rap isso que você está falando. É utopia igual. Infelizmente, na realidade, a gente sabe que os heróis estão cada vez mais humilhados, sem direitos, sem escolas, sem hospital. Então os moleque passa a saber que ser herói não vale tanto a pena, entendeu? Herói que só apanha?”. Nêumanne lembrou: "Mas o cara também que vai para o crime, a vida dele é curta. Ele tem um lucro imediato, mas, a longo prazo, ele não tem um benefício assim tão grande, não é, Mano?" Mano não respondeu. Veio em seu socorro Paulo Lins – professor universitário, roteirista, “favelológo” que decidiu falar ex cathedra: “A periferia não é tudo igual; nem todo mundo é igual. Quando uma pessoa vai entrando para o crime, quando você olha, se você vive na favela, quando você vê a família, vê o aspecto, você já sabe quem vai entrar e quem não vai entrar. (...) Geralmente, quem vai para a criminalidade é aquele que está em pior situação."

E pronto. O próprio Mano Brown se preparou, à sua maneira, para um embate que não veio. Confessou isso. Ele era um verdadeiro encantador daqueles que chama “playboys” – e, mais do que tudo, da “playgirl” da noite: Maria Rita Kehl.
- Mano Brown acha que os criminosos são inocentes;
- Mano Brown acha que os inocentes são criminosos;
- Mano Brown acha que Lula está certo em não entregar seus amigos;
- Mano Brown acha que bandido precisa é ser honesto com sua família e com seus amigos. O resto que se dane.
- Mano Brown está ocupando tempo numa TV pública para fazer a defesa de seus princípios civilizatórios;
- Mano Brown foi apresentado na TV pública como a voz dos oprimidos.

Ainda não estava contente. Para ele, o termo “traficante” está errado. O certo é “comerciante”. Ele não vê razão para prender o cara que vende cocaína e deixar solto o dono da Ambev – sim, ele afirmou isso com todas as letras. E ninguém disse nada. Questionou o que “fazia mais mal: um copo de 51 ou um cigarro de maconha”. E Paulo Lima não teve dúvidas: “um copo de 51”. Declarou, com a ajuda de Maria Rita Kehl, a polícia o maior inimigo do pobre. E, de novo, com ajuda da psicanalista e de Lins (parceiros no PT), lamentou a derrota de Marta Suplicy para Serra, definido como “aquele outro lá que não tá com nada”. Já sabemos que Brown gosta de Lula porque, afinal, ele não entrega os amigos. Está com tudo. Até aqui, estamos falando de um sujeito que faz a apologia descarada do crime. Mas ele também é um espertalhão.

Lombardi, outro jornalista presente, leu, quase comovido, o trecho de uma de suas letras. E quis saber o que ele significava. Sabem o que Brown respondeu? Que ele precisava rimar. Ou seja, não significava grande coisa. Paulo Lima perguntou sobre o tratamento dispensado às mulheres no rap (uma verdadeira escória) e sobre como era o seu relacionamento com a sua própria mulher, já que é um “caretão”, casado há muito tempo. “Minha mulher é uma coisa, e letra de rap é outra coisa”. Ah, bom... Putas são as mulheres dos outros. A dele, provavelmente, é honestíssima. Ele ainda teve tempo para defender o regime cubano; para dizer que negro é quem adota a “cultura” do negro (Existe uma? É o rap?), mesmo que, morando na periferia, seja branco”. Fiel a seu princípio de que a polícia é o principal inimigo, ainda refletiu: “Quem mora lá dentro e vira polícia não gosta daquilo”. Num dos posts, falei sobre a sua estranha gramática. Quando ele se esquecia da personagem, concordava sujeito e verbo e não devorava plurais. Quando se lembrava de ser Mano Brown, então baixava o homem rústico, que fazia Maria Rita Kehl sonhar.

Encerro
Foi um espetáculo grotesco. Menos por causa de Brown – afinal, o mais sensato da noite (já observei que Nêumanne desistiu de dar murro em ponta de faca) –, e mais por conta do jornalismo que se fez ali: deslumbrado, basbaque, adulador, contra qualquer noção de interesse público. Não! A polícia não é a principal inimiga do pobre – até porque composta também de homens pobres, que morrem aos montes. E alguém precisava contestá-lo. E não o fez. É uma vergonha que Lula (segundo Brown) não entregue seus amigos. E alguém precisava dizê-lo. E não o fez. É apologia da delinqüência chamar traficante de “comerciante”. E é uma obrigação moral afirmá-lo, mais ainda numa TV pública. E só se ouviu o silêncio. Se Brown, como ele próprio confessou, fala para “os mano” que a nossa sociedade é criminosa e considera que roubar não é crime – ele disse isso -, então está incitando a violência, fazendo a apologia do crime.

Vendendo a quantidade de discos que vende, para os padrões brasileiros, este senhor já é um homem rico. E não há mal nenhum nisso, é claro. Mas fala como se a pobreza pudesse justificar todos os seus desatinos. Caso alguém fosse à TV defender o extermínio de bandidos sem julgamento, o Ministério Público, muito justificadamente, denunciaria o atrevido. Mas, com Brown, não vai acontecer nada. E ele está, na prática, defendendo a violência contra o homem comum. É o que fazem os bandidos. Eis o utopista apresentado com pompa por certa imprensa, encantada com seus dotes de verdadeira voz da periferia – uma periferia à qual ele próprio já disse não mais pertencer.

O que viu nesta segunda foi o conceito de público ou como aquilo que nao é de ninguém ou como aquilo que pertence à patota. No país governado pela burguesia do capital alheio, assistimos às lições de moral da delinqüência que põe em risco a vida alheia. E tudo pago com o dinheiro dos “playboys”. O Mano é Brown. E o jornalismo saiu com o nariz marrom.

terça-feira, setembro 25, 2007

Resta pouco


Muito pouco...quase nada.

***

Ele pôde estudar, mas não quis

"Mano Brow no Roda Viva"


Quer saber? Até a confusão na Praça de Sé nunca eu tinha ouvido o nome de MB, mas não estranho, no mundo em que vivemos hoje, tudo é assim, tão passageiro, que a gente as vezes nem se dá conta do que veio e do que se foi.

Bem, tenho de reconhecer que nem rádio ouço e que jamais ouviria o tipo de "música" desses "jovens".

Não, ele não entrará para a história, nem da música - não creio. Não entrará nem ao menos para a estória seja lá do que for. Haverá registros sobre Tropicalia, que engloba muitos e bons - embora nem todos direitinhos - encontrei Caetano no Aeroporto e está meio torto, mais para o lado esquerdo do que direito, no quadril, mas já vi, assim, também, Glória Menezes, faz alguns anos - coisas de corpo de idoso.

Chico Buarque lindo e sem voz (sempre), de Agnaldo Rayol até Roberto Carlos, esses (os cantores), deverão entrar para a estória da música brasielira, mas não creio em Mano Brown.

Esse é vento, não tempestade.

Infelizmente não posso pensar o mesmo sobre Lula e PT, esses, eu creio, podem entrar para história, como "tornados" desse país, derrubando tudo o que estiver se antepondo a eles.

Por hoje, chega.

segunda-feira, setembro 24, 2007

Desfaçatez

Bloco das Verônicas
Por Ricardo Noblat
Não convidem para a mesma mesa José Sarney (PMDB-AP) e Renan Calheiros. “Ele faltou com a palavra”, desabafou Sarney, ontem, em Brasília, na festa de 50 anos do advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakai. Sarney ajudou Renan a salvar o mandato. Em troca, ele se licenciaria do cargo de presidente do Senado. Esperto, Renan passou-lhe a perna.

Registre-se que Sarney não foi o único ludibriado por Renan. Lula e o PT também foram, além de senadores de outros partidos. Aloizio Mercadante (PT-SP), por exemplo, está à beira de um ataque de nervos. Cabalou votos para absolver Renan da acusação de quebra de decoro certo de que ele cederia o lugar temporariamente a Tião Viana (PT-AC), vice-presidente do Senado.

Renan voltaria depois que o governo aprovasse a prorrogação até 2011 da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) que renderá ao governo a bagatela de R$ 39 bilhões. Para não ficar tão mal na foto, Mercadante preferiu se abster. “Não havia provas para condená-lo”, desculpou-se. Se não havia provas por que exige agora a saída de Renan da presidência?

