"Deus me respeita quando eu trabalho. Mas me ama quando eu canto."

sábado, abril 11, 2009

Prazer é tudo - II

Capítulos de caminhos da índiaA novela das "oito" da Rede Globo, que começa depois das nove, poderia deixar a categoria de Novela e passar a chamar-se "Fábula das oito".

Ela poderia, em seu primeiro capitulo começar assim: – “Houve um tempo na Terra em que todos os povos falavam o mesmo idioma...” Afinal, a bíblia diz que houve.

Daria uma margem infinita ao autor para justificar absurdos, chamados por eles de livre criação.

Por exemplo:

1 - uma criança de seis anos olha para o celular e "lê" (!!!) “Duda”. A criança é indiana.

2 - Avô da mesma criança (nunca saiu da Índia), liga para o celular do filho e entende a moça que, no Brasil, atende o celular dizendo-se "sua namorada".

3 - Criança 1 ou 2, da mesma casa, entende o familiar falando pela internet: - "Eu te amo".

4 - Nada explica como o familiar se comunica pela internet em português (sem tis e tchas - chatos para não mais poder), com a brasileira, que certamente não fala híndi.

Apenas pequenos exemplos do inadmissível.

Há uma malévola brasileira (psicopata), há uma malévola indiana (cunhada da protagonista), para contrapor há uma senhora muito bem casada, rica, formada, mas que deve ter caído de pára-quedas da “terra do nunca” tal a sua “ingenuidade”. Há doentes mentais por toda a parte, até mesmo na sempre presente “Estudantina” que não falta em novela alguma de Glória Peres – só faltou Jesus!

Não fosse o suficiente, sobram maus exemplos: guardas-de-trânsito, delegados, advogados, professores, alunos, e – como sempre, também, uma senhora “sem-vergonha e rebolativa”.

O “número” é sempre o mesmo: as malévolas passam toda a novela levando vantagem, enquanto a pobre protagonista sofre. O final será todo embolado com tudo juntando com “nada” e as “bruxinhas” se atirando de alguma ponte - nessa novela uma há de se atirar em um poço ou no Ganges.

Que prazer pode haver em assistir uma “coisa” dessas”!?

Embora isso e outros mais, a revista Veja escreve que "a cúpula da Globo" culpa o baixo índice de audiência aferido pela "fábula", por conta da grande amizade travada entre Juliana Paes e Marcio Garcia - os "personagens principais" que em suas cenas de amor não conseguiram desenvolver algo mais "tórrido" ...convenhamos!

Não é por menos que coisas tais estão sendo sobrepujadas pela internet, muito mais interessante e muito mais cultural.

A sorte da rede é deter um elenco, que em sua maioria é formado por atores de primeiríssima grandeza, que embora todas as tolices da autora e diretor, retém seus créditos e carrega essas asneiras nas costas, com a competência de quem está representando Shakespeare.

Autores de novela deveriveriam pensar com Nick Hornby que menciono no post abaixo: "Prazer é tudo".

A.M.C

2 comentários:

Fabrizio disse...

Ah, eu estou gostando.
Já me basta a realidade nua e crua que vivo todos os dias. Gosto justamente pelo inverossímil, pela ficção, por viver um sonho no qual no inconsciente não existem línguas diferentes ou não. Gosto pelas cores, pelos pensamentos sejam indianos ou não. Gosto por fazer com que minha mente faça uma viagem astral pelo impossível.
Pelo menos ao acordar eu diria, tive um sonho estranho, ao contrário ao pesadelo que teria ao acordar tendo visto um monte de mutantes. Beijo do Noveleiro Fabrizio.

Ana Maria Cordovil disse...

Ah, nada como um psicanalista para ajudar a interpretar essa bagunça!

Beijo ao "psi-noveleiro", que eu amo.

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