Ora, porque havia provas, sim. E havia um acordo. O menor crime cometido por Renan foi o de mentir a seus pares ao dizer que tinha renda para pagar despesas de sua ex-amante Mônica Veloso. Mentir é quebra de decoro. Mercadante é uma das muitas Verônicas do Senado. A mulher de Renan se chama Verônica. Outra Verônica atende pelo nome de Roseana Sarney (PMDB-MA).

Na condição de líder do governo no Congresso foi Roseana quem primeiro alertou Lula para o risco de a CPMF ir pelo ralo se Renan fosse cassado. Dos 81 senadores, 19 são do PMDB. E parte deles se vingaria da cassação de Renan. Lula autorizou Roseana a garantir a Renan que ele seria salvo. Em retribuição, Renan entraria de férias para que o Senado votasse a CPMF em paz.

Roseana contou ao pai o que ouvira de Lula. E o pai procurou Renan. “Não confio no PT”, cortou Renan. Não confiava para se livrar do processo. E caso se livrasse, não confiava para enfrentar os próximos. Há pelo menos mais três. Uma vez que o fizesse longe do cargo de presidente do Senado, correria o risco de ser abandonado pelo PT e o governo. Era o que pensava.

Sarney, Roseana e o ministro das Relações Institucionais Mares Guia voaram certo dia para São Luís do Maranhão a convite da Vale do Rio Doce. Lá encontraram o ex-senador Gilberto Miranda, amigo de Renan. Foi Miranda que sugeriu a fórmula finalmente aceita por Renan. Os 12 senadores do PT votariam em bloco para inocentá-lo. Depois ele largaria o cargo por 60 ou 90 dias.

Nas contas de Renan, seis senadores do PT se abstiveram, três votaram com ele e três contra. Não foi o combinado. Acordo desfeito, portanto. Ocorre que o Bloco das Verônicas está furioso e agitado. Ganha novas adesões. E não será fácil para Renan enterrar o processo onde é acusado de ter comprado com dinheiro de Caixa 2 um jornal e duas emissoras de rádio em Maceió.

Os 35 senadores que votaram pela cassação de Renan continuam empenhados em vê-lo pelas costas. Nunca na história deste país o Senado foi tão criticado. Renan sempre disse que ele e o Senado eram uma coisa só. Pois é o que ficou parecendo de fato.

Linda Primavera!

sábado, setembro 22, 2007

Tem vez, eles também Viajam...

Por Reinaldo Azevedo


Mantega deixa claro por que a oposição deve dizer “não” à CPMF
Estava demogarrrando, não é?O ministorrro da Fazenda, Guido Mantega, ocupou a Rende Nacional de Grrrádio e Televisão parra exaltarrr as gorrórias da economia bragsileigrrra. Nunca antes neste país fomos tão felizes.Vá lá. Mantega não chegou a serrr mais entusiasmado com os númegrrros do IBGE do que certa imprrrensa. Não foi um prrronunciamento de estado, não. Foi porrroselitismo mesmo. E ele ainda porrrometeu mais benefícios.Parrrece que o ministorrro Guido Mantega está mesmo montado na bufunfa. Está sobogrrrando dinheirrro.Se está sobogrrrando, então não perrrecisa que as oposições lhe dêem a CPMF, cerrrto?A sérioOlhem aqui: a fala de Mantega é, obviamente, uma provocação. Foi a TV prometer mais e novos benefícios, deixando claro que tudo é uma questão de vontade do presidente Lula. Estão está certo. Que aprove sozinho a CPMF. Por que digo isso?Ora, já vimos que os benefícios da contribuição estão sendo privatizados pelo PT ainda antes da sua aprovação. Por que dividir com as oposições o ônus de uma contribuição impopular?

Uma pena!


Mantive a escrita colhida do blog de um grande conhecedor de nosso idioma. Ele se emocionou e cometeu várias "indevindades", se isso existe eu não, sei, apenas sei que quando escrevo, cometo muito esse pecado, principalmente se estiver revoltadoa , como com ele parece ter ocorrido - e creio que sim, tragado por sentimento.

Tanto quanto ele, eu, dentre outros brasileiros, estamos revoltados com certas tomadas políticas. Coisas que apequenam um povo, para a sobrevivência de um único de nós, mas que sabemos, não de faltar ao "decoro", sabemos Nós, ele faltou em carácter, a menos, que Nós, como povo, passemos a admitir que toda falta de caractér é própria de Nós.

Super-interessante!






Por Míllor



O ser humano é o único animal que usa óculos escuros. E nem era necessário. A vista humana é naturalmente adaptável à maior escuridão, e à maior claridão. Quer dizer, menos ao sol da praia; aquele sol de quarenta graus à sombra, esse exige proteção. E também à fama moderna, que precisa de ocultar a fama. Tem mais: a vista não se adapta à ressaca etílica, também chamada carraspana. Nesses casos a luz entra direto nos extremos nervosos da retina e dói paca. Desses vários fatores cresceu a glória dos óculos escuros. Mas, ao beneficiarem a vista, os óculos escuros começaram a afetar também a expressão corporal, pois você tropeça aqui e ali exatamente porque, na sombra, esqueceu que está de óculos (escuros). Paralelamente a isso, estudando isso, os cientistas verificaram que, na comunicação entre sexos opostos (e até entre alguns apenas justapostos), a maior parte das informações é transmitida pelos olhos: 30% vêm das sobrancelhas, 20% das pestanas, 23% dos movimentos dos bugalhos (a bola branca do olho que serve pros ignorantes confundirem alhos com bugalhos), e o restante dos óculos escuros, que a mulher usa pra te examinar sem você saber que está te vendo. Pois é; e ainda nesses óculos se disfarçam e se ocultam outras tendências e intenções femininas. A mulher já ritualizou e simbolizou o uso dos óculos escuros e você tem que prestar atenção pra saber o que ela pretende quando usa os óculos já não nos olhos, mas na testa, no antebraço, na manga da blusa, ou até largados inocente e displicentemente no colo ou no decote. Esses usos são ditados por razões psicológicas, tais como... Olha, ainda não sei bem, preciso aprofundar um pouco mais as minhas observações. Que, desde já, são auto-irônicas. Exemplos: outro dia eu almoçava com uma jovem – bem jovem, por pouco seria dimenor – e ela ria que ria de tudo que eu falava. Impressionado com meu próprio espírito, e com o encanto que provocava, de repente me dei conta de que ela estava de óculos escuros. E pensei: "Está me vendo 10 anos mais moço". Isso, é natural, fez com que eu me sentisse 10 anos mais moço. Ao todo 20 anos. Mas, concluí, sábio e melancólico: mesmo assim não adianta nada. Foi em maio de 1997.



sexta-feira, setembro 21, 2007

Em contraste

Sempre a Vida

A minha,

A Sua

A Nossa...

Estar sem fim.

Ao fim quiméra,

Melnacolia e espera.

Uma Maravilha quando a vida é Maravilhosa!





Em tudo,

por tudo

é quando a arte prepondera.




Será que existe alguma coisa mais lúdica e bela do que um lindo vestido de água!?





quarta-feira, setembro 19, 2007

Como é bom ser abraçada pelas letras de um poema, uma canção, uma emoção!...Por Um Amigo!





Minha homenagem a Raul , que me abraça e conforta com seus escritos...


Seu amor e seu muito carinho!



Onde está Você?



"estamos cá dentro de Nós, sós" - a nos perguntar:
"Onde estará o meu amor?"

Muito boa, Lucia!

Lucia Hipolito

A etiqueta coronelista

Por proposta do senador Aloísio Mercadante, a bancada do PT no Senado está sugerindo que todos os processos contra o senador Renan Calheiros sejam reunidos num só, com diferentes relatores para avaliar as diferentes denúncias.

Vamos recordar aqui o que ainda pesa contra o senador Renan Calheiros.Pelo menos até aparecer a próxima denúncia, o presidente do Senado Federal – e do Congresso Nacional – tem que responder às seguintes acusações:

1. favorecimento à cervejaria Schincariol, atuando como lobista da empresa junto a órgãos arrecadadores de impostos federais;

2. compra de emissoras de rádio em sociedade com o usineiro João Lira. As tais emissoras teriam sido compradas em nome de laranjas, segundo depoimento do próprio ex-sócio de Renan;

3. participação em esquema de desvio de dinheiro público e recebimento de propinas em ministérios administrados pelo PMDB envolvendo aí também o senador Romero Jucá, ministro da Previdência à época em que as ilicitudes teriam sido cometidas.

Segundo os senadores petistas, o objetivo de juntar todas as denúncias num só processo visa agilizar a tramitação, uma vez que o réu é um só.

Mas aliados e opositores de Renan estão divididos quanto à proposta do PT.

Tem gente que acha que faz sentido abreviar a desmoralização do Senado, votando logo tudo de uma vez.Tem gente que acha é uma manobra do PT para tirar das costas do partido a responsabilidade por ter absolvido Renan Calheiros.

Tem gente que acha que é uma forma de o senador Mercadante limpar a própria barra, justificando sua abstenção no dia da votação.

Tem gente que acha que é importante votar denúncia por denúncia, para manter o senador Renan Calheiros nas cordas o maior tempo possível.

A mais curiosa é a reação de aliados do senador Renan Calheiros.

Querem também que seja julgada denúncia por denúncia, para que Renan possa destruir cada uma delas e construir uma vitória incontestável.

Isto combina bem com a atitude do senador Renan Calheiros depois que foi absolvido.

O presidente do Senado tem feito questão de não esconder que está por cima da carne seca.

O dr. Tancredo Neves ensinava que o bom político deve ser magnânimo na vitória. Não tripudiar nem pisar no pescoço do adversário vencido.

Mas isso era no tempo em que a política brasileira ainda mantinha alguma elegância e algumas regras de bom convívio.

Nada a ver com a truculência arrogante de coronel alagoano.

terça-feira, setembro 18, 2007

Monkey

Depois da viajar pela Europa, Lula fará escala técnica no Brasil!!! E o Aerolula foi apelidado de "pinga-pinga"!!!

Entre flores & Amores


Dia muito feliz em nossas vidas! Nós, que muito compartilhamos, seguidamente há tanto tempo, pudemos desfrutar desse momento de tanta felicidade no presente.

Obrigada, Senhor, por esse presente tão lindo e que foi tão comemorado em nossos corações.

Foi algo muito especial estar no casamento dessa noiva! A noiva mais alegre que vi na vida, alegre como em todos os dias, mas nesse, especialmente feliz.

Dá para percebermos em seu rosto, não é? Sim, eu sei que sim.

(09, 01, 2007)

Crise!????

Lula prometeu mudar a geografia mundial. E cumpriu!





Por Reinaldo Azevedo
É verdade. Eu estou sendo muito severo com Lula.Só porque ele diz que a crise não vai sair dos Estados Unidos, atravessando o Atlântico, para chegar ao Brasil que o homem não sabe geografia.
Vejam acima. A crise pode sair da Costa Oeste dos EUA pelo Pacífico e chega à China, varrendo, na passagem, também a Rússia. Muda um pouco de curso, desce pelo índico, massacra os cangurus da Austrália e liquida com os emergente indianos. Entra na Europa pela Turquia e devasta o Velho Continente. Salta para o Marrocos, faz o seu estrago na África e... Está pronta para atravessar o Atlântico e colher Banânia em cheio, como um tsunami.Mas isso não vai acontecer.
Quem estará na praia, com a lança em punho?Apedeutakoba 1º. Dizendo pra Bush: “Aqui não, negão!”
"Cá entre nós"
Difícil encontrar um ser tão híbrido!
Nosso "pre", primeiro e único!
Sim, se Deus nos desobrigar de padecer "no paraíso" para todo o sempre.

domingo, setembro 16, 2007

Ferir, ato proposital


Nós sonhamos sempre e em nossos sonhos somos tão bons, meigos, as vezes assustados.

Acordados, sonhamos que somos gentis, amáveis, caridosos - nossa meta.

Na verdade, nossos sonhos, dormindo ou em alerta, não fazem sombra à realidade.

Por tudo e por muito, somos levados a criticar o outro

Nunca o outro somos Nós.

Nós, sou eu e é você, alguém que fere sem querer ferir, embora tenhamos o poder de dar um golpe mortal.

O outro, alguém externo de Nós, pode ser um espelho - "Espelho, espelho Meu...", em geral é alguém que peca por amor, por carinho, tanto quanto por maldade.

Esse outro nos leva a desníveis desestabilizadores, porque em muitos casos, esse "outro" nos ama muito mais do que Nós a Nós mesmos.

Não é fácil conviver com o amor e com o outro! Eles nos requisitam e tentam nos energizar e esse movimento pode confranger toda uma relação...uma vida.

O outro e seu amor, ao tentar nos salvar, nos apela à defesa, a resguardar mazelas, por já não sabermos mais viver sem elas; por estarmos enclausurados em nossa dor.

Feridas contagiosas não são nem inéditas e tão pouco raras.


AMC

sábado, setembro 15, 2007

Sonho Impossível....



Sonho impossível é isso
Saber tão pouco e desejar "tanto" do saber.
Sonho impossível é desejar ser o que não mais está ao alcance,
nem em posses, nem em tempo...

Sonho impossível é despertar para além do amanhecer.

AMC

*

O bom da vida é Viver!


Para isso estamos por aqui: para aprender.


Aprendamos, pois, embora tarefa nada fácil!



Assim termina a semana...

Pena que essa lógica precisa não tenha chegado ao Senado!


Carta às senadoras e aos senadores da República
Excelências


É certo que o país é maior e mais importante do que a votação de logo mais; seria injusto com o Brasil e com os brasileiros que se tomasse o resultado ou como uma sentença de condenação ou como o augúrio de um novo tempo, em que, então, todas as iniqüidades estarão vencidas, com a constituição de uma República só de justos. A história não se faz assim.

Se o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) preservar o seu mandato, a história não chega a termo, num fim trágico; se for cassado, não teremos vencido todas as nossas mazelas. Mas cumpre que Vossas Excelências tenham muito claro: sua resposta ao relatório dos senadores Renato Casagrande (PSB-ES) e Marisa Serrano (PSDB-MS) dirá em que país pretendem viver e em que país pretendem que vivamos nós, os brasileiros corriqueiros; aqueles que não representam, mas que são representados; aqueles que lutam cotidianamente para ter uma vida digna, decente, honesta, esforçando-se para passar aos filhos esses mesmos valores. Somos um povo honrado, senhores senadores. O voto de cada um dos senhores dirá quão veloz a Casa espera que o país se encontre não com o seu destino — que isso costuma ser retórica vazia —, mas com suas reais possibilidades.

Não, vocês não são homens e mulheres perfeitos — e nenhum de nós é. Não, vocês não são homens e mulheres sem pecados — e nenhum de nós é. Sim, vocês são demasiadamente humanos — e todos nós somos. Por isso mesmo, porque somos todos falíveis, precisamos de instituições fortes, respeitadas, alçadas acima das nossas vontades mesquinhas, para nos pôr freios, para nos advertir dos limites, para nos indicar os caminhos. O senador ou senadora da República não estará julgando transgressões ou vícios privados; não estará arbitrando sobre as escolhas morais de cada um; não estará legislando sobre as falhas de todos nós. Atenção, Excelências: os Senhores e as Senhoras estarão dizendo qual é a tolerância para transgredir os limites das instituições.

Sim, este texto assume um tom mais grave do que o habitual. Porque há a hora, Senhoras e Senhores, em que precisamos ser graves. Esse texto apela a uma certa retórica passadista. Porque há a hora, Senhoras e Senhores, em que precisamos apostar no futuro lembrando que temos um passado — a Casa em que vocês estão tem história. Este texto não busca fazer com que vocês se indignem com crimes; antes os quer amantes exaltados da instituição e procuradores do decoro. O decoro que faz homens e mulheres, mesmo imperfeitos, dignos desta Casa — mormente se pretendem presidi-la.

O líder tem o dever do exemplo; o líder é o farol e é o guia; o líder é o que avança com coragem contra as dificuldades. E, pois, não lidera quem já não pode ser exemplar; não lidera quem faz de meias-verdades mistificações inteiras; não lidera quem se escuda em privilégios que foram conferidos pelo voto para negar a essência da representação.

Todas as possibilidades de defesa, sabem bem Vossas Excelências, foram dadas ao senador Renan Calheiros. De todas as formas possíveis em que leis, códigos, regimentos, tradições puderam ser usados em seu benefício, eles o foram. Na presidência do Senado, cargo que fez questão de manter, mobilizou a estrutura da Casa em seu benefício.

Infelizmente, o senador Renan Calheiros confundiu obstinação com moral reta; desqualificação adjetiva de provas com inocência; a denúncia de complôs fantasiosos com a expressão pura da verdade.

Nessa trajetória, não ia apenas degradando o mandato que lhe conferiu o povo de Alagoas. Não! Era a própria presidência do Senado — e, portanto, a instituição — que se ia, pouco a pouco, aviltando, pequena, acrisolada na mediocridade defensiva, tolhida por uma impressionante avalanche de meias-explicações e personagens obscuras sempre se esgueirando nas sombras de uma legalidade precária, duvidosa. Renan arrastava consigo a história do Poder Legislativo.

Parafraseando Karl Marx a comentar as desventuras de Luís Bonaparte, o senador Renan Calheiros tornou-se vítima de sua própria concepção de mundo: o bufão sério não tomou a história do Senado como uma comédia, mas a sua própria comédia como se fosse a história do Senado. Preservem-se, Senhoras e Senhores, desse fatalismo místico com que ele pretende revestir a sua resistência. Renan está certo de que há certas forças às quais um senador da República jamais resiste: o poder, o prestígio, as glórias de ser amigo do rei. Cumpre que Vossas Excelências, hoje, lhe digam o contrário. E isso significará ao conjunto dos brasileiros um sinal de esperança; uma aposta num futuro mais digno; um gesto presente demonstrando que, nessa Casa, nem tudo é permitido.

O resultado da votação de hoje dirá a disposição que os membros dessa Casa têm de estabelecer um diálogo franco, aberto, honesto, com a sociedade — ou, pelo avesso, o seu estado de alienação, de alheamento, de verdadeiro divórcio entre as expectativas de um povo honrado e seus representantes. Olhem à sua volta. Por que tantas medidas de segurança? Por que tantas proibições, tantas interdições, tanto esforço para tolher a comunicação? A consciência de cada senador não reside no silêncio dos cemitérios, mas na história viva do povo que ele representa. Ao se proibirem celulares e computadores, não se quer fazer de Vossas Excelências bons juízes; antes, faz-se um esforço para impedir que o Brasil entre nessa Casa.

Dêem uma chance ao Brasil e dêem uma chance ao próprio homem Renan Calheiros dizendo: “Vossa Excelência, como senador da República, errou. E aqui julgamos o senador, não o homem”.

Finalmente, lembro que Renan, numa frase infeliz, disse ter sido vítima dos excessos da democracia. Foi um mau professor. Mas eu lhes ofereço um bom: Tocqueville, em A Democracia na América, afirmou que os males da liberdade se corrigem com ainda mais liberdade.

Aprendamos, então, a ser livres.


Por Reinaldo Azevedo

Quem são?






Quem são, e, como serão, os muitos "nós" viventes dentro Nós!?

sexta-feira, setembro 14, 2007

Como posso voltar a ter paz?

...Queria tanto acabar com este nevoeiro,
transformá-lo em círculo azul, bem ao Sul,
queria ver as fadas dançarem
nesta noite sem fim.
E ao exalar do jasmim,
Aisling e Aine, na pedra solar,
poder calar toda a minha dor.

Queria muito, doces rainhas das Fadas,
retornar, mesmo em sonho,
em instante de névoa,
no fundo perdido da clareira,
para os braços do meu único amor...


Parte de:
"Dança das Fadas - Poesias de Hàmilid"

Força & Coragem

Homenagem aos que resistem

É preciso ter força para ser firme,
mas é preciso coragem para ser gentil.

É preciso ter força para se defender, mas é preciso coragem para baixar a guarda.

É preciso ter força para ganhar uma guerra,
mas é preciso coragem para se render.

É preciso ter força para estar certo,
mas é preciso coragem para ter dúvida.

É preciso ter força para manter-se em forma,
mas é preciso coragem para ficar de pé.

É preciso ter força para sentir a dor de um amigo,
mas é preciso coragem para sentir as próprias dores.

É preciso ter força para esconder os próprios males,
mas é preciso coragem para demonstrá-los.

É preciso ter força para suportar o abuso,
mas é preciso coragem para fazê-lo parar.

É preciso ter força para ficar sozinho,
mas é preciso coragem para pedir apoio.

É preciso ter força para amar,
mas é preciso coragem para ser amado.

É preciso ter força para sobreviver, mas é preciso coragem para viver.

Se você sente que lhe faltam a força e a coragem, queira Deus que o mundo possa abraçá-lo hoje
com seu calor e Amor !

... e que o vento possa levar-lhe uma voz e pedir:
Para que o seu exemplo de força e coragem,
continue nos contagiando.


Autoria: desconheço

quinta-feira, setembro 13, 2007

Tabacaria (II)

por Reinaldo Azevedo


...Aliás, há muita gente lamentado o fato de eu “defender o cigarro”. Não defendi. Leiam. Critiquei o que costumo chamar de “furor legiferante” e essa tendência de usar a saúde como pretexto para regular as escolhas individuais. São coisas bem diferentes. Já disse: criem-se estabelecimentos de lazer onde se pode e onde não se pode fumar. Deixem que os consumidores escolham. No caso dos prédios, mesmo os públicos, é perfeitamente possível fazer fumódromos eficientes. A vida em sociedade supõe administração de conflitos e respeito a minorias. O que elas não podem é tentar impor um padrão. Mas aqui a conversa já seria bem outra.

Os não-fumantes militantes podem estar começando a criar uma séria armadilha. “Ah, o cigarro onera o sistema de saúde”. É até possível. Mas também o consumo de gordura, o sedentarismo, a obesidade, algumas doenças congênitas... Digam-me aqui: vocês não temem uma sociedade que se vá constituindo, assim, tão “salubremente correta”? Não tarda o dia em que alguém proponha que os planos de saúde, por exemplo, só valham para pessoas saudáveis. Seria um bom caminho para esvaziar os hospitais, não é mesmo?

O curioso é que, em contraste com isso, as minorias que assumem uma fachada militante têm cada vez mais “direitos” na sociedade. Peguem o caso dos recursos consumidos no combate à Aids. Ai de você se chegar a sugerir que uma parte ao menos da progressão da doença se deve a um comportamento irresponsável. A acusação não tarda: “preconceito”. Ainda que não seja; ainda que se esteja apenas lembrando o óbvio: as pessoas fazem escolhas. Ninguém escolhe ficar doente — mas existem, é inegável, comportamentos que são de risco.

Cigarro faz mal? Sim. Os não-fumantes têm o direito de reclamar? Sim. Devemos banir os que fumam do convívio social? Eu acho que não. Parece-me que esta é só uma causa facilmente manipulável. Taí uma minoria que não vai se organizar e que nem mesmo tem ambições de formar uma subcultura. As chamadas drogas pesadas já renderam literatura, música, moda, hábitos... O cigarro é pobremente corriqueiro. Esmague um fumante, e ninguém vai reclamar.

Minha opinião

Não, não é por eu ser fumante, mas concordo integralmente com o jornalista: ao indíviduo a sua individualização e não discriminação.

Abolir os fumódromes!? Bem, quem sabe "Temporão" possa compor algo para eliminar espaços exclusivos para "GLS's" e nos desescluir de pagarmos pela aids alheia!? Quem sabe, criar um pequeno e apertado espaço para "obesos"!? Talvez eles se sentissem tão apertados que comessem menos e dessem menos despesas para o Estado...

Ontem o JN apresentou uma substanciosa apreciação: trabalhamos nove meses para nos mantermos na classe média (classe desprezada pelo presidente do país), o que mais eles querem? Se o seu cigarro o enfartar, será o seu plano privado que irá arcar com o ônus do seu vício, não o governo.

É preciso fiscalizar as "bolsas governamentais" e verificar quantos são os beneficiados, por elas, fumantes desse despaiz.

Esses, precisam mesmo, ser alertados de que "fumar causa prejuizo ao governo".

Governo que, aliás, é financiado pela "desclassificada" classe média!

Cuidem-se todos porque o demônio soltou suas amarras e ele dará conta não apenas de Nós, mas de todos Nós.

Democracia em Risco

EDITORIAIS

Enviado por Folha de S. Paulo -

13.9.2007

Absolvido em segredo

O dia em que o Senado livrou Renan Calheiros da cassação é um momento vergonhoso na história do Legislativo brasileiro

Cento e dez dias depois de reveladas suas ligações com o lobista de uma empreiteira, num episódio a que não conseguiu dar explicações minimamente satisfatórias; após uma seqüência devastadora de notícias a respeito do crescimento vertiginoso de seu patrimônio pessoal; cercando-se de uma vacilante pilha de notas fiscais suspeitas; valendo-se da própria influência do cargo para dar um curso favorável ao processo; protegido pelo corporativismo, pela pequenez e pela covardia da maioria de seus pares, o senador Renan Calheiros obteve ontem, entre quatro paredes, um vergonhoso e temporário prolongamento de sua sinuosa trajetória política.

A decisão que o beneficiou não interrompe a corrosão de sua imagem, dada a quantidade esmagadora de denúncias que se seguiram ao primeiro escândalo. Ainda que salvo, desta vez, o seu mandato, Renan Calheiros não reúne as mais elementares condições políticas para manter-se como presidente do Senado.

Tudo se fez para dar maior conforto e tranqüilidade aos defensores do presidente da Casa. Proibiu-se o uso de celulares durante a sessão, realizou-se uma varredura eletrônica no plenário, arrancaram-se microfones da sala. Procedimentos de sigilo que caberiam melhor numa reunião entre lideranças da contravenção do que em plenário de um dos Poderes da República.

Mais do que nunca, evidenciam-se o anacronismo e a vergonha de uma blindagem normativa que, a despeito de muita condenação retórica, mantém-se intocada a cada uma das sucessivas crises éticas que atingem o Congresso.

Quando virá a próxima? Mais que concentrar, numa única jornada deliberativa, todas as esperanças e frustrações inerentes a um conflito entre o interesse público e o corporativismo, trata-se de tomar os acontecimentos de ontem como uma etapa particularmente revoltante num difícil aprendizado civilizatório.

Uma sociedade ainda pouco organizada, cindida por graves desníveis de renda, escolaridade e informação, cuida de enfrentar, a duras penas, um tipo de comportamento político fundado no sigilo, no compadrio, no paternalismo, na chantagem e no tráfico de influências.

A estreita margem de votos com que se deu a deliberação demonstra o momento transicional ainda vivido no país. Tivemos, sucessivamente, a cassação de José Dirceu e Roberto Jefferson e a absolvição de muitos mensaleiros; a reeleição de alguns deles e a derrota de outros; a dura decisão do STF nesse mesmo escândalo e o relativo esquecimento em que caíram outros flagrantes de desmandos no Executivo, no Legislativo e no Judiciário, no plano federal, nos Estados e nos municípios.

Pela decisão tomada, e pelo muito que nem sequer chegou a ser avaliado -mais três representações contra Calheiros foram encaminhadas ao Conselho de Ética-, o dia de ontem fica marcado como um momento vergonhoso na história do Legislativo brasileiro.

Mudar essa história não é tarefa, entretanto, para um único dia; na indignação pública que suscita estão as forças para levá-la em frente.

Minha decepção é imensa!

quarta-feira, setembro 12, 2007

Aprendizado



Uns aprendem a nadar

outros a dançar, tocar piano, fazer tricô e a esperar

Na infância cai-se para aprender a andar, cai-se do cavalo e do emprego aprendendo a viver e a cavalgar

Em alguns aprendizados chega-se à perfeição

Em alguns

No amor, não....


Autor: Afonso Romano de Sant'anna

Falhei...falhamos

Como veículos, velhos carros, cheio de defeitos, falhamos ao longo da estrada.
Sem planos, faróis, mapas...
Falhamos.
Falhamos para a condução do que eu sou e do que você é.
Falhamos em relação ao que você foi e no que se transformou;
Falhamos no esperado "eu seria", e no que me transformei.
Falhamos em sermos "educandos".
Falhamos, sem sabermos porque nós falhamos tanto.
Falhamos...de resto, resta nos tranformamos.
No mais, desejo que sua viagem seja tudo o que espera dela!
Meu abraço saudoso ao velho mundo...que não vejo há três anos!
Me quedo aqui com minha gratidão, a você e a Deus, por ter visto muitas partes dele, e, por isso sou-lhe muito grata, além de tudo mais.
Uma pena eu não saber demonstrar o quanto!
AMC

Conto com Razão e Justiça


Se a justiça preponderar à guisa desse "exemplo", muito lucraremos, não será hoje, imediatamete, mas para os netos que vocês têm e eu não, eles lucrarão imensamente!

Está chegando a hora de resgatarmos a "civilidade", porque até isso, essa criatura nos tirou. Defendamo-nos!

Resgatemos a nossa postura cível.

Será hoje.

Adiamento

Álvaro de Campos

Depois de amanhã, sim, só depois de amanhã...
Levarei amanhã a pensar em depois de amanhã,
E assim será possível; mas hoje não...
Não, hoje nada; hoje não posso.
A persistência confusa da minha subjetividade objetiva,
O sono da minha vida real, intercalado,
O cansaço antecipado e infinito,
Um cansaço de mundos para apanhar um elétrico...
Esta espécie de alma...
Só depois de amanhã...
Hoje quero preparar-me,
Quero preparar-rne para pensar amanhã no dia seguinte...
Ele é que é decisivo.
Tenho já o plano traçado; mas não, hoje não traço planos...
Amanhã é o dia dos planos.
Amanhã sentar-me-ei à secretária para conquistar o mundo;
Mas só conquistarei o mundo depois de amanhã...
Tenho vontade de chorar,
Tenho vontade de chorar muito de repente, de dentro...
Não, não queiram saber mais nada, é segredo, não digo.
Só depois de amanhã...
Quando era criança o circo de domingo divertia-me toda a semana.
Hoje só me diverte o circo de domingo de toda a semana da minha infância...
Depois de amanhã serei outro,
A minha vida triunfar-se-á,
Todas as minhas qualidades reais de inteligente, lido e prático
Serão convocadas por um edital...
Mas por um edital de amanhã...
Hoje quero dormir, redigirei amanhã...
Por hoje, qual é o espetáculo que me repetiria a infância?
Mesmo para eu comprar os bilhetes amanhã,
Que depois de amanhã é que está bem o espetáculo...
Antes, não...
Depois de amanhã terei a pose pública que amanhã estudarei.
Depois de amanhã serei finalmente o que hoje não posso nunca ser.
Só depois de amanhã...
Tenho sono como o frio de um cão vadio.
Tenho muito sono.
Amanhã te direi as palavras, ou depois de amanhã...
Sim, talvez só depois de amanhã...
O porvir...
Sim, o porvir...


Eu sobre mim.

segunda-feira, setembro 10, 2007

Linda Mãe Maravilhosa


Espero que veja lindo assim seu canteiro desejado.

Meu amor, minha saudade e a certeza de que ainda haverá de me dar sua mão, quando, também eu, atravessar esse caminho.

Que o Santo Senhor tenha você em um lindo "canteiro de flores"!

Para Sempre Saudade




A Morte não é Nada
" Santo Agostinho "


"A morte não é nada.
Eu somente passei
para o outro lado do Caminho.

Eu sou eu, vocês são vocês.
O que eu era para vocês,
eu continuarei sendo.

Me dêem o nome
que vocês sempre me deram,
falem comigo
como vocês sempre fizeram.

Vocês continuam vivendo
no mundo das criaturas,
eu estou vivendo
no mundo do Criador.

Não utilizem um tom solene
ou triste, continuem a rir
daquilo que nos fazia rir juntos.

Rezem, sorriam, pensem em mim.
Rezem por mim.

Que meu nome seja pronunciado
como sempre foi,
sem ênfase de nenhum tipo.
Sem nenhum traço de sombra
ou tristeza.

A vida significa tudo
o que ela sempre significou,
o fio não foi cortado.
Porque eu estaria fora
de seus pensamentos,
agora que estou apenas fora
de suas vistas?

Eu não estou longe,
apenas estou
do outro lado do Caminho...

Você que aí ficou, siga em frente,
a vida continua, linda e bela
como sempre foi."

Augusto

Mãe, querida, saudade imensa!

domingo, setembro 09, 2007

A Nós


"A todas as vozes que desaprenderam preces,
ou mesmo que jamais aprenderam.

A todas as solidões individuais ou partilhadas, gritadas, colhidas ou caladas,
nos corações e nas almas.

A todas as buscas que levaram
a encontros, perdas ou abandonos.

A todos os silêncios de gestos e palavras
que encobriram impossibilidades, refúgios,
medos ou ausências... E, principalmente,
aqueles que disseram mais do que palavras.

A todos os braços e abraços
que acolheram, aqueceram e ampararam,
nos momentos em que a perda já parecia certa
e o abandono das forças de luta
era aparentemente
a única possibilidade de resposta...

Aos sorrisos esboçados
ou assumidos que coloriram os rostos
e enfeitaram o mundo.

A todas as crianças crescidas e pequenas
que viveram momentos de descoberta
e não morreram para o aprender.

A todo o Amor que nasceu e morreu,
mas que teve seu espaço de cor,
força e brilho nas faces, corações e corpos.

A todas as músicas e versos que os artistas,
ou não, exprimiram com suas emoções
e nos ajudaram a compreender
e comunicar melhor as nossas...

A toda voz ou carícia que não se negou,
que ouviu o apelo e respondeu
com sua existência,
sua expressão sua proximidade.

A todas as orações desesperadas,
suplicantes ou agradecidas.

A todos os "becos sem saídas"
que deram em novos caminhos
e em outras possibilidades.

A todos os desesperos
que tiveram a grandeza de pedir ajuda
e dar a enorme descoberta
de serem conhecidos na partilha
e no calor de um olhar, talvez perplexo,
mas acolhedor.

A toda a vida que se omitiu ou ousou,
que se transformou
ou paralizou no tempo do medo.

A todo o medo que a coragem permitiu viver,
e que a força não deixou
que imobilizasse o gesto,
e levou aos passos mais adiante
e aos caminhos mais além de antes do ontem.

A todos aqueles que, disponíveis
para o novo, o invasivo, o ensaio,
percorreram com seus olhos linhas como estas, somando as nossas as suas vivências,
indagações e descobertas
e fazendo com isto que amontoados de palavras se vestissem de significados,
dedico esta mensagem
como uma liberdade de aproximação
e um enorme desejo de que a busca
de cada um não cesse nunca,
seja ela qual for,
por mais que mudem as respostas
ou que por vezes,
nos desanime a ausência delas...

Um brinde aos encontros,
que neste espaço de vida,
puderem acontecer..."


Autoria: Lucilia Cerr

sábado, setembro 08, 2007

Tão longe...tão perto

De algum lugar vêm confissões...densas, estranhas, ininteligiveis.

O breve, mas longo caminhar, ouvir, se exaurir.

Belos são os momentos totais da vida,

plena de sensações.

Vivência, sonho, ilusão.

Maravilhosa vida, estranho sonho.

Exaustão.
AMC

Esperemos que Sim.




Será muito decepcionante se assim não for.

Será um insulto, uma bofetada na opinião pública, no povo brasileiro, em especial, aos Alagoanos.

A um país sério, a seriedade e decoro.

Aguardemos.

quarta-feira, setembro 05, 2007

Fantasia

Brilhante II

O adúltero da República

por Reinaldo Azevedo

A expectativa, todos sabemos, é que o Conselho de Ética do Senado aprove hoje o parecer dos senadores Renato Casagrande (PSB-ES) e Marisa Serrano (PSDB-MS) sustentando que o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), quebrou o decoro parlamentar. Aprovado, segue para apreciação na Comissão de Constituição e Justiça e, dali, para o plenário, onde será submetido, na semana que vem, ao conjunto dos senadores, em votação secreta. A pantomima protagonizada nesta terça por Renan tinha como alvo esta votação. Ele dá como certa a derrota no Conselho de Ética, mas aposta que tem a maioria no plenário. Essa jornada, que vai chegando ao epílogo, expôs como nunca o padrão a que chegou a política brasileira.

Há dias, escrevi aqui um texto sobre a degradação do homem público e dos Poderes da República, em todas as suas esferas. Já não se obrigam mais os valentes a manter nem mesmo o jogo de aparências. Qualquer atitude na vida, mesmo o jogo amoroso entre os amantes, é pautado pelo senso de “decoro”. A palavra decorre do adjetivo latino “decorus” — o que fica bem, o que convém —, e este, por sua vez, é da mesma raiz de “decor”, a beleza propriamente, a física mesmo, a formosura. A história da palavra carrega, como se vê, a idéia da proporção de formas, da elegância.

E poucas coisas são, hoje, tão indecorosas quanto a atuação do senador Renan Calheiros, com sua pompa ridícula; com sua determinação de negar o que aos olhos de todos está escancarado; com sua retórica que mistura autocomiseração com ameaças, vitimização com agressões despropositadas. Renan é o cavalo que encarna uma conjuração de todos os maus espíritos da política brasileira. Do coronelismo decadente nordestino, de que o povo da região é a principal vítima, expõe o mandonismo, a rede de aliados e cupinchas locais a lhe arrumar falsos álibis, o sistema de compadrio que lhe serve de esbirro. Do descaramento petista, bastante treinado nas batalhas de Waldomiro Diniz, do mensalão e do dossiê fajuto, exibe a disposição de denunciar conspirações (falsas), de se defender atacando, de não hesitar um só momento em tentar recobrir o escuso com o ilegal, o ilegal com o imoral, o imoral com uma suposta causa política.

Não, senhores! Renan não é o chefe da máfia; é só a manifestação mesquinha, atrapalhada, caipira, provinciana, de uma crise que é bem mais profunda, que ameaça abrir um rombo na credibilidade do Senado e do Congresso Brasileiro. Absolvê-lo corresponde a incorporar na alma da Casa o lobismo bandoleiro, a mentira, a falta de qualquer escrúpulo na defesa do indefensável. Renan convida o Senado ao suicídio coletivo. Os que, eventualmente, pensam proteger-se protegendo-o, que fique claro, estão é marcando um encontro com a degola, mais cedo do que tarde. Renan é só um cadáver adiado — e, como tal, continuará a exalar o odor pútrido de uma biografia que se esgueirava nas sombras. Não é porque preferiu o catre ao leito que está em apuros. Mas porque preferiu o não-institucional ao institucional. Não é o Renan adúltero da vida privada que está em questão; mas o adúltero da República.

Os métodos a que recorre se mostram inteiros, como fica evidente, na guerra santa que decidiu deflagrar contra a revista VEJA. Não há qualquer ilegalidade ou irregularidade, como sabe a Anatel, no acordo comercial entre a TVA e a Telefonica. Nada. Mas notem bem: ainda que houvesse, jamais este moralista se dedicaria a combater a Abril não fossem as acusações não mais do que um modo de se defender. Que fique claro, que fique público: as primeiras referências de Renan ao caso vieram na forma de insinuações, coisa leve, típica de quem buscava uma negociação. Político de trajetória heterodoxa, empresário mais heterodoxo ainda, julgou que estava falando com iguais. Acreditou que, brandindo as armas do que acreditava ser uma boa chantagem, a revista fosse, como diria o filósofo Lewandowski, “AMACIAR” as coisas. Foi mais um de seus muitos erros. Foi outra aposta infeliz.

Jogo mais pesado
A estratégia, no entanto, não deve ser inteiramente debitada na sua conta. A disposição de confrontar "a" imprensa — em especial a revista VEJA e a TV Globo — nasce nos cantos mais atrasados do petismo. Mas pode "a" imprensa ser confrontada? Não. Ela não existe. O que é “a” imprensa? Estão todos os veículos metidos no mesmo saco de gatos? Terão todos eles a mesma linha editorial, os mesmos princípios, o mesmo entendimento do que é bom e do que é ruim para o Brasil? Eis aí um dos mitos estúpidos alimentados pelas esquerdas de modo geral, pelo petismo em particular — e, agora, por Renan Calheiros, para tentar salvar a própria pele.

Atacar "a" imprensa, da forma como se tem feito no Brasil, corresponde a atacar a liberdade de imprensa, uma vez que ela não existe como corporação, como voz política, como unidade. Se os veículos comungam de um credo comum, típico das sociedades democráticas, não quer dizer que estejam articuladas num complô. Acontece que essa fantasia é útil aos totalitários, aos ladrões, aos bandidos do colarinho branco, àqueles que querem se servir do estado e do governo. Agem os vagabundos como se não houvesse uma mídia que também lhes fosse favorável, que age na base do “quanto é?” para expedir suas sentenças capitais.

Não por acaso, figurões do petismo estão hoje metidos em operações mirabolantes para, justamente, ter o domínio de uma fatia da “mídia”. O que querem? Democracia? Não! Querem controle. Em recente programa de televisão, perguntaram a José Dirceu se ele trabalha para Carlos Slim, o magnata mexicano. A sua resposta não poderia ser mais eloqüente: “Não revelo os meus clientes”. Já se viu “consultor de empresa privada” — ele se diz um, com larga experiência, como se sabe — não revelar os clientes QUE TÊM, mas nunca se viu um deles manter em sigilo OS QUE NÃO TEM. Não custa lembrar que a maior parte das assinaturas da pretendida CPI contra a Abril é de petistas.

O estado brasileiro está sob o assalto de quadrilheiros maiores e menores. A novidade em relação ao banditismo habitual é que os bandoleiros de agora fingem ter uma “causa”. Que os senadores reflitam muito bem. Os olhos do Brasil estarão hoje no Conselho de Ética e, na semana que vem, no plenário da Casa. Não haverá sigilo que possa livrá-los da responsabilidade de manter no Senado quem o desrespeitou de modo aberto e continuado. A luta não é contra “a” imprensa, mas contra a indecência. Os veículos de comunicação que têm compromisso com a verdade continuarão, estejam certos, combatendo os excessos da liberdade com mais liberdade.

segunda-feira, setembro 03, 2007

Brilhante!

Levianos, arrivistas, vulgares.

por Reinaldo Azevedo

O direito é um sacerdócio e conserva traços de uma pompa que nada tem de ridícula. Ela deveria ser a manifestação material da distância que tal conhecimento guarda do saber comum, vulgar, nem sempre íntimo do bem. O direito, enfim, não é achado na rua, ou o que se tem é só injustiça. Sacerdotes, na Roma antiga, costumavam iniciar assim as suas cerimônias: “Odi profunum vulgus et arceo/ Favete linguis”. Literalmente: “Odeio o vulgo profano e afasto-o. Silêncio”. Servia para distanciar os que não eram iniciados naqueles segredos.

O grande poeta latino Horácio (65-8 a.C) usou a fórmula em uma de suas odes, chamando a atenção, a um só tempo, para a importância da poesia, que deveria obedecer a certos rigores sem, no entanto, deixar de ser simples. Como o direito. Ele não deve se confundir com a obscuridade, mas há de conservar um rigor que o coloca acima do vulgo, do saber comum. De verdade, isso deveria valer para todas as esferas da vida pública. Ora, a própria democracia é assim, não é mesmo? Ela é exercida por todos, resulta da vontade da maioria, mas nem sempre acede ao que a grande massa acha conveniente. Por isso, a democracia, que é de todos, tem as chaves guardadas por um minoria diligente, que a preserva do assalto “das massas”.

A propósito do que isso tudo? Fomos assaltados pela vulgaridade. O sacerdócio está entregue ou à má-fé ou aos trapalhões. A patetada protagonizada pelo ministro do Supremo Ricardo Lewandowski, que sai comentando ao telefone, em lugar público, o resultado de um julgamento, dá conta de que os ritos estão sendo oficiados não por sacerdotes, mas por noviços deslumbrados, que ignoram o decoro e o princípio. Não conhecem os “mistérios”. Convenham: é o mesmo Supremo onde está Eros Grau, que faz digressões sobre “vaginas flatulentas”. Ou em que a ministra Cármen Lúcia comenta com um colega — o mesmo Lewandowski — que o único juiz negro da corte dará um “salto social” com o processo de que é relator. A iaiá assistia, compassiva, à ascensão da senzala.

Que dias detestáveis estes! Isso nada tem a ver com democracia. Isso é só vulgaridade, o deslumbramento, o arrivismo e a falta de decoro alçados à condição de categoria de pensamento. Alguma surpresa? Nenhuma, não é mesmo? Afinal, os súditos seguem os passos do soberano. A cada vez que o sistema político acolhe como coisa corriqueira as quinquilharias retóricas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o padrão da vida pública se degrada um tanto mais. Então não foi ele que, numa solenidade com o presidente Bush, comparou o entendimento entre dois países ao encontro do chamado “Ponto G”? Todos rimos. De nós mesmos. A cada discurso, diligentes, estamos à cata de uma batatada, fingindo que a transgressão calculada, metódica, degradante, é só uma variante de estilo, um jeito descontraído de conduzir a coisa pública.

Não é. O que de pior pode acontecer a um país — Horácio dizia isso sobre a poesia — é perder o senso de medida, confundindo o diluição da fronteira entre o decoroso e o indecoroso com uma revolução de costumes ou com o progresso social. A dimensão ritualística do exercício do poder é substituída pelo improviso, pela descontração ignorante, pela ignorância enfatuada, orgulhosa da própria estupidez, de sua parolice propositiva, sempre a simular cenários grandiosos e a cantar as próprias glórias vãs. Esse arremedo de poder popular nada mais é do que mediocridade defensiva.

Era com esta sem-cerimônia que um Silvio Pereira, então secretário-geral de um partido, despachava numa sala do Palácio do Planalto. Ou que Delúbio Soares, um tesoureiro, transitava livremente pelos corredores do prédio-sede do Poder Executivo, como bárbaros que tivessem tomado o castelo, a executar, sem mesuras, triunfantes, a pilhagem de rigor. A pior delas, sem dúvida, a institucional: porque esta fica estampada em nossa memória e produz frutos degradantes.

É uma pena ter de escrever um texto como este depois de uma jornada tão digna vivida pelo Supremo Tribunal Federal, que devolveu um tanto de esperança a quantos apostam no casamento entre a democracia e o estado de direito, realidades conexas, mas que não se confundem. Aquela só aceita o poder que derive da vontade da maioria; este outro submete esta vontade ao império da lei. A democracia que não respeita o estado de direito degenera em anarquia; o estado de direito que não atenta para a vontade democrática acaba abrindo um fosso entre a legalidade e a sociedade. Por isso, o próprio regime democrático prevê instrumentos com que adequar a escrita à vontade manifesta do povo.

Falo dos Poderes da República, mormente o Legislativo, que deve estar sempre atento à voz rouca das ruas, representando-a em benefício do progresso, educando-a para o bem das instituições, limando seus excessos para que o país tenha estabilidade legal, distinguindo a necessidade do simples clamor da hora. Mas vejam lá. Quem é hoje o presidente do Congresso? A que métodos recorre o senhor Renan Calheiros (PMDB-AL) para tentar se preservar da própria biografia? Alguma vez, antes, assistiu-se, no Senado da República ou do Império, a coisa parecida? A prepotência foi, antes, tão mesquinha? A mesquinharia foi, antes, tão autoritária? O autoritarismo foi, antes, tão banal?

Não tenho, embora possa parecer, sobre o conjunto da obra acima relatada, uma visão apocalíptica. Até porque seria inútil. Não desafio o teclado para lhes dizer: “Estamos perdidos, condenados”. Por mais que a realidade insista em testar a sanidade da esperança. Mas estou certo de que os novos excluídos do Brasil — aqueles que “eles”, cheios de nojo, chamam “classe média” — precisam se levantar de seu silêncio.

Voltemos ao ministro Lewandowski. O que se depreende de sua imprudência loquaz é que a Corte máxima da Justiça estava contaminada por um espírito que lhe era estranho: a disposição, como ele disse, para “amaciar com José Dirceu”. Não, senhores! O “amaciamento” não vinha dos autos; antes, era manifestação do próprio caso brilhantemente relatado pelo ministro Joaquim Barbosa: ação de uma quadrilha. Ainda segundo sua loquacidade imprudente, a reportagem fotográfica que flagrou o seu papinho com uma colega pôs “uma faca no pescoço” dos ministros. Não se sabe se ele considera que, sob pressão, seus pares renunciaram à injustiça para decidir segundo os autos ou se, temendo o clamor público, ignoraram os autos para fazer não justiça, mas justiçamento. Qualquer que seja o caso, Lewandowski expõe a Corte ao ridículo e lança sobre ela a suspeita de se dedicar mais ao conluio e à conspiração do que às leis.

Vocês sabem muito bem que reservo a esta gente a avaliação de Polônio sobre Hamlet, da peça de Shakespeare, quando o príncipe começa a delirar: “É maluquice, mas tem método” — em versão livremente adaptada. No vídeo que preparou para seu 3º Congresso, que acontece neste fim de semana, o PT faz um relato muito detalhado de sua estratégia de poder. Procurem no YouTube. Publiquei o endereço no blog. Trata-se da história da conquista do estado. Bem entendido o que ali vai, resta evidente que a “revolução”, em sua versão contemporânea, consiste na contínua e pertinaz desmoralização das instituições em benefício de um projeto de poder. Literalmente, entre aspas mesmo, o partido anuncia a sua intenção: “Não há qualquer exemplo histórico de uma classe que tenha transformado a sociedade sem colocar o poder político de estado a seu serviço (...). Não basta chegar ao governo para mudar a sociedade. É preciso mudar a sociedade para chegar ao governo.”

Não duvidem. Parte do estado já está “a serviço” dessa causa. Até quando?

Colunista Porreta! Gosto muito!

Um Brinde ao Acaso









por Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa


"Nosso país deve muito ao acaso. Cabral, querem nos fazer crer, veio bater aqui por acaso. Procurava as Índias, não tinha a menor idéia de nossa existência, e o sensacional acaso das calmarias o trouxe até nossas praias. Há belos mapas anteriores à missa em Porto Seguro onde o Brasil aparece, mas isso é um detalhe, foi o acaso que nos descobriu.

Mais tarde, Napoleão Bonaparte cismou que ia ser dono do mundo. Invadia os países dos outros com a maior naturalidade e lá colocava a penca de irmãos que tinha, como reis. Se não tinha irmãos disponíveis, ia de marechais mesmo. Pois bem, cismou com o pequenino Portugal que, por acaso, tinha uma bela e próspera colônia a seu dispor. Que fez o Príncipe Regente que, por acaso, reinava em nome de sua mãe, D.Maria I, a Louca? Correu para cá com toda a corte, isso em 1808.

Mais uma vez, o acaso veio em nosso socorro. Napoleão tantas fez que perdeu todas, e a Europa reuniu-se em Viena para retomar seus reinos e recolocar tudo nos seus devidos lugares. No caso de Portugal, só queriam reconhecer Lisboa como capital a ser restaurada; D.João, por acaso já apaixonado pelo Brasil, agiu rápido e, em 1815, elevou o Brasil a Reino Unido aos de Portugal e Algarves. De colônia à sede de um Reino, não fosse a ambição desmedida do grande general e ao vitorioso inverno russo, isto é, ao acaso, não teríamos dado esse pulo tão cedo.

Passam-se sete anos; o bravo e mal-interpretado D.João VI já regressara a Portugal. Deixara o belo e animadíssimo filho Pedro aqui, não sem antes lhe dizer que não bobeasse, qualquer coisa, tomasse a coroa para si antes que outro aventureiro o fizesse. Sabia das coisas esse pai. Logo que a ocasião se apresentou, D. Pedro que, por acaso, passava pelas margens do Ipiranga, em São Paulo, recebe notícias adversas vindas de Portugal; logo se lembrou das palavras do pai e deu o célebre grito. Dizem que sua parada naquelas plagas se deveu a um infeliz acaso. Sabe-se lá. O fato é que o Ipiranga entrou, por acaso, em nosso hino.

Em 1889, o ambiente político estava complicado. Questões militares mal resolvidas eram responsáveis por tumultos e conspirações. Republicanos do Rio e de São Paulo, e alguns oficiais do Exército, resolveram que na próxima reunião da Assembléia Geral, que se daria a 20 de novembro, proclamariam a República. Mas quis o acaso que boatos infundados, dando conta da prisão imediata do marechal Deodoro da Fonseca e do tenente-coronel Benjamin Constant, precipitassem os acontecimentos. O Marechal Deodoro se aproveita do acaso e já no dia 15 de novembro, é instaurado o novo regime.

O tempo passa, corre até. Houve quem dissesse que é o senhor da razão. Parece ser. O acaso não nos abandona, disso a História recente é testemunha.

Mais um exemplo: o Brasil acaba de passar por um de seus mais belos momentos, a aceitação da denúncia contra os membros da Sofisticada Organização Criminosa que pretendeu nos acorrentar a um Brasil pequeno e medíocre, para todo o sempre. O Supremo Tribunal Federal mostrou-se em toda a sua glória: inteligente, articulado, brilhante. Ficamos todos, os brasileiros de bem, absolutamente entusiasmados com a decisão do STF.

Mas, lá estava o acaso de olho no Brasil. Dois ministros, distraídos, para aliviar a tensão de ouvir por horas a fio a lista de crimes e criminosos, resolveram trocar e-mails e um fotógrafo ágil, profissional de primeira linha, fotografou as telas dos computadores dos Meritíssimos. O assunto é do interesse dos brasileiros, a sessão era pública, o jornalista cumpria seu dever e o acaso mais uma vez veio em nosso auxílio: ficamos sabendo como pensavam e agiam pelo menos dois ministros do STF, a ministra Carmen e o ministro Lewandowski.

O ministro Lewandowski parece que não se satisfez com esse acaso e provocou outro. Foi jantar no Expand Wine Bar by Piantella. Esse bar, descrito nos guias turísticos como um dos lugares românticos da noite brasiliense, tem um jardim, com mesas também. Nosso ministro resolve que ali era um local apropriado para bater um papo de 10 minutos ao celular e contar todas as desventuras que sofreu no julgamento. Ele e seus pares, coitados, ficaram com a faca afiada da Imprensa Má e Cruel em seus pescoços! Por isso, e só por isso, ‘não amaciaram para o Dirceu’.

Que baita acaso, hein? Num dos domínios de um dos maiores amigos de José Dirceu, esse bar com nome nova-iorquino, muito bem freqüentado pelos habitantes da Capital Federal, foi o local escolhido por Sua Excelência para fazer confissões bombásticas pelo celular. A jornalista da Folha de São Paulo, que estava sentada no jardim, ouviu toda a conversa e dela fez o uso que o acaso pretendia que fizesse.

Que faz o presidente Lula enquanto o Brasil assiste a tudo isso? Nada. Enquanto prestávamos atenção no que se passava no Supremo, o presidente fazia uma declaração espantosa, vinda de um nordestino, de um homem que vai ao Nordeste com a mesma facilidade com que vamos à esquina. Declara, abro aspas: “Alguém cometeu um erro contra nosso caju em um momento da história”. Li várias vezes. Não conseguia atinar com o erro. Depois me lembrei que o presidente Lula não é deste mundo; é natural que não conhecesse o caju.

Não vou aqui perder meu tempo, e o de vocês, enumerando todas as coisas que se pode fazer com essa fruta tão nordestina que até lembra as cores e o cheiro do Nordeste. Lembro apenas que, por acaso, além da célebre batida de caju, existe também o vinho de caju; com ele podemos então, já que o acaso fez com que o presidente Lula a essa fruta fosse apresentado no mesmo dia em que a SOC foi transformada em ré, fazer um brinde ao acaso que nos uniu: À Imprensa!, na figura deste blog.


Aos copos, pois, e um brinde ao acaso!"

...e ao acaso, através do blogger de Noublat eu encontrei Maria Helena! A ela, também, um brinde!

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